Falta o governo dizer de onde virá o dinheiro

Coluna Fogo Cruzado – 21 de maio de 2019

Com o Brasil à beira de uma nova recessão, o governador Paulo Câmara lançou ontem no Palácio do Campo das Princesas um programa de recuperação de estradas chamado “Caminhos de Pernambuco”. O programa, diz a secretária de Infraestrutura, Fernandha Batista (pra que esse “H”?), prevê investimento de R$ 505 milhões até 2022 e 2 mil km de rodovias recuperadas, totalizando 40% da malha estadual. O programa vem em muito boa hora, sabendo-se que a grande maioria das estradas estaduais está em frangalhos. No entanto, falta o Governo do Estado explicar aos pernambucanos de onde virá esse dinheiro. Do governo federal? Impossível, sabendo-se que o ministro Paulo Guedes cortou 100% de verbas orçamentárias de 140 projetos de 11 ministérios, entre eles o de revitalização das margens do rio São Francisco. De financiamento internacional? Igualmente improvável, mesmo porque empréstimo externo, quando autorizado pela União, não leva menos de dois anos para o início do desembolso. De dinheiro azul e branco? É menos provável ainda, sabendo-se que o orçamento do Governo do Estado para investimentos ao longo deste ano é inferior a R$ 400 milhões. Restaria a Cide como alternativa. Mas será que essa contribuição seria suficiente para legar ao Estado meio bilhão de reais até 2022? O projeto é bom, mas falta dizer de onde virar o dinheiro.

Por onde deveria começar

O programa estadual de revitalização de rodovias começou por onde deveria ter começado: a BR-232 no trecho Recife-Caruaru. A rodovia é do governo federal mas encontra-se sob cuidados do governo estadual. Embora o trabalho de capinação seja importante, o que ela está a reclamar é um novo recapeamento. Meia sola não resolve.     

Efeito eleitoral zero

Anuncia-se para a próxima sexta-feira (24) a primeira visita oficial do presidente Jair Bolsonaro ao Nordeste supostamente com o propósito de melhorar sua popularidade na região. Perda de tempo. O presidente vai inaugurar em Petrolina um conjunto habitacional que não foi feito por ele e anunciar um incremento de R$ 2 bilhões ao Fundo Constitucional do Nordeste, algo que está muito longe da população.

O problema é dinheiro

Também não terá efeito eleitoral a reunião que Bolsonaro pretende ter com todos os  governadores do Nordeste no Instituto Ricardo Brennand. O presidente já sabe o que os governadores querem: a conclusão das obras federais em seus estados, a prorrogação do Fundef e a suspensão do corte dos orçamentos das universidades federais. O resto é perfumaria.

É de Pernambuco

O empresário do setor hoteleiro Gilson Machado Neto é o primeiro pernambucano confirmado no terceiro escalão do governo Bolsonaro. Foi nomeado para presidir a Embratur graças às ligações pessoais que tem com o presidente há muitos anos. Infelizmente pouco poderá fazer para ajudar o Estado porque o Ministério do Turismo não tem dinheiro.

Vá para as ruas

Paulo Câmara está seguindo direitinho uma das recomendações de Miguel Arraes. Quando o governante não dispuser de dinheiro para construir grandes obras, vá às ruas conversar com o povo para legitimar o seu mandato. Foi o que o governador fez sexta passada em Belo Jardim, e no sábado em Olinda e Paulista. Conversar com a população.

Cérebro de jerico

Custa crer que alguns aliados de Bolsonaro com o senador Major Olímpio (PSL-SP), por exemplo, estejam conclamando os brasileiros a saírem às ruas no próximo dia 26 para externar o seu apoio ao presidente da República. Esse pessoal esquece que a lua de mel do candidato com os eleitores encerrou-se em 1º de janeiro. O que o Brasil deseja é que o presidente governe e isto ele ainda não começou a fazer.

Fora da sociedade

Esclarece o ex-deputado Ricardo Costa, superintendente de Comunicação da Assembleia Legislativa, que não faz mais parte da diretoria da divulgadora Stampa na cidade. Saiu da sociedade com o irmão Durval desde que entrou na vida pública.