“Fuga” dos vereadores foi episódio deplorável

Coluna Fogo Cruzado – 12 de maio de 2019

A Câmara Municipal do Recife protagonizou na última quarta-feira uma das cenas mais deploráveis de sua história. Aprovou na véspera um projeto de autoria do vereador Alcides Teixeira Neto, obrigando as empresas de ônibus da capital a colocarem ar condicionado em seus veículos, mas no dia seguinte, quando se daria a segunda votação, a maioria que votara a favor ausentou-se do plenário. Cedeu à pressão do Governo do Estado, que banca sozinho o subsídio do transporte de ônibus, embora o sistema seja metropolitano. Significa que se o projeto fosse aprovado a conta sobraria para os empresários, que por sua vez iriam repassar os custos para o bolso dos usuários, elevando o preço das passagens. Como Pernambuco tem a quarta maior taxa de desemprego do país, protestos inevitavelmente seriam feitos, mas não contra as prefeituras do Recife, Olinda e Jaboatão, que não contribuem para este subsídio, e sim contra o Governo do Estado. É por isso que se diz com propriedade que Pernambuco é o único Estado do Brasil onde se faz protesto contra o governador quando as passagens de ônibus são reajustadas, e não contra prefeitos. Isso, no entanto, não exime os vereadores da obrigação de aprovar ou rejeitar o projeto, pois a forma como procederam virou motivo de piada na própria Câmara Municipal.

De ladeira abaixo

Foi só Eduardo Campos morrer em 2014 para Pernambuco pegar o caminho de ladeira abaixo. Já são mais de 70 mil demissões nas indústrias localizadas no entorno de Suape. Os estaleiros, que chegaram a empregar 15 mil pessoas, hoje têm menos de duas mil. O FEM acabou por falta de recursos e o déficit da previdência estadual chegou a R$ 2,7 bilhões.

O protesto do pastor

O deputado Pastor Eurico (Patriota) rompeu sua admiração por Olavo de Carvalho depois que o “filósofo” atacou o general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército. “A partir do momento em que ele (Olavo) partiu para a baixaria contra os militares, principalmente contra o general Villas Bôas, me decepcionei e deixei de ser seu admirador”.

Ofensa pessoal

Em sua troca de tiros com o general Carlos Alberto Santos Cruz, ministro da Secretaria de Governo, Olavo referiu-se ao ex-comandante do Exército como “doente preso a uma cadeira de rodas”. Villas Bôas, de largo prestígio moral nas Forças Armadas, recebeu a solidariedade até de políticos da Oposição como o senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP).

Silêncio como resposta

Governadores do Nordeste agiram certo quando entregaram ao presidente Bolsonaro, na última quinta-feira, uma carta com apenas três pedidos: prorrogação do Fundeb (que vence em 2020), manutenção do orçamento das universidades federais e conclusão de obras inacabadas na região. O que os deixou preocupados foi o silêncio do presidente.

A volta por cima

Fernando Bezerra Coelho (MDB) não se abateu com a 1ª derrota sofrida no Senado desde que assumiu a liderança do governo naquela Casa. Não conseguiu os votos necessários para levar o Coaf para o Ministério da Justiça, como queria o governo, mas já caiu em campo para tentar reverter a votação nos plenários da Câmara e do Senado.

Escolha técnica

O ex-deputado federal e ex-presidente da Chesf, José Carlos Aleluia (DEM-BA), que não conseguiu renovar o mandato nas últimas eleições, foi nomeado ontem pelo presidente Bolsonaro para o cargo de conselheiro de Itaipu. Nomeação absolutamente elogiável, Aleluia é engenheiro elétrico e professor, e entende tudo de energia.

A grita é generalizada

A grita dos deputados estaduais não se volta apenas contra a Secretaria de Infraestutura, que não tem dinheiro, sequer, para atender 1% de suas demandas. Grita-se também contra a Secretaria de Saúde, onde o secretário André Longo se esforça como pode para suprir a carência de remédios e melhorar a situação dos hospitais, mas, sem recursos, não pode fazer milagre.

Custo da Bolsa

O orçamento que Paulo Câmara reservou para o pagamento do 13º aos beneficiários do Bolsa Família equivale a 1 ano de FEM. Só que o FEM morreu sem deixar saudades, embora o “enterro” ainda não tenha sido anunciado pelo governo estadual.