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Temer nega ter agido para comprar o “silêncio” de Eduardo Cunha

Horas após a divulgação pelo jornal “O Globo” de uma gravação em que o presidente Michel Temer dá o seu aval para a suposta “compra” do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, preso por envolvimento na Operação Lava Jato, a crise política no Brasil, que já era grave, agravou-se assustadoramente.

A gravação foi feita pelo empresário goiano Joesley Batista no dia 7 de março deste ano, no Palácio do Jaburu, e entregue ao procurador geral da República, Rodrigo Janot, em delação premiada.

Em outro áudio, também entregue ao MPF pelo empresário, que é um dos donos do frigorífico JBS, o senador Aécio Neves (PSDB) aparece pedindo a ele uma ajuda de R$ 2 milhões para pagamento ao advogado Alberto Toron, que faz a defesa do tucano no âmbito da Operação na Lava Jato.

Joesley Batista, alegando estar ameaçado de morte, mudou-se com a família para Nova York, onde tem um apartamento na Quinta Avenida. E deixou o “circo” pegando fogo aqui no Brasil.

O “furo” foi dado pelo jornalista Lauro Jardim, colunista político do jornal “O Globo”, e se transformou na principal notícia política do país neste final de semana, com repercussão internacional.

O jornalista publicou a notícia no site do jornal e nesta quinta-feira (18) publicou as fotos em que um primo de Aécio, Frederico Medeiros, aparece recebendo o dinheiro solicitado por ele ao empresário. A Polícia Federal foi informada previamente e fez o flagrante da entrega.

Ao tomar conhecimento da notícia, o Palácio do Planalto divulgou uma nota negando que o presidente Michel Temer tenha agido para “comprar o silêncio” do deputado cassado Eduardo Cunha.

“O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República”, diz a nota.
Confira a íntegra da nota do Palácio do Planalto.

I- O presidente Michel Temer jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar.

II- O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República.


III- O presidente defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados.

Temer cancelou parte da agenda que teria nesta quinta-feira (18) e não virá mais a Pernambuco nesta sexta (19) para assinar o decreto devolvendo ao Estado a autonomia do Porto de Suape.

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Inaldo Sampaio