Pedidos têm que ser feitos com moderação

Coluna Fogo Cruzado – 10 de maio de 2019

Político escolado, o senador Fernando Bezerra Coelho aproveitou o café da manhã de 21 governadores com o presidente Jair Bolsonaro, na última quarta-feira, na residência oficial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para dar-lhes um conselho de amigo. Não adianta chegarem a Brasília com uma pauta de 20 ou 30 pedidos, como muitos têm feito ultimamente, disse ele, porque todos serão indeferidos. É mais recomendável, no caso dos governadores do Nordeste, por exemplo, sistematizarem uma pauta de interesse da região e outra de interesse específico de cada estado, pois o dinheiro da União é curto e o presidente da República não vai atender tudo que lhe for solicitado. De comum entre os nove estados da região, há o pedido de prorrogação do Fundeb, previsto para expirar em 2020, a conclusão da Transnordestina, o fim da obra da transposição do São Francisco e a autorização para contrair empréstimos externos. Se o presidente atender todas elas, já estaria de bom tamanho. No caso específico de Pernambuco, espera-se do governo federal a conclusão das Adutoras do Agreste e do Pajeú, a construção do Canal do Sertão e a duplicação da BR 423 que liga Garanhuns a São Caetano. Se o presidente fizer isto, já terá feito um gesto grande com os pernambucanos.

À iniciativa privada

O senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) conseguiu incluir o aeroporto de Petrolina na próxima lista dos que serão concedidos à iniciativa privada. Estarão no mesmo lote os aeroportos de Goiânia (GO), Palmas (TO), Teresina (PI), São Luís (MA) e Imperatriz (MA). O governo espera arrecadar com essas concessões pelo menos R$ 1,5 bilhão.

Volta ao ministério

Cogita-se em áreas governistas a volta de Fernando Bezerra ao Ministério da Integração Nacional, caso a pasta seja recriada, porém ele não tem interesse. Deseja permanecer na liderança do governo no Senado, onde tem trânsito livre com Bolsonaro e todos os seus 22 ministros. Eventual retorno à esplanada não acrescentaria nada à sua biografia.

Ordem unida

Como líder do PSD na Câmara Federal, André de Paula (PE) tirou o deputado Joaquim Passarinho (PA) da comissão mista que analisa a Medida Provisória da reforma administrativa e pôs no lugar dele o deputado Paulo Magalhães (BA). Passarinho perdeu a vaga porque iria votar pela permanência do COAF no Ministério da Justiça. A maioria decidiu pelo seu retorno ao Ministério da Economia.

Unidade das oposições

O ex-vice-prefeito de Paulista, Nena Cabral, iniciou um movimento no município visando à unidade das oposições para o pleito de 2020. Só não vai conseguir levar o vereador e presidente da Câmara, Fábio Barros (PSB), que já se lançou candidato à sucessão do prefeito Júnior Matuto (PSB), “com o seu o apoio do atual prefeito”.

Corte dividida

Há muito tempo o STF não decide, por unanimidade, uma questão relevante para o país. Geralmente decide, dividido, na maioria das vezes por 6 x 5. Foi assim com a prisão em segunda instância e, mais recentemente, ao reconhecer que as Assembleias Legislativas detêm poderes para anular a prisão de deputados, salvo se presos em flagrante delito.

A cara do bem

A prisão de Lula e Michel Temer está levando muitos brasileiros a acreditarem cada vez menos nos valores da democracia. Em relação a este último, fez toda sua carreira política no MDB-SP, foi presidente da Câmara três vezes, vice-presidente da República e depois presidente. E, o que intriga mais os brasileiros, não tem cara de corrupto.

Chuva de pedidos

Um dos lugares mais ingratos do governo Paulo Câmara é a Secretaria de Infraestrutura, onde despacha a engenheira Fernandha Batista. Diariamente ela recebe demandas de parlamentares e na maioria das vezes é obrigada a dizer “não”. Ontem, recebeu o deputado Antônio Moraes (PP) para cobrar a recuperação da rodovia que liga Pirauá a Macaparana, da que liga Timbaúba a Limoeiro e da que liga Goiana a Itambé. Ela pediu paciência ao deputado porque o Estado não tem dinheiro.