Contra o novo redesenho da Ferrovia Transnordestina

Coluna Fogo Cruzado – 27 de novembro de 2018

O governador Paulo Câmara escreveu bom artigo ontem nesta Folha sobre o novo cronograma da Transnordestina apresentado pelo concessionário que tem a responsabilidade de concluir as obras, que se arrastam vagarosamente. Todo tipo de apoio já foi oferecido pelo governo federal a este concessionário (Transnordestina Logística S/A) e a obra não termina nunca, apesar de sua importância estratégica para a nossa região, que ficaria totalmente interligada por ferrovias, barateando o custo da produção e do seu escoamento. O governador foi direto ao assunto, sem, naturalmente, querer nenhum tipo de briga com seu colega cearense Camilo Santana, que vem de uma reeleição consagradora: 80% dos votos válidos. Câmara não acha lógico, nem justo nem racional que a ferrovia chegue primeiro ao Porto de Pecém, no Ceará, que ao Porto de Suape, em Pernambuco, apesar de o nosso estar mais perto 80 km da jazida de ferro do Piauí, de onde partirá, e com 41% de suas obras prontas em território pernambucano. Além disso, diz ele, tendo em vista o retorno de Suape ao rol dos portos sob controle estatal, não justifica que fique em plano inferior em relação a Pecém, que é um porto privado. Todos os argumentos são robustos, no entanto não se pode deixar também de considerar que falta força política a Pernambuco para resolver uma parada desse porte. E não vale alegar “discriminação política” porque o governador do Ceará é do PT e, igualmente ao nosso, votou em Haddad para presidente da República.

O paraíso das férias

Mesmo com o dólar a quase R$ 4,00, milhares de brasileiros continuam viajando aos EUA para passar férias. O ex-vereador Sérgio Magalhães, que chegou de lá no domingo, encontrou tantos patrícios, num show, em Miami, que a apresentação era feita em inglês, espanhol e português.

Na transição – Tucano de bico grosso, pertencente ao PSDB de Pernambuco, está na comissão de transição do presidente eleito Jair Bolsonaro. Se vai para algum cargo técnico ainda não se sabe. O convite não partiu diretamente do presidente eleito, mas teve o aval de Paulo Guedes.

A troca – Com Priscila Krause (DEM) na liderança da oposição na Assembleia Legislativa, a bancada, mesmo menor, tende a ser mais efetiva politicamente falando. A deputada fiscaliza o governo, globalmente, a partir de dados simples: o Orçamento e o Portal da Transparência.

Tá errado – Em tempos em que volta à tona o debate sobre a independência do Banco Central para gerir a política monetária e cambial do país, vale recordar Miguel Arraes: “O presidente da República presta contas ao povo e os dirigentes do BC não prestam contas a ninguém? Tá errado!”.

Bom time – Estudioso do liberalismo, o professor da Faculdade de Direito da UFPE, Marcos Nóbrega, gostou da equipe econômica de Bolsonaro. Diz que ela tem “coerência ideológica” e craques como Mansueto Almeida e Joaquim Levy. Não conhece Roberto Campos Neto (BC), mas já leu as memórias do avô: “Lanterna na popa”.

À reeleição – Tudo está caminhando até agora para que Eriberto Medeiros (PP) seja reconduzido à presidência da Assembleia. Além de contar com a simpatia da Frente Popular, ele tem uma qualidade que agrada muito ao governador: é calmo, sereno, e dá-se bem com todos.