Pernambuco esperava mais de Paulo Câmara

Coluna Fogo Cruzado – 3 de julho de 2019

Desde o restabelecimento das eleições diretas para os governos estaduais em 1982, Pernambuco retomou a tradição de entronizar no Palácio do Campo das Princesas governadores altivos, com coragem para apoiar ou divergir do poder central, de acordo com os seus interesses. Roberto Magalhães, o primeiro da série, abriu divergência com o general-presidente João Figueiredo em 1984 para apoiar o candidato da oposição, Tancredo Neves, à Presidência da República. Pagou por isso um alto preço, mas ficou bem com sua consciência e perante a história. Miguel Arraes, que o sucedeu, rompeu com o presidente Sarney em 1989 quando se deu conta de que era discriminado pelo governo em detrimento do PFL, então liderado em Pernambuco por Marco Maciel. Joaquim Francisco, o terceiro da série, malgrado tivesse apoiado Collor para presidente, teve a coragem de romper com ele quando ficou evidente o seu envolvimento com corrupção. Jarbas Vasconcelos não precisou romper com Fernando Henrique nem com Lula, mas manteve Pernambuco numa posição de altivez diante do governo federal. Eduardo Campos, que o sucedeu, quebrou sua aliança com a presidente Dilma em 2013 após chegar à conclusão de que o projeto do PT estava esgotado. De Paulo Câmara, eleito em seguida, não se cobra atitude semelhante à dos seus antecessores, mesmo porque não “é” um líder político. “Está” em função do cargo. Mas esperava-se pelo menos que tivesse tido uma participação mais efetiva no debate da reforma previdenciária além de assinar uma nota de governadores do Nordeste dizendo ser contra. Pouco, muito pouco, para quem está sentado na cadeira de governador de Pernambuco.

Um novo pastor

Ex-prefeito de São Caetano e ex-deputado estadual, Esmeraldo Santos trocou a política pela vida religiosa. Virou pastor protestante em Caruaru. O filho, Esmar, que perdeu a disputa pela prefeitura de Cachoeirinha, permanece na vida pública. Esmeraldo ainda não tomou partido na eleição de São Caetano, onde deverão se enfrentar o prefeito Jadiel Braga e o ex-prefeito Doutor Neves, pelo menos por enquanto.

Questão de honra

É questão de honra para o deputado Sebastião Oliveira (PR) ver a conclusão das obras do aeroporto de Serra Talhada, sua terra, para as quais destinou recursos de emendas parlamentares.  Ele não faz outra coisa, a não ser cuidar desse aeroporto, desde que era secretário dos transportes de Eduardo Campos na esperança de vê-lo funcionando com dois vôos semanais da Azul Linhas Aéreas.

Ninho de intrigas

Carlos Bolsonaro (PSC), o vereador carioca filho do presidente da República, já derrubou um general que trabalhava com o pai (Santos Cruz), atritou-se com general Hamilton Mourão, vice-presidente da República, e agora apontou suas baterias para o general Augusto Heleno, chefe do Gabinete da Segurança Institucional do Palácio do Planalto. O pai, que parece ter medo do filho, nada faz para domá-lo.

Fruto da quebradeira

O caso de Minas deveria servir de alerta aos governadores do Nordeste, que nada fizeram até agora em favor da reforma da previdência. O governador Carlos Zema (NOVO) vai pagar este mês a sexta parcela do 13º de 2018, e a segunda do salário de junho deste ano. O Estado, em que pese ser o segundo mais importante da federação, tem mais servidores inativos do que na ativa. E por isso quebrou.

Exemplo de Medellín

O seminário de municípios pernambucanos que se realizará na próxima terça-feira (9), no Centro de Convenções, terá um palestrante de peso: o ex-prefeito de Medellín (Colômbia) Alonso Salazar. Ele é jornalista e escritor e contou no “Programa do Bial”, na última quinta-feira, como conseguir eleger-se prefeito e reduzir a taxa de criminalidade numa das cidades mais violentas do mundo.

Líderes natos

Em sua recente passagem pelo Pajeú, Paulo Câmara se reuniu com um punhado de líderes do PSB, todos “formados” na escola política de Arraes: Adelmo Moura (Itapetim), José Vanderley (Brejinho), Luciano Torres (Ingazeira), Ângelo Ferreira (Sertânia), José Patriota (Afogados) e Anchieta Patriota (Carnaíba). Todos foram prefeitos em razão da forte liderança que exercem em seus respectivos municípios.

Sonho não realizado

Será hoje às 20h, no Convento de Igarassu, a missa de 1 ano de falecimento do ex-deputado Guilherme Uchoa. Ele foi eleito 6 vezes presidente da Alepe e iria tranquilamente para a sétima se não tivesse falecido, mas não conseguiu realizar um sonho que acalentava desde os seus tempos de juiz: ser prefeito de sua terra. O filho, Júnior (PSC), que é deputado estadual, talvez concretize o sonho do pai.