De 89 pra cá, Bolsonaro tem pior avaliação em 100 dias de governo

Coluna Fogo Cruzado – 8 de abril de 2019

  1. De 1989 pra cá, ano em que foram restabelecidas as eleições diretas para presidente da República, Jair Bolsonaro tem a pior avaliação nos 100 primeiros dias de governo.
  2. De acordo com pesquisa do Datafolha divulgada pela “Folha de São Paulo” neste domingo, o governo do presidente Bolsonaro é considerado ruim/péssimo por 30% dos brasileiros, ante 32% que o consideram bom/ótimo e 33% que o consideram regular.
  3. No mesmo período, Collor tinha 36% de aprovação, FHC 39%, Lula 43% e Dilma 47%.
  4. Com relação ao índice de reprovação, Collor (PRN) tinha 19%, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) 16%, Lula (PT) 10% e Dilma Rousseff (PT) 7%.
  5. No quesito regular, Collor tinha nos seus 100 primeiros dias de governo 43%, FHC e Lula 40%, Dilma 34% e Bolsonaro 33%.
  6. Os eleitores de maior renda são os que mais aprovam o atual governo, chegando a 43% os que o consideram ótimo/bom.
  7. Já dos eleitores que recebem até dois salários mínimos, apenas 26% aprovam o governo.
  8. A região Nordeste, única em que Bolsonaro foi derrotado por Fernando Haddad (PT), foi a que registrou maior índice de desaprovação ao atual presidente, com 39% de ruim/péssimo. No Sul, 39% dos eleitores consideram o governo ótimo/bom.
  9. Já o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB), que é muito mais maleável do que o presidente em termos políticos, é considerado ótimo/bom por 32% dos entrevistados.
  10. Por outro lado, 59% dos eleitores acreditam que o desempenho do governo irá melhorar de agora em diante. O Datafolha ouviu 2.086 eleitores entre os dias 2 e 3 de abril em 24 das 27 unidades da Federação.

É isso aí,

GIRO NORDESTINO

Assessores de Bolsonaro estão tentando convencê-lo a visitar o Nordeste ainda este mês para anunciar o pagamento da 13ª parcela do Bolsa Família. O Nordeste é a única das cinco regiões do país em que Bolsonaro não foi vitorioso nas últimas eleições. Todos os 9 governadores apoiaram o candidato do PT, Fernando Haddad, que obteve cerca de 70% dos votos em todos eles. O 13º do Bolsa Família foi uma das promessas de campanha de Bolsonaro, apesar de ter sido criado no governo de Lula.

ALÉM DA PREVIDÊNCIA

Deputados da bancada nordestina, entre eles André de Paula (PSD), embora favoráveis à reforma previdenciária, acham que o presidente da República precisa explicar melhor o seu projeto, contratando, se for o caso, uma agência de publicidade. André entende que Bolsonaro “tem pouco apreço” pelo Congresso e que não deveria ter dito, nunca, que já fez a sua parte só porque enviou a PEC para apreciação dos congressistas. Precisa mais é “cair em campo” para cabalar os votos de que precisa, 308 na Câmara e 49 no Senado. 

FORA DA REFORMA

André de Paula (PSD) entende também que a essa altura do campeonato, pelo menos dois dos muitos itens da reforma da previdência já são cartas fora do baralho: a mudanças nas regras da aposentadoria rural e no Beneficio de Prestação Continuada. “Esses itens estão fora, graças à articulação do Congresso Nacional”, disse o deputado. Aliás, durante palestra para empresários em Campos do Jordão (SP), na última sexta-feira (5), o ministro da Economia, Paulo Guedes, reconheceu que as mudanças sugeridas tas pelo governo no BPC têm “enorme chance de cair”. Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a retirada do BPC e da aposentadoria rural da PEC da Previdência teria um “impacto fiscal” pequeno e, portanto, não irá desidratar o projeto.


AGRESSÃO DO PORTUGUÊS

Na sessão da CCJ da Câmara Federal em que chamou Paulo Guedes (Economia) de “tchutchuca”, o deputado Zeca Dirceu (PT-PR), filho do ex-ministro José Dirceu, agrediu descaradamente a língua pátria ao dizer que o ministro defende os “prevelegiados”. O ministro mandou-o para as cucuias (“tchutchuca é sua mãe, sua avó), mas o perdoou para agressão ao português.

VAI PRA CASA, BOBÃO!

Está marcada para esta segunda-feira (8) o destino do colombiano Ricardo Vélez Rodriguez no Ministério da Educação. Ele foi escolhido por unanimidade por todos os órgãos de imprensa do país como o “pior ministro” do atual governo. Mas, segundo Bolsonaro, o ministro não tem gerado “tanta notícia ruim como a imprensa vem publicando”. O presidente participou de um churrasco na casa de um amigo, em Brasília, neste domingo, compromisso que não constou da agenda oficial.

LULA LIVRE

Completou-se 1 ano neste domingo (7) que o ex-presidente Lula está na prisão. Houve manifestações pelo “Lula livre” em algumas capitais no país, mas a maioria delas com público diminuto. Em Belo Horizonte, militantes do PT cantaram trechos da música “Anunciação”, do pernambucano Alceu Valença, que diz “tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais”. Lula foi preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do tríplex do Guarujá, embora o apartamento não seja dele.

OPÇÃO POR UM IDIOTA

Os 100 primeiros dias do governo Bolsonaro, a serem completados na próxima quarta-feira (10), foram alvo de críticas do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) num debate promovido por estudantes brasileiros na Universidade de Harvard (EUA). Ciro disse que nas últimas eleições o Brasil fez opção “por um idiota”, enumerando o grande número de trapalhadas em que o presidente se meteu nesse período. Ciro foi aplaudido quando fez esta afirmação. “Não é idiota como palavrão, é como está nos dicionários, ou seja, uma pessoa com incapacidade de raciocinar”.

AGENDA DO PASSADO

O ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) também palestrou para estudantes brasileiros na Universidade de Harvard. Ele disse que Bolsonaro está preso a uma “agenda antiqüíssima” que nada tem a ver com os interesses do Brasil. “Nós estamos discutindo se o nazismo é de esquerda ou de direita, se o golpe (de 64) foi golpe ou não foi golpe. Uma agenda velhíssima. Não temos nova e velha política, temos boa e má política. E a boa política não envelhece”, disse o ex-presidenciável do PSDB.

ABUSO DE AUTORIDADE

O Congresso está mais inclinado a aprovar uma “Lei de abuso de autoridade” depois que um fiscal da Receita de Cachoeiro de Itapemirim (ES) violou os dados fiscais do presidente Jair Bolsonaro e de seus familiares. Em nota divulgada na última sexta-feira (5), a Receita identificou que dois dos seus servidores acessaram de maneira irregular dados fiscais do presidente e já abriu sindicância para apurar o caso. Aliás, há muito tempo o ministro Gilmar Mendes (STF) vem dizendo que o Brasil precisa urgentemente de uma “Lei de abuso de autoridade” para colocar um freio nos procuradores de Curitiba, que se acham acima do bem e do mal e querem ditar um “código de conduta” para o país.