Greve inoportuna e em hora adversa

Coluna Fogo Cruzado – 12 de junho de 2019

Centrais sindicais e movimentos populares anunciam para a próxima sexta-feira, dia 14, uma greve geral contra a reforma previdenciária. No Recife a concentração está marcada para as 14h, na Rua do Sol, esquina com a Avenida Guararapes, com participação de partidos políticos, entidades estudantis e movimentos sociais. Manifestações populares num regime democrático é a coisa mais normal do mundo. Mas talvez fosse o caso de avaliar se essa greve é oportuna no momento em que o Brasil está com 14 milhões de desempregados e com sua economia voltando à recessão. Seria uma greve contra quem e a favor de quê? Contra o governo Bolsonaro, tudo bem, devido às inúmeras trapalhadas praticadas pelo seu governo, mas qual o resultado que se poderia obter dessa paralisação? Nenhum. Contra a reforma previdenciária pior ainda, pois todo mundo de bom senso reconhece que essa reforma é necessária porque o nosso sistema de seguridade está falido. Então, fazer uma greve para que a reforma não seja feita? Pelo amor de Deus! Isso é dá um tiro no próprio pé, pois o que já ocorreu com o Rio Grande do Sul, o Rio Grande do Norte, o Rio de Janeiro e Minas Gerais (desequilíbrio total das contas públicas) pode contaminar o resto do país. Ademais, já não bastaram as manifestações de 15 de maio quando milhares de pessoas saíam às ruas para protestar contra os cortes nas verbas do Ministério da Educação? O protesto pelo protesto é o que de pior pode haver neste momento não para o presidente da República e sim para os manifestantes, que vão voltar para as suas casas com as mãos abanando.

Adeus ao PSB

O ex-prefeito de Goiana e ex-deputado estadual Beto Gadelha compareceu ontem à sede regional do PSB para protocolar o seu pedido de desligamento do partido. A partir de hoje abrirá uma série de conversas com os líderes da oposição, começando por Bruno Araújo (PSDB) e Armando Monteiro Neto (PTB). Seu projeto político é tentar voltar à prefeitura em 2020.

A pujança de volta

Beto Gadelha (sem partido) afirma que Goiana está voltando a ter em Pernambuco o mesmo protagonismo econômico que teve, meio século atrás, quando possuía fábricas de tecidos e de cimento, e duas usinas. Depois que a Fiat se instalou lá, garante, o orçamento da prefeitura saltou para R$ 300 milhões e o doudécimo da Câmara Municipal para R$ 1 milhão.

Promessa de recuperação

A secretária Fernanda Batista (Infraestrutura e Recursos Hídricos) esteve em Petrolina para anunciar a recuperação de duas PEs (636 e 638) a partir de agosto próximo. Por ser ainda muito jovem, não se sabe bem se a secretária conhece o histórico do prefeito Miguel Coelho (sem partido), que vai ficar na cola dela até que os serviços sejam definitivamente concluídos.

Dano à imagem

De passagem pelo Recife na semana passada, o ex-senador Cristovam Buarque (PPS-DF) reconheceu que Lula é um “mito” no exterior e que Sérgio Moro ficou com sua imagem arranhada por ter aceitado ser ministro de Bolsonaro. Dito e feito. Jornais do mundo inteiro noticiaram ontem a “tabelinha” de Moro com Deltan Dallagnol na Lava Jato visando à condenação do ex-presidente.  

Só carta não resolve

Deputado Marcelo Ramos (PL-AM), presidente da comissão especial da reforma previdenciária, disse ontem que “só carta não resolve” referindo-se à Carta dos Governadores em defesa de regras únicas para servidores públicos federais, estaduais e municipais. Ramos gostaria de ver Paulo Câmara pedindo à bancada pernambucana para apoiar o projeto do governo.

Sertanejo de valor

De todas as homenagens prestadas pela Assembleia Legislativa no curso deste ano, a mais concorrida foi a entrega da Medalha Joaquim Nabuco ao neurocirurgião Hilton Azevedo, projeto de autoria do deputado Antonio Moraes (PP). O médico, que é natural de Sertânia e sobrinho do ex-governador Etelvino Lins, conseguiu ser mundialmente famoso sem sair de Pernambuco.

Por fora do partido

Diz-se no entorno de Bruno Araújo, presidente nacional do PSDB, que o que mais pesou na decisão dele de não manter o ex-governador João Lyra Neto na presidência regional do partido foi o fato de a prefeita Raquel Lyra (Caruaru) não ter apoiado tucanos nas últimas eleições. Votou em Daniel Coelho (CID) para deputado federal e em Priscila Krause (DEM) para estadual.