PCdoB escolhe Pernambuco para comemorar seus 97 anos de fundação

Coluna Fogo Cruzado – 25 de março de 2019

Mais antigo partido político do Brasil em atividade, o PCdoB escolheu Pernambuco para comemorar hoje com um ato público os seus 97 anos de fundação. A escolha deve-se ao fato de o partido já ter tido em Pernambuco uma consistente base eleitoral, elegendo vários deputados, entre eles Gregório Bezerra, para a Assembleia Nacional Constituinte de 1946 e metade dos vereadores do Recife nas eleições municipais de 1947. Hoje, o partido conta em seus quadros com a vice-governadora Luciana Santos, o vice-prefeito do Recife Luciano Siqueira e o deputado federal Renildo Calheiros. Mas não conseguiu eleger ninguém para a Assembleia Legislativa a exemplo do que já tinha ocorrido nas eleições de 2014. O ato de hoje terá início às 18h no Teatro Beberibe, do Centro de Convenções, com presenças confirmadas do ex-presidente nacional da legenda, Renato Rabelo, dos deputados federais Jandira Feghali (RJ) e Daniel Almeida (BA), do vice-governador do Rio Grande do Norte, Antenor Roberto, e da presidente da UNE Marianna Dias. O partido foi oficialmente fundado em 1922 e de lá para cá marcou presença em todos os acontecimentos políticos do país. Foi o mentor da Guerrilha do Araguaia, no início da década de 70, para combater o regime militar, pelo que pagou um alto preço. Quase todos os guerrilheiros foram assassinados pelo Exército, alguns deles, inclusive, com requintes de crueldade. O PCdoB se declara defensor da democracia, malgrado a simpatia que nutre pelos governos de Venezuela, Albânia, Cuba e Coreia do Norte, todos com características ditatoriais.

A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR

O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, marcou presença em Sertânia, na última sexta-feira (22), no ato de inauguração da Autora do Moxotó, obra que leva água do Eixo Leste da transposição do São Francisco para 10 cidades daquela região. Presente ao ato, o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), disse que uma de suas missões, a partir de agora, é apontar as obras em Pernambuco que são feitas com recursos do governo federal, algo que o governador Paulo Câmara não faz.

SILÊNCIO TOTAL

Em fevereiro deste ano, segundo o senador, o Ministério do Desenvolvimento Regional liberou R$ 82 milhões para reforçar o cronograma de obras da Adutora do Agreste, montante superior ao que foi liberado durante todo o ano de 2018. Mas, disse ele, o presidente da Compesa, Roberto Tavares, só diz que Paulo Câmara arranjou o dinheiro, sem dar o devido crédito a quem o liberou.

POR QUE NÃO TERMINA?

Atualmente, o Eixo Leste da transposição está abastecendo cerca de 1 milhão de pessoas em 38 cidades da Paraíba e de Pernambuco. Já o Eixo Norte, que sai de Cabrobó em direção ao Ceará, está com 96% de suas obras concluídas e, segundo o ministro Gustavo Canuto, deverá entrar em operação no segundo semestre deste ano.

INTERLIGAÇÃO DE BACIAS

Na última sexta-feira (22), Dia Mundial da Água, o deputado Gonzaga Patriota (PSB) voltou a fazer um apelo a seus colegas parlamentares para que aprovem ainda este ano o Projeto de Lei de sua autoria (PL nº 6.569/2013) que propõe a interligação das bacias dos rios Tocantins e São Francisco. Ele diz que essa interligação melhorará o volume de água do Lago do Sobradinho, aumentará a disponibilidade de água no semiárido e possibilitará a construção de uma usina hidrelétrica na divisa de Tocantins com a Bahia. Segundo Patriota, a situação do rio São Francisco, hoje, é catastrófica, e tende a ficar pior ainda depois que as águas da barragem de Brumadinho (MG) chegaram às suas nascentes.

PÉ NA ESTRADA


Dos novos integrantes da bancada federal pernambucana, nenhum andou mais até agora pelo interior do Estado que Fernando Monteiro (PP). Só no último final de semana ele visitou os municípios de João Alfredo, Pedra, Sanharó, Gravatá, Lajedo e Buíque, além de ter recebido, em Brasília, diversos prefeitos do seu grupo, entre eles Dannilo Godoy (Bom Conselho).

PRÊMIO INTERNACIONAL

Por sua atuação, no Brasil, nas eleições presidenciais de 2018, vencida pelo então deputado Jair Bolsonaro (PSL), a empresa IDEIA BIG DATA ganhou o prêmio de “Instituto de Pesquisa do Ano” oferecido pela “Napolitan Victory Awards”. O prêmio será entregue no dia 6 de abril próximo na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington. Esta foi a primeira vez que uma empresa brasileira conquistou este prêmio, sendo o reconhecimento, segundo o presidente Maurício Moura, “de muitos anos de dedicação”. Além de conquistar a premiação na categoria “Instituto de Pesquisa do Ano”, o IDEIA Big Data está entre as finalistas no quesito “Inovação Política do Ano”. Este ano, a disputa contemplou 47 categorias e contou com inscrições de mais de 30 países.

PRISÃO INCONSTITUCIONAL

Plantonista, no último final de semana, no TRF da 2ª Região, que tem sua sede no RJ, a desembargadora Simone Schreiber, acatou pedido de habeas corpus ajuizado pela defesa do empresário Rodrigo Castro Alves Neves, cuja prisão temporária foi decretada na véspera pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara da Justiça Federal. Também foram presos preventivamente, no mesmo dia, o ex-presidente Michel Temer e o ex-ministro Moreira Franco. Em seu despacho, a desembargadora afirma que prisões temporárias e preventivas para efeito de interrogatório são inconstitucionais.

CONTRATOS FICTÍCIOS

Rodrigo Neves é dono da empresa de outdoors Alumi Publicidades, que teria celebrado contratos fictícios com a Argeplan em 2014 para legalizar o recebimento de propinas. A empresa está no nome do coronel João Baptista Lima Filho, amigo do ex-presidente Michel Temer e seu “operador financeiro” durante muitos anos. O habeas corpus em favor de Temer será julgado na próxima quarta-feira (27) na Primeira Turma do TRF-4 pelo desembargador Ivan Athié.

GOVERNO SEM PROJETO

Atacado pelo ministro Sérgio Moro (Justiça), pelo vereador Carlos Bolsonaro (RJ) e pelo próprio presidente Jair Bolsonaro por causa de um suposto atraso na tramitação da reforma previdenciária, o presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ao jornal “O Estado de São Paulo” deste domingo (24) que o governo não tem projeto para o Brasil, além da reforma da Previdência. “É um deserto de ideias e se tem propostas, eu não as conheço. Qual é o projeto do governo Bolsonaro além da reforma da Previdência? Não se sabe”.

Confira:

Por que o senhor decidiu abandonar a articulação da reforma da Previdência?

Maia – Apenas entendo que o governo eleito não pode terceirizar sua responsabilidade. O presidente precisa assumir sua liderança, ser mais proativo. O discurso dele é: sou contra a reforma, mas fui obrigado a mandá-la ou o Brasil quebra. Ele dá sinalização de insegurança ao Parlamento. Ele tem que assumir o discurso que faz o ministro Paulo Guedes. Hoje, o governo não tem base. E não sou eu que vou organizar a base. O presidente da Câmara, sozinho, em uma matéria como a reforma da Previdência, não tem capacidade de conseguir 308 votos.

Mas o senhor continua à frente da articulação?

Maia – Dentro do meu quadrado, sim. Agora, acho que quanto mais eles tentam trazer para mim a responsabilidade do governo, mais está piorando a relação com o Parlamento. O governo precisa vir a público de forma mais objetiva, com mais clareza e com mais energia para a votação da reforma.

O que o presidente Jair Bolsonaro precisa fazer?

Maia – O presidente precisa construir um diálogo com o Parlamento, com os líderes, com os partidos. Não pode apenas declarar que o meu diálogo (com os parlamentares) é pelo “toma lá, dá cá”. A gente tem que parar com essa conversa. Como o presidente vê a política? O que é a nova política para ele? Ele precisa colocar em prática a nova política. Tanto é verdade que ele não colocou que tem (apenas) 50 deputados na base. Faço o alerta: se o governo não organizar sua base, se não construir o diálogo com os deputados, vai ser muito difícil aprovar a reforma da Previdência. O ciclo dos últimos 30 anos acabou e agora se abre um novo ciclo. Ele precisa saber o que colocar no lugar. O Executivo precisa ser um ator ativo nesse processo político.

E não está sendo?

Maia – De forma nenhuma. Ele está transferindo para a presidência da Câmara e do Senado uma responsabilidade que é dele. Então, ele fica só com o bônus e eu fico com o ônus de ganhar ou perder. Se ganhar, ganhei com eles. Se perder, perdi sozinho. Isso, para a reforma da Previdência, é muito grave. Não é uma votação qualquer para você falar “leva que o filho é teu”. Não é assim. É uma matéria que será um divisor de águas, inclusive para o governo Bolsonaro. Então, ele precisa assumir protagonismo. Foi isso o que eu falei. Não vou deixar de defender as coisas nas quais tenho convicção porque brigo com A, B ou C. Meu papel institucional não é usar a presidência da Câmara para ameaçar o governo.

A SURPRESA DO PRESIDENTE

Em viagem oficial ao Chile na última sexta-feira (22), Bolsonaro tomou um susto ao ser informado das declarações de Rodrigo Maia de que ele precisa fazer política se quiser aprovar a reforma da previdência. Ao lado do presidente Sebastian Piñera, disse que iria procurar o deputado para conversar assim que voltasse (sábado) ao Brasil. “Eu não dei motivo para ele sair (da articulação política). Mas vamos conversar. Você (dirigindo-se ao repórter) nunca teve uma namorada? Quando ela quis ir embora, você fez o quê? Não a chamou para conversar?”.

PPS AGORA É “CIDADANIA

Reunido neste final de semana, em Brasília, o diretório nacional do PPS decidiu trocar de nome. Agora se chama “Cidadania” segundo tomada pelo congresso extraordinário do partido. Segundo o deputado Rubens Bueno (PR), “hoje os partidos políticos têm um desgaste natural aqui e no mundo. Então é normal que haja uma mudança, até para atender aos movimentos que vieram para dentro do partido, como o ‘Renova Brasil’ e o ‘Agora’”, disse o parlamentar. Um dos principais defensores da mudança foi o líder da bancada na Câmara, deputado Daniel Coelho (PE).

A LOGOMARCA

Presidente do PPS há 23 anos, o ex-deputado Roberto Freire declarou que o próximo passo do partido será a escolha da sua logomarca, “ouvindo o máximo de especialistas, com o mínimo de recursos possível”, para depois enviá-la para conhecimento dos diretórios regionais.

PELO ESTILO MACIEL!

 

O ex-prefeito de Olinda, José Arnaldo Amaral (PSL), gostaria de ver o vice-presidente Hamilton Mourão seguindo o estilo do pernambucano Marco Maciel, que foi o vice mais discreto da República em todos os tempos. “Assuntando a maçaranduba do tempo, como diz o espirituoso Joaquim Francisco, tenho como recomendável que o nosso vice-presidente conheça a vida e obra de Marco Maciel, o mais eficiente vice-presidente desde o advento da violentada República brasileira, seguindo o exemplar procedimento do ilibado político pernambucano quanto à imperiosa discrição no exercício desse cargo estratégico”, disse o ex-prefeito.