Governo só teria a ganhar com FBC no cargo de líder

Coluna Fogo Cruzado – 12 de fevereiro de 2019

Até ontem, o governo Bolsonaro estava sem líder no Senado. A especulação de que poderia ser o filho, Flávio, está descartada depois que o “garoto” teve o nome envolvido em trapalhadas com o Coaf e homenageou policiais criminosos com a Medalha Tiradentes, a mais alta da Asssembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Escolher o senador Major Olímpio (SP) também não seria aconselhável por ele pertencer ao mesmo partido do presidente e não ter vivência no Senado. Daí ter ganhado força no final de semana o nome do senador pernambucano Fernando Bezerra Coelho. Ele tem experiência parlamentar, pertence à maior bancada da Casa (MDB), é inteligente e articulado. Pesa contra ele responder a processos no STF, mas o próprio Bolsonaro já declarou que isso não é nada demais porque ele também tem processos na Suprema Corte. FBC passou um curto período na liderança do governo Temer, e se deu bem. Não se sabe ele quem ele votou para presidente da República no segundo turno, mas mesmo que não tenha sido em Bolsonaro, isso não será impedimento para que ele ocupe o cargo de líder.  O importante para o presidente da República não é pedir atestado ideológico de ninguém e sim ter líderes na Câmara e no Senado que ajudem o governo.

Homenagem justa

Foi inaugurada no final de semana a placa com o nome da rodovia que liga Carnaíba ao município de Quixaba. Chama-se “Rodovia Tenente João Gomes de Lira”. Pra quem não sabe, foi um dos valentes de Nazaré do Pico (distrito de Floresta) que como “soldado de volante” combateu o bando de Lampião. Ele relatou sua saga no livro “Memórias de um soldado de volante”. Ele é pai do advogado Clóvis Amaral de Lira.

Por exclusão – O senador Tasso Jereissati (CE) defende que o seu partido (PSDB) escolha para o lugar de Geraldo Alckmin, cujo mandato se encerrará no próximo mês de maio, um nome identificado com “renovação”. Ele diz que o partido tem três caras novas (o senador Antonio Anastasia) e os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS) e não cita o ex-deputado Bruno Araújo (PE) como “novo”.

Longe da direita – Bruno Araújo é o candidato de João Doria para o cargo de presidente e, além de ter votado em Bolsonaro no segundo turno, é profundamente identificado com as teses do governo. Jereissati, ao contrário, diz querer distância da “extrema direita” abrigada dentro do governo.

Com folga – Além de ter o apoio de 38 dos 49 deputados estaduais, o governador Paulo Câmara não terá o menor problema com a Assembleia Legislativa. Emplacou o presidente (Eriberto Medeiros) e os presidentes da CCJ (Waldemar Borges) e da Comissão de Finanças (Lucas Ramos).

Uma lágrima –A morte do jornalista Ricardo Boechat, ontem, numa queda de helicóptero, em SP, deixa o jornalismo pátrio mais pobre, e isso não é lugar comum. Boechat era homem de jornal, de rádio e de televisão (âncora do Jornal da Band). E além de escrever bem, era ético, bem informado e muito corajoso.

A transferência – Já que o ex-presidente Lula faz parte do “passado” de Sérgio Moro, conforme declarações do próprio juiz, bem que a juíza das execuções penais da Justiça Federal de Curitiba poderia transferir o ex-presidente para outro lugar. A sede da PF, em Curitiba, tem se revelado um local impróprio para o líder petista cumprir sua pena.

Duas visões – A deputada Gleisi Hoffmann (PR) ganhou apoio dos “xiitas” do PT por ter ido a Caracas, sem consultar ninguém, representar o partido na posse de Nicolas Maduro, mas passou também a ser alvo de antipatia das alas moderadas da legenda. A pergunta que se faz internamente é a seguinte: “Como combater Bolsonaro, no Brasil, chamando-o de ditador, a apoiar a ditadura venezuelana”?

Boa surpresa – Uma das grandes surpresas do governo Bolsonaro é o vice-presidente, general Hamilton Mourão. Só agora, depois que foi para a reserva e sentou na cadeira de presidente, é que os brasileiros descobriram que o vice é um sujeito aberto ao diálogo, brincalhão e comprometido com a democracia. Talvez por isso Bolsonaro esteja com raiva dele.