De música, livros, fidalguia e dialética

Coluna Fogo Cruzado – 4 de julho de 2019

O TCE prestou ontem uma homenagem ao conselheiro João Campos, que faleceu em Gravatá, vítima de infarto, na véspera de completar 50 anos. Cada um dos seis conselheiros, a começar pelo presidente, Marco Loreto, destacou um traço da personalidade dele, sendo que todos foram unânimes numa coisa: tratava-se de um fidalgo, estudioso e culto, com uma legião de amigos e admiradores em todas as áreas por onde transitou. Loreto frisou ter perdido um irmão, tamanha era a amizade que os unia desde os tempos de adolescente. Já Dirceu Rodolfo o definiu como um “abnegado resolvedor de conflitos” e Ranilson Ramos como um “professor”, que o ensinou a não ter medo de debates, mesmo em posição minoritária. Teresa Duere destacou o profundo respeito que ele tinha pela divergência e Luiz Arcoverde Filho o fato de Campos ter contribuído para o “bom debate”. Valdecir Pascoal fez referência a dois livros escritos por Renato Carneiro Campos, pai do falecido, “Sempre aos domingos” e “Tempo amarelo”, bem como à veneração que o filho tinha pela figura paterna. E já que se tratava de um amante das artes, inseriu-se também a música no contexto. Dirceu evocou “Unforgettable”, dueto de Kat King Cole e a filha, Natalie, como sendo uma das preferidas de João Campos, Carlos Porto parafraseou Cazuza para dizer que a morte do colega adveio “sem explicação” e Pascoal citou Gonzaguinha (“Caminhos do coração”), para quem “toda pessoa sempre é as marcas das lições diárias de outras tantas pessoas”. O encerramento ficou por conta de Duere, que recorreu a Sérgio Bittencourt na homenagem que prestou ao pai, Jacob do Bandolim: “Naquela mesa tá faltando ele/ e a saudade dele/ Tá doendo em mim”. João Campos sentava-se ao lado dela, à esquerda do presidente, e ambos travaram bons e inesquecíveis debates na Primeira Câmara.

Colegas de faculdade

Germana Laureano, procuradora-geral do Ministério Público de Contas, lembrou ontem no TCE que conheceu o conselheiro João Campos na Faculdade de Direito do Recife. Os colegas o chamavam de “Joãozinho”. Os dois voltaram a se encontrar no TCE, ela como procuradora de contas e ele como conselheiro. Mas ambos nem sempre estavam do mesmo lado.

Era do bem

Em nome dos advogados que atuam no TCE, Márcio Alves reverenciou ontem no plenário a memória de João Campos. “Suas virtudes eram muitas: simplicidade, discrição, lealdade, cordialidade, lucidez, atencioso com as pessoas que o procuravam, inteligente, firme em suas posições. Era todo bondade, repudiava o mal e a prepotência e sempre buscou fazer o bem”.

Mínimo do mínimo   

Dados divulgados ontem pelo Anuário Brasileiro de Educação Básica revelam que 45% dos 5.565 municípios brasileiros investem menos na manutenção e desenvolvimento do ensino do que o mínimo constitucional, que é 25% da receita corrente líquida. O descumprimento dessa regra enseja rejeição de contas, o que pode deixar o gestor inelegível por 8 anos.

Dinheiro verde-amarelo

Enquanto a prefeitura do Recife pena há anos para contrair um empréstimo externo a fim de investir em obras de infraestrutura, o BNDES aprovou ontem um financiamento de R$ 145 milhões para a Prefeitura de Fortaleza investir em saneamento. Lembre-se que o prefeito Roberto Cláudio é do PDT de Ciro Gomes e o governador Camilo Santana é do PT de Lula.

Obras inacabadas

Ficou pronto o relatório sobre obras federais inacabadas, nos estados, solicitado aos Tribunais de Contas pelo ministro Dias Toffoli (STF). Bahia, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo concentram o maior número de obras inconclusas. Pernambuco tinha até dezembro 1.548 obras inacabadas dos três níveis de governo.

Data auspiciosa

O ex-ministro Gustavo Krause acha que os jovens de hoje talvez não valorizem tanto a estabilidade monetária do país porque só conhecem o Brasil do “pós” Real. Antes, lembra, o país teve 7 planos econômicos fracassados e a 15 ministros da Fazenda na condução dessa política, que só veio a dar certo quando o então ministro FHC bancou a implantação do Real.    

Governo itinerante

O prefeito de Iguaracy, José Torres Filho (PSB), o “Zeinha”, veio ontem ao Recife atrás de apoio para substituir 200 casas de taipa que existem em seu município. “Tuparetama, que é um município vizinho ao nosso, não tem nenhuma”, disse ele. O prefeito afirma também que o programa “Governo Itinerante”, que leva serviços à zona rural a cada 30 dias, tem 90% de aprovação.