O processo está mal conduzido

Coluna Fogo Cruzado – Folha de Pernambuco – 28 de janeiro

É da tradição política de Pernambuco o governador conduzir o processo para a escolha do candidato que irá disputar a sua sucessão. Bem verdade que Eduardo Campos, presidente nacional do PSB e pré-candidato a presidência da República, não abdicou dessa prerrogativa. E por isso mesmo soa estranho que o partido ora sob seu comando tenha instituído uma comissão para coordenar este processo. A seus membros foram delegados poderes para conversar, isoladamente, com os pré-candidatos a governador, que seriam quatro: o vice João Lyra Neto, o ex-ministro Fernando Bezerra Coelho, o chefe da Casa Civil Tadeu Alencar e o secretário da fazenda Paulo Câmara. Tanto o vice como o ex-ministro irão receber, cavalheirescamente, o trio que forma a comissão: o prefeito Geraldo Júlio, o deputado estadual Aluísio Lessa e o presidente do partido Sileno Guedes. Mas deste assunto só tratarão com o próprio governador.

João Lyra e Fernando Bezerra só conversam sobre sucessão com o governador Eduardo Campos
Olho crítico e provinciano

Dilma foi alvo de críticas por ter gasto com hospedagem em Lisboa, no trajeto Suíça-Cuba, R$ 71 mil (sua comitiva tem 45 pessoas). Isso é cerca de 1/3 do que a banda Garota Safada cobra para fazer um show de música safada. Quando criticaram Collor por ter pago 1.200 dólares por um quarto de hotel na Inglaterra, o então ministro pernambucano Ricardo Fiúza rebelou-se: “Queriam que o presidente da 8ª economia do mundo se hospedassem num hotel de 2ª classe?”

Pesquisa – Está em mãos de Eduardo Campos o resultado de uma pesquisa segundo a qual 77% dos pernambucanos querem a continuidade do grupo político que ora governa Pernambuco. Já na pesquisa que foi encomendada pelo ex-ministro Fernando Bezerra o cenário é diverso deste. Armando Monteiro (PTB) tem entre 45% e 52% de intenções de voto, dependendo do cenário.

Bipolar – Diferentemente de 2010, quando Eduardo Campos foi apoiado na reeleição por 90% das forças políticas de PE, em 2004 haverá “dois lados”: um do governo e outro da oposição.

Trava – Pelo fato de Dilma estar travando a liberação de verbas para PE, Danilo Cabral corre o risco de deixar a Secretaria das Cidades agora em abril sem inaugurar nenhuma grande obra.

Previsão – Pelas contas de Aécio Neves, o PSDB suplantará Eduardo Campos em seis grandes colégios eleitorais onde o PSB não lançará candidato a governador: SP, MG, RJ, PR, SC e RS.

Mágoa – O ex-ministro Fernando Bezerra (foto) ainda não assimilou o fato de só ter sido chamado para uma reunião da executiva nacional do PSB, da qual é vice-presidente, no Recife, na semana passada, quando faltavam apenas 30 minutos para o seu início.

Risco – À exceção de João da Costa, o PT não lançará novos candidatos nem para a Câmara Federal nem para a Assembleia Legislativa. Isso pode pôr em risco a reeleição de alguns deputados federais e estaduais porque o partido não tem “cauda”.

Tô fora – Embora tenha figurado no início do processo como um dos pré-candidatos do PSB à sucessão estadual, o secretário Antonio Figueira (saúde) auto-excluiu-se da disputa. Ele alega que por pertencer a uma família de médicos e ter responsabilidade com o futuro do IMIP, que foi fundado por seu pai, o velho Fernando Figueira, a sua vocação é a medicina e não a política.

É guerra – A visita feita ontem ao Recife pelo ministro Aguinaldo Ribeiro (Cidades) teve caráter apenas simbólico. A vinda dele foi para dar a impressão de que o governo federal não retalia Pernambuco, o que não é verdade. Dilma sabe que Eduardo Campos será seu opositor nas próximas eleições e por sugestão da cúpula petista já passou a tratá-lo como “inimigo”.