Cuidado com a família, os falsos e leais amigos, e os bajuladores

Coluna Fogo Cruzado – 7 de março de 2019

Sem a pretensão de querer dar “conselho” ao presidente da República, mas também com a autoridade de quem já teve nacos de poder nas mãos como a Secretaria da Fazenda, a prefeitura do Recife, o Governo do Estado e o Ministério do Meio Ambiente, o pernambucano Gustavo Krause enumerou recentemente na Rádio CBN do Recife quatro fatores em relação aos quais os governantes devem ter cuidado: a família, os falsos e os verdadeiros amigos e, finalmente, os bajuladores. Bolsonaro não tem tido problema com os três últimos porque não tem falsos nem leais amigos, e nem tampouco bajuladores. Passou 28 anos na Câmara Federal e durante esse período não conseguiu fazer um único amigo. Não se aproximava dos colegas, nem os colegas se aproximavam dele. Há centenas de deputados com quem ele nunca trocou uma palavra porque não tinha interesse em aproximação. Ocupava seu tempo fazendo discursos contra o PT, Lula e as esquerdas e elogiando personalidades que se destacaram na ditadura militar como o coronel torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra. Esse era o Bolsonaro conhecido no Congresso. No entanto, convém destacar o grau de influência exercido pelos filhos do presidente no governo do pai, por mais que ele negue esta evidência. O filho mais velho, o “zero um”, deputado reeleito por São Paulo, andou pelos EUA cumprindo agenda típica de chanceler e ficou tudo por isso mesmo. O do meio, o “zero dois”, está enrolado até o gogó com milicianos do Rio de Janeiro e o Conselho de Atividades Financeiras (COAF) e o terceiro, o “zero três”, demitiu recentemente o ministro Gustavo Bebbiano da Secretaria de Governo da Presidência da República após chamá-lo de mentiroso. Áudios divulgados posteriormente pela revista “Veja” mostram que o ministro falou a verdade quando disse que em determinado dia de fevereiro falara três vezes com o presidente da República. Carlos Bolsonaro negou, teve o endosso do pai, mas soube-se depois que foi tudo verdade. Fica portanto o alerta de Krause para quem é neófito no poder: “Cuidado com familiares intrusos porque eles têm capacidade de levar o governante ao suicídio, como fizeram com Getúlio Vargas”.

Avanço feminino

Graças às cotas partidárias e aos 30% dos recursos do fundo eleitoral, as mulheres ampliaram sua representação no Congresso Nacional nas eleições do ano passado. Elas saltaram de 51 para 77 cadeiras na Câmara Federal, uma das quais em Pernambuco: Marília Arraes (PT). Na Alepe, a bancada feminina também foi ampliada.

Pelo fim do fundo

É de autoria do senador Ângelo Coronel (PSD-BA) o Projeto de Lei 1.256/2019, lido em plenário na semana passada, que propõe revogar o inciso 3º do artigo 10 da Lei das Eleições (9.504/97). O inciso estabelece que cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% e o máximo de 70% com candidatos de cada sexo em eleições proporcionais.

Fim da imposição

O Conselho Federal da OAB e o Instituto dos Advogados do Brasil (IAB) condenam o Projeto de Lei do Senador Ângelo Coronel (PSD-BA) que acaba com cota para mulheres nas eleições de 2020. Embora implantada pela primeira vez em 1998, a política de cotas de gênero prevista pela Lei das Eleições sempre foi ignorada pelos partidos. A redação, antes escrita no condicional (“deveria”), passou a ser impositiva (“preencherá”).

Chuva de candidatas

Em 2006, em todo o país, 628 mulheres se candidataram a uma vaga na Câmara Federal. Em 2010 esse número subiu para 933. Já em 2018 foram 2.690 candidatas, ante 5.821 candidatos homens. O gosto das mulheres pela política está aumentando, mas em velocidade ainda baixa, pelo menos em Pernambuco.

Dinheiro fácil

Em resposta a uma consulta formulada em 2018 por 14 parlamentares da bancada feminina no Congresso Nacional, o TSE determinou que os partidos políticos deverão reservar pelo menos 30% dos recursos do Fundo Eleitoral (R$ 1,7 bi nas últimas eleições) para bancar as campanhas das candidatas mulheres.

Congresso extraordinário

O advogado e ex-prefeito de Olinda, José Arnaldo, que é bolsonarista de primeira hora, enviou a seguinte sugestão ao presidente da República: convocar um congresso extraordinário do PSL para aprovar as teses do partido, que continua resumido a três letras. Sem ter por trás de si um partido popular e “radicalmente democrático”, diz ele, Bolsonaro ficará refém da velha política.

Apelo inútil

Bolsonaro já teria feito um apelo a Luciano Bivar (PE), presidente nacional do PSL, para se afastar da direção do partido desde que veio à tona o episódio das “candidatas-laranja” em Pernambuco e em Minas Gerais. Mas não parece nem um pouco interessado em satisfazer a vontade do presidente.

Aviso aos navegantes

Ardoroso defensor da reforma previdenciária, o ex-ministro Gustavo Krause (DEM) afirma que ela é absolutamente inadiável porque nos últimos 30 anos o Congresso fez três reformas previdenciárias incompletas. Caso o Congresso não a faça, diz, o futuro sombrio chegará. Como chegou para o RJ, MG, RS e RN, que não conseguem pagar sequer a folha do seu pessoal.

Fraude rural

Desde a época do Funrural no governo dos militares, obter aposentadoria rural tornou-se algo muito fácil em nosso país. Mas, em compensação, a fraude campeou. Se mais de 83% dos brasileiros moram nas cidades, como explicar que em 2017 o “rompo” nas aposentadorias rurais tenha sido de R$ 114 bilhões, ante R$ 82 bi nas aposentadorias urbanas?

Tudo, menos carnaval

Informa a Prefeitura de Petrolina que o carnaval de lá foi igual ao do Recife, ou seja, com axé, frevo, pagode, rock, funk, sertanejo e forró. Para ser mais precisa, poderia ter dito houve a apresentação de diversos gêneros de música nos quatro dias de Momo, mas “carnaval”, nunca. Carnaval é coisa cara a Pernambuco, que só se faz com frevo, maracatu, frevo-canção, frevo de bloco e marcha-rancho. Fora desse “script” pode ser tudo, menos carnaval, na terra de Capiba, Nélson Ferreira e Getúlio Cavalcanti.

A Bahia com a Bahia

A Band transmitiu ao vivo os seis dias de festa do carnaval de Salvador. Apresentaram-se todos os dias as principais estrelas de lá: Ivete Sangalo, Cláudia Leitte, Daniela Mercury, Luiz Caldas, Bell Marques, Chiclete com Banana, Léo Santana, Margarette Menezes, Armandinho (do Trio Dodô e Osmar) e outras de menor expressão. Não entra pernambucano na programação porque eles não deixam. Já no Recife… deixa pra lá!