Se a economia não voltar a crescer, o fracasso do governo será inevitável

Coluna Fogo Cruzado – 21 de março de 2019

Como já se disse nesta coluna, foram muitas as motivações que levaram 57 milhões de brasileiros a fazer opção por Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial. Em primeiro lugar o desgaste do PT, que havia vencido as quatro últimas eleições presidenciais. Seu principal líder, Luiz Inácio Lula da Silva, encontra-se preso em Curitiba, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e sua sucessora Dilma Rousseff, após ser afastada do governo por um processo de impeachment, entregou o país ao vice, Michel Temer, mergulhado numa brutal recessão e com mais de 10 milhões de desempregados. Em segundo lugar o Brasil reclamava uma mudança que tivesse características de ruptura e quem encarnou esse estado mudancista foi Jair Bolsonaro, com um discurso forte na área de segurança e no combate implacável à corrupção. Por fim, o discurso conservador do candidato do PSL na área dos costumes em vez de tirar-lhe votos, fez foi fortalecê-lo, dado que em razão desse conservadorismo ele ganhou a adesão de todas as Igrejas Evangélicas do país. Agora, porém, passados 2 meses e 21 dias da instalação do novo governo, os brasileiros continuam na expectativa de que algo melhore na área econômica, com a recriação dos postos de trabalho que foram fechados durante a recessão. Por enquanto, como sabemos, o governo se mexeu em apenas três áreas: flexibilizou a legislação para a compra de armas e enviou ao Congresso o “pacote anticrime” do ministro Sérgio Moro e a PEC da reforma previdenciária. Sobre a economia propriamente dita, não se deu nenhum passo adiante, pelo menos até agora. É pouco para um governo que assumiu com a expectativa otimista de mais de 60% dos brasileiros.

PESQUISA POR TELEFONE

O Ipespe, fundado no Recife pelo sociólogo Antonio Lavareda, passou a fazer pesquisas pelo telefone que dão praticamente o mesmo resultado das pesquisas convencionais (com o entrevistador em campo). Na última, realizada há uma semana, constatou que a avaliação negativa do governo Bolsonaro subiu de 17% (em favereiro) para 24% (em março) e que a positiva caiu de 40% para 37%. A taxa de regular se manteve em 32%.

PASSANDO A LIMPO

Autor do requerimento pela criação da “CPI da Lava Toga”, senador Alessandro Vieira (PPS-SE) não teme o surgimento de uma crise entre o Legislativo e o Judiciário por causa desta Comissão. Ele diz ser necessária a instalção desta CPI para investigar as causas do “ativismo político” de muitos ministros de tribunais superiores, especialmente do STF.

PRONTO PARA A LUTA

Plenamente recuperado de uma depressão que o tirou de cena no final do ano por mais de 30 dias, o deputado Diogo Moraes (PSB) já reassumiu sua cadeira na Assembleia Legislativa, onde passou a ser um dos vice-líderes do governo. Ele já reuniu sua tropa em Santa Cruz do Capibaribe para começar a definir o candidato que irá disputar a prefeitura no próximo ano, contra o candidato do prefeito e seu ex-aliado político, Édson Vieira (PSDB). Em princípio, o candidato será o ex-vereador Fernando Aragão (PSB), que perdeu para Édson em 2016 por pouco mais de 900 votos.

TAREFA ÁRDUA

Em princípio, o governador Paulo Câmara vai tentar unir, em Caruaru, nas eleições do próximo ano, todas as forças de oposição à prefeita Raquel Lyra (PSDB). Mas, para isto, terá que unir engenho e arte. Estão de olho na prefeitura a ex-deputada Laura Gomes (PSB), o coordenador regional da Ciretran, Raffiê Delon (PSD), da nova geração de políticos de lá e os deputados estaduais Tony Gel (MDB), José Queiroz (PDT) e Delegado Lessa (PP). Todos têm expressão política.

AINDA É CEDO

Com a popularidade nas alturas, fruto de uma gestão bem avaliada, o prefeito de Serra Talhada, Luciano Duque (PT), que já foi reeleito em 2016, está sem pressa para definir o candidato à sua sucessão. A oposição deve apresentar uma “cara nova” já que o deputado federal Sebastião Oliveira (PR) está sem um pingo de vontade de disputar esta eleição. Ex-vice-rei daquele município, o ex-deputado Inocêncio Oliveira está fora de combate.

PARTIDO DA MODA

Embora o governo de Bolsonaro já dê os primeiros sinais de desgaste político, o “partido da moda” para as eleições municipais de 2010 ainda é o PSL, que é o do presidente da República. Não se sabe se o dirigente nacional, Luciano Bivar, tem interesse em “capilarizar” o partido em Pernambuco, mas, se tiver, ele terá candidatos a prefeito nos 184 municípios pernambucanos.

AS APARÊNCIAS ENGANAM

Fundador do PSDB na década de 80 junto com Mário Covas, José Serra, Fernando Henrique Cardoso, Cristina Tavares e outros políticos egressos do PMDB, o ex-senador José Richa (PR), se fosse vivo, estaria morto de vergonha com o comportamento do filho, Beto Richa, ex-prefeito de Curitiba e ex-governador do Paraná, preso duas vezes por corrupção e uma por obstrução à Justiça. O danado é que o filho não tem cara de corrupto. Aparenta ser um tucano de bem.

VOLTA, JOSÉ

O  ex-prefeito de Olinda, José Arnaldo Amaral, que se filiou ao PSL em abril do ano passado, transferiu seu domicílio eleitoral de Bom Conselho para a “Marim dos Caetés” a fim de ficar de stand-by, ou seja, disputará novamente a prefeitura se conseguir reunir em torno de sua candidatura uma grande frente política. Já o prefeito Professor Lupércio (SD) está com a campanha à reeleição nas ruas.

ALINHAMENTO AUTOMÁTICO

Líder da bancada do PT no Senado, Humberto Costa (PT) avalia como “improdutiva” a recente viagem do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos para se encontrar com o presidente Trump. Ele disse que Bolsonaro esteve lá para subordinar os nossos interesses aos interesses dos norte-americanos, contrariando a diplomacia brasileira que sempre foi altiva e independente.

A FEDERALIZAÇÃO

Rápido no gatilho, o senador e líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB), já conseguiu colocar o Aeroporto de Petrolina na lista dos que serão privatizados na próxima rodada de concessões. Com isto, vão sobrar em Pernambuco apenas dois aeroportos estaduais: o de Caruaru e o de Serra Talhada, sendo que nenhum dos dois tem condições de manter-se com suas próprias pernas.

MAIS TRABALHO

A chegada do deputado Marco Aurélio (PRTB) à Assembleia Legislativa como líder da bancada da Oposição tem exigido mais do líder do governo, Isaltino Nascimento (PSB), que agora tem que se preparar todos os dias para responder ao adversário. Os dois têm se relacionado, civilizadamente, apesar de Isaltino não ter gostado do apelido que o líder da Oposição colocou em Paulo Câmara: “geringonça”.

ATÉ QUANDO?

Em que pesem as trapalhadas do ministro da Educação, Ricardo Veléz Rodrigues, que apesar de ser colombiano, residir no Brasil há mais de 30 anos e ainda não ter aprendido falar Português, o presidente Bolsonaro parece que está gostando dele e não deu sinais até agora de que pretende exonerá-lo. Enquanto isso, a educação no atual governo continua entregue às baratas. Na pasta não se discute “grade curricular” ou coisas do gênero, e sim “marxismo cultural”.