Ciro não renuncia ao estilo “bateu, levou”

Coluna Fogo Cruzado – 11 de janeiro de 2019

Ciro não renuncia ao estilo “bateu, levou”

Esperava-se do ex-ministro Ciro Gomes, terceiro colocado na eleição presidencial, que desse uma trégua de pelo menos seis meses ao presidente Jair Bolsonaro antes de começar a fazer-lhe oposição. Mas fiel ao seu estilo “pavio curto, língua solta e bateu levou”, não esperou sequer o carnaval chegar a já começou a fazer-lhe críticas. Previu, inicialmente, que no prazo de seis meses o “capital político” do presidente se esvairá, dizendo que ele está “refém” do ministro da Economia, Paulo Guedes, que teria uma “visão equivocada” dos problemas do país. Depois, anteviu a queda ainda este ano do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, por suposto despreparo para o exercício do cargo. E por último reservou suas críticas mais pesadas para dois deputados recém eleitos pelo DEM de São Paulo, com apoio do Movimento Brasil Livre – Kim Kataguiri (federal) e Arthur do Val (estadual). Eles postaram um vídeo na internet dizendo que a onda de violência que ora penaliza o Ceará seria uma “manobra” do governador Camilo Santana (PT) para desgastar o governo Bolsonaro. Ciro ficou furioso com esta infeliz e idiota avaliação e partiu para cima de ambos feito uma fera. Chamou o MBL de “organização criminosa” e os dois parlamentares de “irresponsáveis”, “canalhas” e “politiqueiros imundos”, que estariam entrando na política “para fazer o mal, mesmo que a vítima seja toda a população cearense”.

Ex-ministro chama deputados eleitos por São Paulo de canalhas e politiqueiros imundos

Aí não me meto!

Não se sabe onde o ministro Marco Aurélio (STF) estava com a cabeça quando determinou por liminar que a eleição para a mesa do Senado fosse aberta e não secreta como prevê o regimento da Casa. Isso é “intromissão indevida” em assuntos internos de outro poder. Mas, em boa hora, o presidente Dias Toffoli cassou a liminar e estendeu sua decisão à eleição da mesa da Câmara.

O mérito – Afirma-se em Brasília que na eleição secreta Renan Calheiros (MDB-AL) é franco favorito para voltar à presidência do Senado. Isso mostra que o senador alagoano tem algum mérito, pois, do contrário, já teria surgido um candidato competitivo para enfrentá-lo.

Ele não – O MDB tem maioria no Senado e deverá votar fechado com Renan, à exceção de Jarbas Vasconcelos (PE) que não comunga com a prática política do senador alagoano. Renan está indiciado em vários inquéritos, mas, por falta de estrutura, o STF não consegue finalizá-los.

À força – Sendo um tema de interesse da nação, a reforma da previdência deve ser amplamente debatida pela sociedade. Mas o governo só conseguirá aprová-la no Congresso se fizer valer a força política de Jair Bolsonaro. Esperar consenso em torno de tema tão polêmico é ilusão.

A altivez – O apoio do PSL afastou o PSB da candidatura de Rodrigo Maia à presidência da Câmara Federal. Alega-se que, em sendo eleito, a Câmara seria um “apêndice” do Palácio do Planalto. Bobagem. Maia agiu com independência e altivez na relação com o governo Temer.

A posse – O novo secretário de Ciência e Tecnologia, Aluísio Lessa, é quem vai dar posse hoje ao reitor da UPE, Pedro Falcão, reconduzido ao cargo pelo governador Paulo Câmara após manifestação da maioria do corpo docente da instituição. A solenidade será às 9h30.