Oposição à reforma apenas por ideologia

Coluna Fogo Cruzado – 10 de julho de 2019

Ainda que os governadores do Nordeste afirmem que não apoiam a reforma previdenciária do governo Bolsonaro porque ela não ataca privilégios e sacrifica as camadas mais vulneráveis da população, essa versão não colou em canto nenhum. Comentaristas de variados órgãos de imprensa alegam que os governadores não endossam o projeto por serem adversários políticos do presidente da República. Todos os nove, sem exceção, apoiaram o candidato do PT, Fernando Haddad, e da eleição até agora não moveram uma palha para estreitar o relacionamento com o Palácio do Planalto. Esta é a versão que se consolidou pelo país e os fatos dão razão a quem acredita nela. Ontem, por exemplo, houve uma última tentativa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, no sentido de se reunir com os 27 governadores a fim de incluir estados e municípios na reforma previdenciária. Nenhum do Nordeste esteve lá como se suas previdências estaduais vivessem no melhor dos mundos. Um dos poucos que marcaram presença foi o do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, Estado que tem uma dívida consolidada de R$ 82 bilhões e um déficit anual de R$ 10 bilhões em seu fundo próprio de previdência. Os governadores nordestinos por certo estão achando que todos estão livres de quebradeira que aflige os gaúchos, embora os fatos digam o contrário.

À instância superior

O vereador e secretário estadual do Trabalho e Empreendedorismo, Alberes Lopes, que foi cassado ontem pelo TRE por dupla filiação, pretende recorrer da decisão ao TSE. Ele foi indicado para o cargo pela dupla José e Wôlney Queiroz, que comanda o PDT estadual. Lopes foi candidato pelo PRP em Caruaru e ficou na 11ª colocação, com 1.271 votos, sem se desfiliar do PSC.

Apanha de todo jeito

É dura a vida de presidente da República em relação à emendas parlamentares. Se não liberar é criticado e se liberar, também. Foi o que ocorreu ontem com o presidente Bolsonaro. Foi alvo de críticas do líder da Oposição na Câmara, Alessando Molon (PSB-RJ), por ter liberado R$ 1,2 bilhão em emendas parlamentares, mesmo o dinheiro estando previsto no OGU.

Cúmulo da deselegância

A Amupe trouxe ontem a Pernambuco para fazer uma palestra o ex-prefeito de Medellín, Alonso Salazar, que inspirou os dois Centros Comunitários da Paz que o prefeito Geraldo Júlio (PSB) construiu no Recife. Pois bem, assim que o governador Paulo Câmara fez a abertura do evento, metade dos prefeitos levantou-se e foi embora. A deselegância foi notada.

Adeus, FEM!

Um dos assuntos mais comentados ontem pelos prefeitos pernambucanos no Centro de Convenções foi a “morte não oficialmente anunciada” do FEM, o Fundo de Apoio aos Municípios criado no governo Eduardo Campos. Os repasses estão praticamente suspensos por falta de recursos, sendo raros os prefeitos que ainda se dispõem a vir à capital atrás desse dinheiro.

Tem coragem?

Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB, garante que mandará para o Conselho de Ética quem votar a favor da reforma previdenciária, descumprindo uma diretriz do partido. Muita gente da própria executiva paga para ver se Siqueira terá mesmo coragem para iniciar o processo de expulsão dos deputados Felipe Carreras (PE) e Júlio Delgado (MG), ambos favoráveis à reforma.

Usina de criatividade

Presente ontem no seminário de prefeitos, o de Itapetim, Adelmo Moura (PSB), disse que em tempos de crise é preciso usar a criatividade. Contou que está movimentando a juventude local, neste mês de férias, com um campeonato de futsal, no Ginásio de Esportes, e que nenhuma partida até agora reuniu menos de 500 pessoas. São 24 partidas ao custo de R$ 1 mil uma pela outra.

O sonho da volta

Pelos menos 50 ex-prefeitos deverão disputar as eleições de 2020 em Pernambuco, entre eles Yves Ribeiro (Paulista), Elias Gomes (Jaboatão), Tony Gel (Caruaru), Túlio Vieira (Surubim), Zeca Cavalcanti (Arcoverde), Carlos Evandro (Serra Talhada), Marcones Sá (Salgueiro), Totonho Valadares (Afogados da Ingazeira), Severino Ninho (Igarassu) e  Renildo Calheiros (Olinda).