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Jucá vendeu uma mercadoria que talvez não seja entregue

Coluna Fogo Cruzado – 13 de setembro

O PMDB funciona como uma federação de partido, onde todo mundo respeita todo mundo

A essa altura dos fatos, está clara a disposição do PMDB de Pernambuco de não entregar o controle do partido ao senador Fernando Bezerra Coelho, segundo promessa que lhe foi feita pelo presidente nacional da agremiação, senador Romero Jucá. O ministro Fernando Filho parece tão seguro de que o pai será o novo mandachuva do partido que chegou a declarar, em tom de vitória, que as bases da ocupação estão lançadas. Ou seja, ou o senador Fernando Bezerra assumiria o controle “pelo entendimento”, hipótese desejada por ele e pelo pai, ou então pela intervenção. Só que intervir em diretórios estaduais que eventualmente discordem do nacional nunca foi da tradição do PMDB, onde todo mundo respeita todo mundo. Até porque intervir em Pernambuco abriria precedente para que se interviesse amanhã no Rio Grande do Sul, depois de amanhã em Santa Catarina, e por aí vai. O PMDB funciona há muitos anos como uma federação de partidos regionais, com uma liderança forte em cada um deles e sem nenhum tipo de subordinação à direção nacional. Por tudo isso já é possível supor que Romero Jucá vendeu uma mercadoria a Fernando Bezerra que talvez não tenha condições de entregar.

Democracia interna

Em 2014, quando o PMDB reuniu seu diretório nacional para decidir se mantinha ou não aliança com o PT para apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff, a ala que discordava da coligação obteve 41% dos votos. Respeitou-se os 59% que optaram pela aliança, com Michel Temer na vaga de vice, e o partido seguiu o seu caminho. Jucá, esquecido disto, tenta interromper essa tradição.

Sondagem – Por provocação do vice-governador Raul Henry, a executiva nacional do PMDB vai se reunir hoje em Brasília para analisar o caso de Pernambuco. O vice, que preside o partido no Estado, sondou ontem companheiros de vários estados e todos externaram sua solidariedade ao deputado Jarbas Vasconcelos.

Reação – Não existe mais clima no PMDB-PE para a entrada do senador Fernando Bezerra no partido. A atitude do senador, de negociar diretamente com Romero Jucá o controle da legenda, foi considerada pelo diretório regional como “indigna, traiçoeira, torpe e repulsiva”. Pois é. Raul Henry trata bem correligionários e adversários, mas quando pisam no pé dele, vira um leão!

Diferença – Assessores do PMDB garantem que a intervenção no diretório de Olinda não tem nada a ver com a que Romero Jucá planeja fazer em Pernambuco. Lá, dizem, tirou-se Jacilda Urquiza do comando porque ela teria falsificado uma ata para manter o partido sob controle de um “grupo familiar”.

Título – Adilson Gomes, secretário-geral do PSB e “patrimônio vivo” da política de Pernambuco, iria receber domingo, na Câmara Municipal de Cabrobó, o título de cidadão. Mas como a solenidade foi adiada passou em Serra Talhada para fazer uma visita de cortesia ao prefeito Luciano Duque (PT), seu amigo de longas datas.

Pretexto – Romero Jucá usou como argumento para prometer o comando do PMDB-PE ao senador Fernando Bezerra o voto dado por Jarbas Vasconcelos a favor de que Michel Temer fosse investigado pelo STF por suposto crime de corrupção passiva, conforme solicitação feita pelo procurador Rodrigo Janot. Jarbas votou coerente com sua história, mas nunca disse sequer que Temer era feio, embora tenha motivos para tal.

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Inaldo Sampaio