Collor já teve a sua chance e jogou fora

Coluna Fogo Cruzado – 22 de janeiro de 201

Povo brasileiro não deu qualquer sinal até agora de que deseja a volta de Collor

O senador Fernando Collor anunciou em Arapiraca (AL) na última sexta-feira que será candidato a presidente da República pelo PTC. Ele foi o maior fenômeno eleitoral do Brasil desde a primeira eleição direta para presidente após o fim do ciclo militar. Era governador de Alagoas quando decidiu lançar-se como “outsider” à sucessão do então presidente José Sarney. Sua campanha chegou rapidamente aos brasileiros, sinalizando que algo novo estava para surgir no cenário político nacional. Esse “algo novo” foi justamente ele, o “caçador de marajás”, que chegou ao segundo turno com Lula, deixando para trás veteranos políticos com inegáveis serviços prestados à democracia como Ulysses Guimarães, Leonel Brizola e Mário Covas, para citar apenas esses três. No governo, iniciou o processo de abertura da economia e teve tudo para ser um grande presidente dada a sua juventude, preparo e garra. Mas cercou-se de ministros medíocres que não tinham noção da complexidade do país, subestimou o Congresso e o povo, deslumbrou-se com o poder quando fez da Casa da Dinda um “hotel seis estrelas” e misturou o público com o privado sem a menor necessidade de fazer aquilo. Pelo conjunto da obra foi o primeiro presidente de nossa história s sofrer um processo de impeachment, tendo cumprido a pena (suspensão dos direitos políticos por 8 anos) num exílio de luxo (Miami). Já teve portanto a sua chance e não há qualquer indício de que o povo o queira de volta. No entanto, é positivo que entre no jogo para ser uma opção a mais num cenário político marcado até agora pela mediocridade e a desilusão.

O início da campanha de 89

Arapiraca, maior produtor de fumo de Alagoas, foi palco em 1989 de um dos maiores comícios da campanha de Collor à Presidência da República. Lá ele reuniu milhares de pessoas do sertão alagoano para ouvi-lo dizer que se fosse eleito acabaria com a corrupção, não daria tréguas aos “marajás” e poria da cadeia os coruptos do governo Sarney, a começar pelo próprio presidente.

Novo rumo – O empresário Paulo Gontijo, fundador do movimento “Livres” que militou no PSL até o dia em que o presidente Luciano Bivar abriu suas portas para receber Jair Bolsonaro, deve anunciar hoje o seu novo rumo. Uma das hipóteses é o Podemos do senador Álvaro Dias (PR).

Majoritário – Mesmo tendo perdido o apoio do PSB de Bonito, o deputado Gonzaga Patriota (PSB) fez questão de acompanhar, sábado, a visita do governador Paulo Câmara ao município. Afinal, foi o majoritário lá em 2014 com apoio do então prefeito Rui Barbosa (PSB).

E o discurso? – Alckmin reuniu-se anteontem no RJ com o comando jovem do PSDB para uma troca de opiniões sobre sua candidatura presidencial. A própria juventude está percebendo que o governador de SP ainda não empolga os eleitores porque não consegue falar para o Brasil.

Pró Lula – O ministro José Múcio tem sido questionado no próprio TCU por ter dito que é a favor da candidatura de Lula a presidente. Ele entende que se o TRF da 4ª Região barrar a candidatura do líder petista ficará uma “coisa mal resolvida” que será pior para o país.

Intromissão – A Justiça reconheceu, embora com atraso, que a prerrogativa de nomear e demitir ministro é do presidente da República, Daí inexistir razão para um juiz de Niterói ter mandado suspender a posse da deputada Cristiane Brasil no Ministério do Trabalho, sem amparo em nenhuma lei.