O tempo dirá se o presidente Bolsonaro é ou não vingativo

Coluna Fogo Cruzado – 7 de janeiro de 2019

Luciano Bivar pode ser o canal de diálogo entre Paulo Câmara e Jair Bolsonaro

Foi numa entrevista ao SBT, na última quinta-feira, que o presidente Bolsonaro foi questionado a primeira vez sobre a ausência dos governadores do Nordeste em sua posse. Ele não encarou o gesto dos governadores como uma “declaração de guerra”, mas não gostou de saber que alguns deles estariam dispostos a não colocar a foto do presidente da República nas repartições oficiais. “Eu já ouvi dizer, também não sei se é verdade, que eles não vão ter o meu retrato em suas salas. Espero que, quando vierem pedir dinheiro para mim, pelo menos digam o seguinte, ou melhor, que não venham pedir nada para mim porque eu não sou o presidente. O presidente deles (Lula) está em Curitiba”, afirmou Jair Bolsonaro, negando, no entanto, que pretenda retaliá-los por causa disto. “De minha parte, eu não posso fazer uma guerra com os governadores do Nordeste, atrapalhando a população. O homem mais sofrido do Brasil está na região, exatamente pela mentalidade desses governadores”, acrescentou. Bolsonaro perdeu a eleição para o candidato do PT, Fernando Haddad, em todos os estados da região (em Pernambuco, venceu apenas em Santa Cruz do Capibaribe). Seja como for, os governadores têm que abrir urgentemente um canal de diálogo com o presidente da República porque todos eles dependem de recursos federais para tocar as suas obras. O deputado Luciano Bivar pode ser este canal, dada a sua condição de presidente nacional do PSL, o partido do presidente da República.

Posse no CimPajeú

Paulo Câmara aproveitou sua ida a Custódia, na última sexta-feira, para assistir à posse do prefeito Manuca (PSD) na presidência do CimPajeú (Consórcio Intermunicipal dos Municípios do Pajeú). A sede do Consórcio é em Afogados da Ingazeira, mas a posse se realizou num colégio de Custódia, que até dezembro será abastecida com água do rio São Francisco.

O diálogo – Dos nove governadores do Nordeste, o primeiro a defender a abertura de “diálogo” com Jair Bolsonaro foi o do Ceará, Camilo Santana (PT), que solicitou a Força de Segurança Nacional para conter a onda de violência no Estado e o presidente, de pronto, o atendeu.

No poder – Deputado majoritário no Sertão, Lucas Ramos (PSB) vai pedir audiência ao governador para tratar de seus espaços no governo estadual. Rodrigo Novaes (PSD) já foi acomodado na Secretaria de Turismo e o suplente Odacy Amorim (PT) no IPA, que tem mais importância que a Secretaria de Desenvolvimento Agrário, onde está Dilson Peixoto (PT).

De todos – O prefeito de Itapetim, Adelmo Moura (PSB), disse em Custódia na última sexta-feira que a “tropa” de André de Paula (PSD), no 1º governo de Paulo Câmara (Detran e Secretaria das Cidades), atendia a todos os prefeitos, indistintamente, mas a do deputado Sebastião Oliveira (DER e Secretaria dos Transportes) “só atendia aos aliados dele”.

A chance – De volta à Casa Civil desde o último dia 2, o deputado Nilton Mota (PSB) terá a oportunidade de recompor sua relação com alguns prefeitos sertanejos, com os quais não teria cumprido compromissos assumidos em 2017. O cargo lhe dá chance para fazer isto.

Redução – Antes de ser surpreendido por uma onda de violência que teve início na última 4ª
feira, o Ceará havia registrado o 9º mês consecutivo com queda nos índices de homicídio. Pernambuco está no 12º mês e por isso o secretário Antonio de Pádua (SDS) foi mantido.