Escritor lança livro sobre corrupção nas democracias

Corrupção é um problema generalizado e não uma praga exclusiva de nosso país, afirma o escritor Paulo Roberto Cannizzaro que na próxima terça-feira (11) estará lançando, no Recife, o livro “O poder da corrupção nas democracias contemporâneas”.

Trata-se do segundo volume de uma trilogia iniciada no ano passado com a obra “Uma república adiada”.

Editado pela Editora portuguesa Chiado, o livro mostra a grave crise democrática que se estende por diversas nações, mesmo as de democracia mais consolidadas, e apresenta a corrupção como uma espécie de “quarto poder”, constituído de forma paralela às instituições legais.

Em 2019, ele lançará o terceiro volume da trilogia tratando de forma específica sobre dívida pública com o olhar especializado de alguém que tem larga experiência na área tributária.

“Neste livro ‘O poder da corrupção nas democracias contemporâneas’ eu apresento a corrupção como um marco civilizatório, já que nenhuma sociedade está imune ao problema. Mas as que apresentam mais degradação são justamente aquelas onde a inapetência política é maior. É um paradoxo. A minha teoria é a de que as pessoas estão desenvolvendo aversão aos políticos e ao mundo da política, tornando o ambiente mais propício para a corrupção, num verdadeiro círculo vicioso. Já nas sociedades onde a soberania popular é mais viva, é mais difícil haver este processo”, diz o escritor.

O autor ressalta que todos os países são afetados pela corrupção. “A diferença é que nas sociedades mais desenvolvidas existe um cuidado em se aperfeiçoar os mecanismos de proteção, controle e combate”, destaca Cannizzaro, ao mesmo tempo em que lamenta o fato de que também vem se generalizando a falência das instituições.

Segundo ele, até nos Estados Unidos a democracia representativa está em crise. “Despolitizou-se a sociedade civil, ninguém confia mais nestes personagens políticos, além de ter havido uma expansão de comportamentos desviados de corrupção em todas as dimensões. É o resultado de um Estado deformado que já não consegue atender as necessidades sociais. Uma democracia liberal profundamente adoentada, que foi definida antes como um regime de ‘democracia ideal’, mas que entrou em crise, sob o impacto da perda de legitimidade dos governos”, declarou.

Além de fornecer uma visão mais ampla do problema, Paulo Roberto Cannizzaro aprofunda sua análise acerca do Brasil (que já havia sido iniciada no volume anterior da trilogia, em que destacou as raízes do processo, antes mesmo de nos tornarmos uma república).

O livro está atualizado até o último julgamento do presidente Lula. “Tentei mostrar todos os lados da questão, trazendo uma visão analítica e imparcial sobre a corrupção, que não é exclusiva de um partido político ou de um momento histórico”, afirma o autor, que finaliza conclamando os leitores a se envolverem com as questões políticas.

“É fato que este modelo de gestão do Estado e da política nacional fragmentou-se. Mas é tempo de refundar a República e o Estado brasileiro”, concluiu.