Moro não tem como explicar o inexplicável

Coluna Fogo Cruzado – 20 de junho de 2019

O ministro Sérgio Moro agiu corretamente ao oferecer-se para depor ontem na Comissão de Constituição e Justiça do Senado sobre a “tabelinha” que celebrou com o Ministério Público Federal durante o período em que comandou a Lava Jato. Ele não esperou ser convidado como testemunha, ou mesmo convocado, o que o deixaria obrigado a comparecer.Apresentou-se espontaneamente à Comissão após garantir ao líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), que não havia nada demais na troca de mensagens que manteve como o procurador Deltan Dallagnol. Moro chegou e saiu da CCJ exatamente do mesmo jeito. Os que o consideram inocente, como o próprio Fernando Bezerra, não vão mudar esse ponto de vista após a publicação das mensagens pelo site “The Intercept Brazil”. E os que o consideram culpado, como o senador Humberto Costa (PT-PE), continuarão achando que o ministro cometeu um desvio de conduta que comprometeu a lisura da Operação. Nem tanto ao mar nem tanto à terra, entretanto. Moro, de fato, não tem como explicar o inexplicável. Se é verdade, como diz ele, que o juiz pode conversar tranquilamente com a acusação e a defesa, neste caso específico ele agiu como colaborador do Ministério Público, tomando partido contra o ex-presidente Lula e ajudando a coletar provas para robustecer sua condenação.   

A derrota de Robalinho

O fato de o pernambucano José Robalinho Cavalcanti não ter entrado na lista tríplice do Ministério Público Federal como candidato à vaga de Raquel Dodge na Procuradoria Geral da República foi a grande surpresa da eleição. Ele foi o melhor presidente que a Associação Nacional dos Procuradores da República teve até agora, mas ainda assim não ficou entre os três mais votados.

O carimbador de papeis

Bolsonaro decidiu ontem que o ministro Onix Lorenzoni, que é detestado em seu próprio partido (DEM), não será mais responsável pela articulação política do governo. Essa tarefa agora será do general Luiz Eduardo Ramos, que substituiu o também general Carlos Alberto Santos Cruz na Secretaria de Governo. A Lorenzoni caberá apenas a função de “carimbador de papeis”.

Campeão de emendas

Danilo Cabral garante que o PSB foi quem mais apresentou emendas à reforma da previdência a fim de sintonizar o projeto com os interesses dos pobres, mesmo reconhecendo que o relator Samuel Moreira emendou-o para melhor. Diz também que nem sempre a maioria age certo, pois a reforma trabalhista foi aprovada pela maioria do Congresso e ela só fez aumentar o desemprego.

Tese de pós-graduação

Está marcada para 5 de julho, no auditório do Imip, a defesa da tese de pós-graduação do urologista Felipe Dubourck de Barros em carcinoma de pênis. Os orientadores são os médicos Gustavo Guimarães e Leuridan Cavalcanti Torres e, a comissão julgadora, formada por Jurema Telles de Oliveira Lima, Candice Amorim de Araújo Lima, Rubens Chojniak e Stênio de Cassio Zequi.

Visita ilustre

O deputado Antonio Moraes (PP) acompanhou ontem a visita ao governador Paulo Câmara ao frigorífico Masterboi, o maior de Pernambuco e um dos maiores do Brasil. O grupo emprega 1.200 funcionários e planeja expandir suas atividades no Estado até 2020. Moraes, que já presidiu o PSDB regional, recebeu convite para voltar ao partido, mas declinou. Continuará “progressista”.

Antecipação do 13º

Muitos prefeitos do interior resolveram antecipar o pagamento de 50% do 13º salário para que os servidores públicos municipais possam brincar o São João com dinheiro no bolso. Um deles foi Adelmo Moura (PSB), de Itapetim, alegando que o São Pedro é a maior festa do município e que a prefeitura tinha dinheiro em caixa para honrar esse compromisso, como já fez em vários anos.

Para modernizar a máquina

Após uma espera de cinco anos, o Governo do Estado obteve o aval da União para contrair um empréstimo no BID no valor de 37 milhões de dólares. O aval foi negado por Dilma Rousseff e Michel Temer e dado por Jair Bolsonaro. O dinheiro não será usado em obras de infraestrutura e sim na modernização da Secretaria da Fazenda a fim de ampliar a arrecadação de impostos.