Temer sabia que seria preso assim que saísse do governo

Coluna Fogo Cruzado – 22 de março de 2019

Enquanto esteve na Presidência da República, Michel Temer conseguiu que a Câmara Federal negasse autorização ao Supremo Tribunal Federal para instaurar um processo contra ele por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Ele presidiu a Casa em três ocasiões e isso lhe deu condições de conhecer a alma dos parlamentares e como se deve proceder para que eles votem favoravelmente a projetos de interesse do governo. Tanto é verdade que mesmo com a popularidade no fundo do poço, Temer conseguiu os votos necessários para se livrar dos dois processos que poderiam custar-lhe o mandato. No entanto, assim que passou a faixa presidencial para Jair Bolsonaro, Temer, que não é burro e nem analfabeto, começou a suspeitar de que o seu destino seria exatamente igual ao do ex-presidente Lula: a prisão. Não tinha mais prerrogativa de foro e iria responder à Justiça como cidadão comum. Ainda é cedo, todavia, para saber se o juiz que mandou prendê-lo, Marcelo Bretas, quis entrar para a história como seu ex-colega de Curitiba, Sérgio Moro, que mandou prender o ex-presidente Lula, ou se foi precipitado ao tomar por base o depoimento de um delator para afirmar que Temer fez parte de uma “organização criminosa” durante 40 anos. Bem, levando-se em conta que Temer presidiu o PMDB e que o partido abriga em seus quadros presidiários como Geddel Vieira Lima, Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, Sérgio Machado, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, a tese da “organização criminosa” faz sentido. Mas, por se tratar de um ex-presidente da República, talvez a prisão preventiva tenha sido precipitada. No caso de Lula, a investigação foi longa e ele só foi para a cadeia após a sentença de Sérgio Moro ter sido confirmada em segunda instância. No caso de Temer, a impressão que fica é que o juiz quis mostrar serviço para não ficar inferiorizado (em fama) em relação ao seu ex-colega de Curitiba, que hoje é ministro da Justiça.

O RIO DE JANEIRO APODRECIDO


Com a prisão, ontem, do ex-ministro Moreira Franco (MDB), pode-se dizer que o Rio de Janeiro é o Estado mais apodrecido do Brasil. Moreira é ex-governador daquele Estado, a exemplo de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão que também estão presos. Isso sem falar que o ex-governador Anthony Garotinho também foi preso em 2018, assim como o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Leonardo Picciani.

A VOLTA DA CAMPANHA

Partidos da Frente Brasil Popular decidiram instalar em todos os Estados comitês municipais em defesa da liberdade do ex-presidente Lula. A campanha tem o apoio da CUT, CTB e MST, além do PT, PCdoB, PCO e PSOL. No dia 7 de abril completa-se um ano da prisão do ex-presidente, em Curitiba. Haverá manifestações políticas em várias capitais, entre elas o Recife.

É PROIBIDO FUMAR

Relator na Comissão de Assuntos Sociais, do Senado, de um projeto que proíbe fumar no interior de veículos, Humberto Costa (PT-PE) incluiu no seu parecer a proibição, mas só na presença de menores de 18 anos. O projeto, para virar lei, ainda terá que passar pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e da Câmara, e depois pelo plenário. O projeto altera o Código Brasileiro de Trânsito e prevê a aplicação de multa a quem desrespeitá-lo.

CERCO AO CIGARRO

Segundo Humberto Costa, diversos países, entre eles o Brasil, proibiram publicidade de cigarros com a finalidade de evitar que crianças e adolescentes sejam induzidos a fumar. Ele disse que 130 mil brasileiros morrem por ano pelos efeitos do fumo, sendo que o Brasil gasta R$ 21 bilhões, anualmente, apenas para tratar doenças relacionadas ao tabaco. Costa e o senador José Serra (PSDB-SP) são os que mais combatem o fumo no Congresso Nacional.

APROPRIAÇÃO INDÉBITA

A prefeita de Itaíba, Regina Cunha (PTB), fez uma representação ao Ministério Público contra o ex-presidente da Câmara Municipal, vereador Francisco Abimael Barbosa (PDT), popularmente conhecido por “Dr. Chico”, por ter deixado de recolher à previdência R$ 52 mil. O não recolhimento caracteriza “apropriação indébita previdenciária”, crime previsto no Código Penal.

EM DEFESA DE TEMER

Ex-ministro de Temer, o ex-senador Romero Jucá, presidente nacional do MDB, divulgou nota de solidariedade ao ex-presidente nos seguintes termos: “O MDB lamenta a postura açodada da Justiça à revelia do andamento de um inquérito em que foi demonstrado que não há irregularidade por parte do ex-presidente da República, Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco. O MDB espera que a Justiça restabeleça as liberdades individuais, a presunção de inocência, o direito ao contraditório e o direito de defesa”. Jucá responde a vários processos na Justiça, mas não tem condenação.

BOM DE PREVISÃO

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) tem se revelado um craque em matéria de previsão política. Previu que Eduardo Cunha (RJ) e Michel Temer (SP) seriam presos e ambos se encontram na cadeia. Ciro acha que constitui uma ameaça à “hegemonia apodrecida” do PT e disse que o “lado bandido” desse partido resultou na eleição de Bolsonaro para presidente da República.

RETRATO DO MOMENTO

O fato de a popularidade de Bolsonaro ter caído 15 pontos percentuais em menos de três meses, segundo o Ibope, não preocupa o porta-voz da Presidência da República, general Otávio do Rêgo Barros. Para ele, pesquisas são “fotografias de momento” e, como tal, apenas nesse momento devem ser analisadas. “Nosso presidente tem um projeto, nosso presidente tem um pensamento claro, e eventualmente, precisa enfrentar algumas vicissitudes para avançar e tornar o nosso país o país do presente, não mais o país do futuro”.

EM QUEDA LIVRE

De acordo com o Ibope, 49% dos brasileiros ainda confiam no presidente Jair Bolsonaro, percentual que era 55% em fevereiro e 62% em janeiro. Já a parcela dos que disseram desconfiar do presidente subiu de 30% em janeiro para 44% em março. A pesquisa foi realizada entre os dias 16 e 19 deste mês de março com 2.002 questionários. O Ibope também revela que a forma como Bolsonaro governa o Brasil é aprovada por 51% dos entrevistados, queda de 16 pontos em relação a janeiro. Já a parcela dos que desaprovam a forma como o presidente governa o país subiu de 21% em janeiro para 38% em março.

FUNCIONÁRIO DE BOLSONARO

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, mandou avisar ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, que não aceita pressão dele para colocar em votação o “pacote anticrime” antes da PEC da Previdência. Maia disse que o ex-juiz não manda no Parlamento e que ele não passa, hoje, de um “funcionário de Bolsonaro”. Moro não gostou da crítica, mas foi obrigado a ouvi-la, calado.

É O BRASIL QUE QUER

Em defesa da aprovação do seu projeto, que altera dispositivos do Código Penal, do Código de Processo Penal e do Código Eleitoral, Sérgio Moro escreveu: “Talvez alguns entendam que o combate ao crime pode ser adiado indefinidamente, mas o povo brasileiro não aguenta mais”, citando as cenas de violência que ocorreram no Ceará, recentemente.

NINGUÉM SE ALEGRA COM ISTO

Do líder do PPS na Câmara Federal, Daniel Coelho (PE), sobre a prisão do ex-presidente Michel Temer: “A Justiça mostra que não tem partido e nem viés ideológico. Ninguém fica feliz com a prisão de dois ex-presidentes (o outro é Lula), mas isso mostra que as instituições estão funcionando e que ninguém está acima da lei”.

DISPENSA ANULADA

A Secretaria de Educação do Governo do Estado cumpriu a Medida Cautelar expedida pela conselheira do TCE, Teresa Duere, e anulou a Dispensa de Licitação para aquisição de 972 mil camisetas para fardamento dos alunos da rede estadual de ensino, no valor de R$ 8,6 milhões. Segundo a deputada Priscila Krause (DEM), que fez a denúncia no TCE, o governo não realizou licitação porque não quis. E, se o fizer, tem como comprar muito mais barato.

ABUSO DE AUTORIDADE

Enquanto políticos de diversos credos batiam palmas para o juiz Marcelo Bretas por ter mandado prender o ex-presidente Michel Temer, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) saiu em defesa do emedebista com um argumento irrespondível. Disse ele: “As pessoas têm que ter bom senso e não é espetáculo para as redes sociais que vai melhorar o nosso país, só vai piorar. Não vejo nenhuma razão para prender um presidente da República que tem endereço conhecido, não está fugindo, não está fazendo nada (para obstruir a Justiça) e está à disposição das autoridades. É mais um espetáculo midiático para agradar a este ou àquele setor. Está na hora de o Congresso discutir urgentemente a lei de abuso de autoridade, pois já passamos de todos os limites”.