Joaquim Barbosa começa a tomar gosto pela disputa

Coluna Fogo Cruzado – 29 de março de 2018

Ex-ministro Joaquim Barbosa começa a se interessar pela candidatura presidencial

Quando estava no auge de sua popularidade, após ter julgado no STF a Ação Penal nº 470 (mensalão), que culminou com a prisão do ex-ministro José Dirceu e de outros próceres da República, o então ministro Joaquim Barbosa foi sondado por vários partidos para abandonar a toga e se candidatar a presidente da República. A toga ele abandonou, mesmo tendo o direito de permanecer na Corte por mais 16 anos. Mas não se entusiasmou pela candidatura. Alegou que não tem temperamento para ser político e que o Brasil ainda não está culturalmente preparado para pôr um negro na presidência da República. No final do ano passado, entretanto, uma delação de deputados do PSB foi ao escritório de advocacia dele a fim de convidá-lo a se filiar ao partido para se candidatar à sucessão de Temer, e já o encontrou bastante maleável. Ele não aceitou de pronto a proposta formulada mas agora está tomando gosto pelo convite, deixando o PSB numa saia justa. Primeiro, porque o partido combinou internamente que só decidirá no mês de julho se terá ou não candidato próprio à Presidência. Em segundo lugar, porque esta decisão tem que passar obrigatoriamente pelo governador Paulo Câmara, que em princípio não se interessa por candidatura própria porque já abriu conversações com o ex-presidente Lula envolvendo a retirada da candidatura da vereadora Marília Arraes à sucessão estadual.

Pobreza dupla

Eleitora do PSB de Paulista procurou o ex-prefeito Yves Ribeiro a fim de pedir-lhe ajuda para comprar um isopor. Pretendia vender picolé na feira. Yves, assessor do Governo do Estado, alegou que está fora da política e que não tinha direito para ajudá-la. Tanto é verdade, disse ele, que só vai poder pagar sua conta de luz quando receber o dinheiro do Estado (próximo dia 8).

Dupla motivação – O vereador André Régis vai disputar um mandato de deputado federal pelo PSDB confiando em duas coisas: o bom mandato que desempenha na Câmara Municipal do Recife e a simpatia que setores de classe média têm pelo seu partido.

A origem – Passaram pela Câmara Municipal do Recife antes de chegar à Câmara Federal, entre outros, Gustavo Krause (DEM), André de Paula (PSD), Cadoca (sem partido), Augusto Coutinho (SD) e Raul Jungmann (sem partido).

A orfandade – O PSB, que já foi forte no Ceará quando tinha os irmãos Ciro e Cid Gomes, o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio e vários deputados federais, hoje não tem mais ninguém. O único deputado que tinha, Heitor Férrer, saiu do partido e se filiou ao Solidariedade.

Nome leve – Filiado ao MDB, o ainda ministro da Fazenda, Henrique Mereilles, pode se tornar um candidato competitivo a presidente da República se acertar na escolha do marqueteiro. Goza de boa imagem na opinião pública e tem o que mostrar à população, tanto como presidente do Banco Central como ministro da Fazenda.

Pé na estrada – Marília Arraes resolveu não esperar pela decisão do PT sobre se lhe dará ou não legenda para disputar o governo estadual. Continua viajando pelo interior como costumava fazer seu avô, Miguel Arraes, e dando entrevistas a emissoras de rádio e blogs. Só nos últimos seis meses, ela já andou mais que Paulo Câmara e Armando Monteiro, juntos.