Senador diz que “espionar” a Igreja Católica é um atentado contra a liberdade religiosa

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), criticou hoje (11) a notícia divulgada pela Agência Estado de que o governo de Jair Bolsonaro estaria espionando a Igreja Católica por considerar a instituição uma “potencial opositora” aos seus projetos.

Segundo ele, utilizar a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para investigar as ações do clérigo “é um atentado à liberdade religiosa e de expressão no Brasil”.

“Na sua sanha persecutória, o governo tem usado a Abin para fazer investidas contra a Igreja e seus fiéis. Vale lembrar que o Brasil é o país com a maior população católica do mundo, representando sozinho 27,5% dos católicos de todo o globo. É inaceitável esse tipo de ação em um país que se diz democrático. Não vamos aceitar esse absurdo. No Senado, vamos discutir ações e pedir explicações ao governo”, disse o senador pernambucano.

Ele disse também que a perseguição à Igreja Católica não tem nenhum sentido, muito menos a  acusação de que a Santa Sé estaria fazendo uma ação sistemática contra o governo tem “base na realidade”.

As preocupações do governo Bolsonaro teriam como pano de fundo a preparação do Sínodo sobre Amazônia, que deve acontecer em outubro, em Roma, quando bispos de todos os continentes irão debater temas como a preservação do meio ambiente e a defesa de povos indígenas e dos quilombolas.

“A Amazônia não diz respeito somente ao Brasil. Há outros países latino-americanos que também têm em seu território uma parte da floresta. E nós sabemos o quanto o Brasil vai mal nesta questão do meio ambiente. Nós ainda estamos chorando os mortos do último desastre ambiental, em Brumadinho”, disse o senador.

Para ele, a ação do governo Bolsonaro lembra um “período sombrio” da história do Brasil, a ditadura militar, quando a Igreja sofreu com ações de difamação, invasões, prisões, tortura e até assassinatos.

Um dos casos emblemáticos, afirmou, foi o assassinato do padre Antônio Henrique Pereira da Silva Neto, auxiliar direto do arcebispo Dom Hélder Câmara. Ele foi sequestrado, torturado e morto no Recife, em maio de 1969.

Humberto ainda ironizou o fato de o governo dizer que vai pedir ingerência da Itália na Santa Sé.

“O absurdo dessa ação é tamanho que, mais uma vez, o Brasil vai virar motivo de chacota mundial. O que o governo Bolsonaro parece não saber é que a Itália não interfere nas ações do Vaticano, que é um país soberano, com estrutura própria de Executivo, Legislativo e Judiciário, e que a Igreja tem toda a liberdade de se posicionar da forma que achar que deve”, afirmou o senador.