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Las Vegas e Janaúba

Por: * José Paulo Cavalcanti Filho

Segundo Eça de Queiroz (Últimas Páginas), “Portugal é um país traduzido do francês”. Adaptando a frase, para os dias de hoje, se poderia dizer que o Brasil é traduzido do inglês. Mais propriamente, daquele falado nos Estados Unidos. Como agora se vê nessas duas tragédias. A tentação é dizer serem diferentes. Nas aparências. A começar por onde tudo se deu. A grande Las Vegas, pujante centro de turismo e jogatina, tem 1,9 milhões de habitantes. Enquanto a pequena Janaúba, sobrevivendo basicamente do Bolsa Família, somente 67 mil.
 
Nos Estados Unidos, foram 59 mortos. Por enquanto. Honrando a tradição de chacinas grandiosas, bem comuns por lá. E o atirador não conhecia ninguém. Enquanto, em Minas Gerais, foram 8 crianças com só 4 anos. Mais outra, com 5. Além de uma professora, 43. Gente amiga, com quem o vigia conversava todos os dias. Difícil entender. Lá, os tiros vieram do luxuoso Resort Mandalay Bay. Já por aqui, tudo se deu no Centro Municipal de Educação Infantil Gente Inocente. Como se esse nome definisse as vítimas no próprio local de suas mortes, Gente Inocente.
 
O americano usou 19 espingardas adaptadas para funcionar como metralhadoras. Enquanto o mineiro, pobre de doer, escolheu álcool. Barato. Comprado num posto de gasolina. Mais conhecido por “Dão do Picolé”, gêmeo que como tantos outros tem um irmão chamado Cosme, Damião Soares dos Santos marca, na própria carteira de identidade, o destino de suas vítimas. Que hoje são dos Santos, como ele, vagando por céus imprecisos e distantes. Semelhantes, os dois algozes, só em serem enterrados sem amigos ou familiares que os velassem. Ou chorassem por eles. Na tristeza da solidão derradeira que os espera.
 
Ocorre que, no fundo, são duas tragédias iguais. A tragédia da natureza humana. Cabendo só especular sobre as razões que levam pessoas comuns a praticar gestos extremos. Em tentativa de explicação, imagino que, vivendo vidas comuns, em algum momento, já próximo do fim, os autores não vissem mais sentido nas suas trajetórias. Como se quisessem marcar, com um ato definitivo, suas vidas. Como se quisessem dizer  ao mundo, utilizando título da autobiografia de Paulo Neruda, “Confesso que vivi”. Mesmo sabendo que não receberão homenagens, pelo que fizeram. Importa pouco. Vale é que serão lembrados. Bem diferentes de tantos, à sua volta, com vidas parecidas. Quase vegetais. Sem que fique marcado um traço, sequer, de suas passagens terrenas. Sem que ninguém se lembre, depois, das suas existências.
 
O Esteves, da Tabacaria, era um vizinho de Fernando Pessoa. Joaquim Esteves. Mais um, como tantos, que vivem à nossa volta e depois desaparecem. Pessoa até diz isso. Para ele, era só o “Esteves sem metafísica”. A ironia é que esse Esteves foi o declarante no atestado de óbito do poeta. Seja como for, Esteves será lembrado, até a eternidade, por aqueles versos. E tantos outros, não. É como se, em casos assim, o homem se rebelasse. Guerra Junqueiro, em A Velhice do Padre Eterno, põe Judas enfrentando Jesus na cruz: “E vou provar-te agora,/ Oh pobre Cristo nu,/ Que sou maior do que Deus/ Mais justo do que tu/ Pois um justo que é justo não perdoa”. Judas, fazendo o que fez, entrou para a história. Da pior maneira. Traindo um amigo. Mas entrou.
 
Os dois assassinos de agora, em síntese, talvez tenham querido apenas marcar suas existências com um ato extremo. Não há como ter certeza. Fora disso, sobra só o imponderável. Que se revela na falta de explicação de por que homens se realizam, numa espécie de catarse, ao matar inocentes. Na razão de gestos assim, desprovidos de qualquer sentido. No suicídio que praticaram, depois do êxtase de tirar a vida de tantas pessoas. Tudo confirmando velha sentença do Corão, “Ninguém pode saber o que nos reserva o destino”.

*José Paulo Cavalcanti Filho é advogado.

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Juiz federal pernambucano decretou a preventiva de Cesare Battisti

Pernambucano de Exu, o juiz Odilon de Oliveira Alencar, da 3ª Vara Federal em Campo Grande (MS), foi quem decretou na última quinta-feira (5) a prisão preventiva do ativista italiano Cesare Battisti.

Foi durante audiência de custódia realizada na capital de Mato Grosso do Sul. O magistrado alegou “fortes indícios” de que o militante tentava sair do país com quantidade de moeda estrangeira superior ao permitido pela legislação brasileira, prática que configuraria crime de evasão de divisas.

Battisti foi preso na véspera cidade de Corumbá, na fronteira entre Brasil e Bolívia, com US$ 6 mil dólares e € 1.300 euros. Pela lei brasileira, qualquer cidadão com mais de R$ 10 mil deve declarar o valor à Receita Federal.

O juiz concluiu, “ao menos em caráter provisório, que Cesare Battisti procurava se evadir do território nacional, temendo ser efetivamente extraditado”, acrescentando que os antecedentes criminais do italiano são “gravíssimos” e “impõem a decretação da sua prisão preventiva”.

Disse ainda que Battisti está em situação de refugiado e se dirigia a um país estrangeiro sem comunicação prévia ar ao governo brasileiro.

Essa conduta é vedada pela Lei 9.474, de 1997 (Estatuto dos Refugiados) cujo artigo 39 prevê que a saída do território brasileiro sem autorização prévia  é condição da perda do status de refugiado.

Ex, ativista do movimento “Proletários Armados pelo Comunismo”, Cesare Battisti foi acusado nos anos 70 de quatro assassinatos em seu país.

Em 1979 fugiu para a França mas foi capturado e extraditado. Em 1988 foi condenado à prisão perpétua, mas fugiu novamente para a França e chegou ao Brasil em 2004. Em 2007, foi preso no Rio de Janeiro mas teve a condição de refugiado político reconhecida pelo Governo Federal.

Em 2010, o Supremo Tribunal Federal aprovou a extradição dele para a Itália, mas remeteu a decisão final ao presidente da República. Luiz Inácio Lula da Silva, então no cargo, negou-se a extraditá-lo considerando-o “preso político”.

Em junho de 2011, o STF voltou a analisar o caso e concedeu liberdade a Battisti. A maioria da Corte entendeu que não poderia interferir na decisão do presidente, pois se tratava de uma questão de soberania nacional.

Em 2015, a juíza federal Adverci Rates Mendes, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, decidiu deportar o italiano sob o argumento de que ele fora condenado em seu país por quatro assassinatos.

A Polícia Federal encontrou e prendeu o italiano na cidade de Embu das Artes (SP), mas o libertou em seguida. Em 2016, a defesa do militante solicitou ao STF um habeas corpus para evitar uma deportação ou uma extradição, pedido posteriormente negado pelo ministro Luiz Fux.

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Maconha no Uruguai

Por: *José Paulo Cavalcanti Filho

A legalização da maconha, no Uruguai, excita imaginações. Como se fosse uma revolução. Quando, na verdade, é só tentativa de resolver um grave problema de saúde pública. Porque morre-se muito em razão da manipulação criminosa das drogas.

A ideia é substituir uma ruim, por outra – menos letal, mais barata, legalizada. Seja como for, a decisão deve ser vista como natural. Tendo em conta o que ocorria por lá. Estima-se que 160 mil, dos 3,5 milhões de habitantes do país, a consumiam regularmente. E muitos grupos de auto-cultivadores já tinham, inclusive, autorização para plantar cannabis nas suas casas. Agora, pacotes com 5 gramas de flores de maconha passam a ser vendidos nas farmácias de Montevidéu. Por 4 reais, a grama.

Cada adulto pode comprar até 40 gramas por mês. Pena que apenas 4, em 380 farmácias da capital, aderiram ao programa. E uma já se retirou, a Pitágoras (do bairro de Malvin). Por ter o Banco Santander ameaçado cancelar sua conta. Dado não admitir, entre seus clientes, quem esteja no ramo da maconha. Tudo está muito ainda no início.
 
Essa legislação não é novidade uruguaia. Em verdade, trata-se de uma tendência mais ampla. Nos Estados Unidos, por exemplo, há mais estados que permitem do que proíbem o uso da maconha. E na Europa, mesmo sem lei, essa liberação já ocorre. 

A Suíça inclusive lançou, com grande sucesso comercial (esse mercado já vale, hoje, 320 milhões de reais anuais), um cigarro de maconha. Com menos de 1% de THC (tetraidrocannabinol, componente psicoativo da planta). Marca Heimat. Vendido em supermercados, ou pela internet, a quem tenha mais que 18 anos. Ao preço de 65 reais, cada maço – com 4 gramas de THC e 80% de tabaco. Apesar disso, hotéis e restaurantes têm restringindo seu uso. Algumas regiões do país, como Ticino, retiraram o produto das prateleiras. E países vizinhos, como Alemanha e Áustria, não permitem sua entrada. É complicado. 
 
Ocorre que algo mudou, no quadro teórico sobre o tema. Todos sabiam que maconha era usada, sobretudo, para controlar uma angústia difusa. No fundo, tentativa de auto-regulação selvagem para inquietações interiores. E sem maiores riscos, assim se pensava. Novidade é não ser tão inocente, à saúde. Para tanto, basta conferir conclusões de estudo (fevereiro de 2015) sob responsabilidade da prestigiada instituição Open Acess. Financiado, inclusive, pelo King’s College de Londres. Segundo ele, consumidores de cannabis tem 25% mais de chances para desenvolver esquizofrenia. Em sua conclusão (interpretation), vemos que “a associação entre uso da cannabis e o desenvolvimento da esquizofrenia foi confirmada sob uma perspectiva epidemiológica”. Atingindo, sobretudo, as pessoas mais frágeis. Física e mentalmente.
 
Outro estudo, agora do GREA (Groupement Romand D’Études des Addictions, maio.2017), vai na mesma linha. Com grandes elogios à maconha terapêutica – relatando efeitos positivos sobre aids, câncer, doenças inflamatórias, epilepsia, esclerose, parkinson e dores em geral. Mas reconhecendo ser inquestionável que também contribui para deflagrar doenças mentais preexistentes. E, mesmo, que certas disposições genéticas afloram com o consumo da cannabis. Maconha não seria propriamente a causa, é certo. Mas um fator que vai permitir a emergência da esquizofrenia e outros males. Resumindo, não se trata de algo só para divertir. A droga é, também, perigosa.
 
Agora, o tema começa a ser debatido no Brasil. A Anvisa, inclusive, acaba de anunciar que vai regulamentar o plantio da maconha. Até meios de 2018. Nada contra. No tanto em que a liberação legal da droga parece constituir tendência mundial. Mas penso que isso deve acontecer, antes, nos países do primeiro mundo. Não devemos ser cobaias deles, esse o ponto. Tudo sugerindo que melhor ter cautela, antes de fazer conclusões apressadas. Ou de querer apressadamente copiar algo assim, por aqui.
 
*José Paulo Cavalcanti Filho é advogado.

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Aeroporto de Fortaleza ganha “hubs” da Air France, KLM e Gol

Foi anunciado em São Paulo, nesta segunda-feira, que o Aeroporto Internacional Pinto Martins, de Fortaleza, será o centro de conexões de voos no Nordeste das companhias aéreas Air France, KLM e Gol, a partir de maio de 2018.

De acordo com o comunicado, as operações terão início com três voos da KLM para Amsterdã (Holanda) e dois para Paris (França).

A Gol vai reforçar voos para o Recife, Salvador, Belém e Manaus, além de criar uma rota Fortaleza-Natal. A empresa é parceira da Air France-KLM.

Fortaleza foi escolhida para receber os “hubs” das duas empresas internacionais devido à sua proximidade com a Europa. E o Aeroporto Pinto Martins levou vantagem por ter sido entregue por meio de concessão à empresa alemã Fraport em leilão realizado em março último.

O Aeroporto de Fortaleza está brigando agora com o do Recife pelo “hub” da Latan. Em 2016, a Câmara Municipal aprovou uma lei oferecendo incentivos fiscais a empresas aéreas que instalassem seus “hubs” no Pinto Martins.

Os voos para Amsterdã sairão às segundas, quintas e sábados. Já os voos para Paris serão realizados às sextas e aos domingos. Em média, as viagens terão 9 horas de duração e serão feitas em dois Airbus: o A340, com capacidade para 278 passageiros, fará a rota Paris-Fortaleza e o A330, com 268 assentos, fará a rota Fortaleza-Amsterdã.

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Voo inaugural Recife-Munique será dia 7 de novembro

A Condor Airlines reuniu 140 convidados, na capital pernambucana, para o lançamento oficial da nova rota Recife – Munique, com voo inaugural previsto para 7 de novembro próximo.

Esta nova rota vai aproximar ainda mais o Nordeste da Alemanha através de conexões operadas em parceria com diversas empresas aéreas a partir de Frankfurt e Munique.

Além de representantes de agentes de viagens e operadas de turismo, compareceram ao lançamento o secretário de Turismo de Pernambuco, Felipe Carreras e várias outras autoridades, entre elas o presidente da ABAV (PE) Marcos Teixeira e Christoph Ostendorf, diretor do Centro Cultural Brasil – Alemanha.

Desde 1956, a companhia aérea Condor Flugdienst GmbH oferece aos seus clientes os mais procurados destinos de férias em todo o mundo. Cerca de 7 milhões de passageiros voam a cada ano com a Condor para cerca de 75 destinos na Europa, Ásia, África e América.

A Condor é a companhia aérea preferida dos alemães. Em uma pesquisa de satisfação do cliente realizada pelo Instituto Alemão para a Qualidade de Serviço (DISQ), em maio de 2015, a Condor foi a companhia aérea melhor avaliada e foi a única a receber o título de “excelente”.

Desde 1º de março de 2013 a Condor faz parte, ao lado das companhias aéreas Thomas Cook Airlines UK, Thomas Cook Airlines Escandinávia e Thomas Cook Airlines Bélgica, do segmento de companhias aéreas de Thomas Cook.

A frota do segmento Thomas Cook Airlines é composta por 91 aeronaves, das quais 41 fazem parte da frota Condor, sendo 10 Airbus A320, 5 Airbus A321, 13 Boeing 757-300 e 13 Boeing 767-300.

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TAP aumenta número de vôos do Recife para Lisboa

A TAP (Transportes Aéreos Portugueses) anunciou nesta sexta-feira (15) que a partir do próximo dia 29 de outubro vai ampliar o número de voos entre o Recife e Lisboa.

A companhia anunciou a ampliação de cinco para oito voos semanais durante o inverno europeu (novembro a março) e para 10 no período de Natal e Ano Novo. Durante o verão na Europa (abril a outubro), também serão feitos 10 voos semanais.

Segundo o secretário estadual do Turismo, Felipe Carreras, no último mês de agosto, o Brasil aumentou em 7,7% no número de passageiros transportados, se comparado agosto de 2016 com agosto deste ano, enquanto o Aeroporto Internacional do Recife cresceu 19% o número de movimentação de passageiros no mesmo período, passando de 548 mil para 653 mil pessoas.

“Esta ampliação da TAP confirma mais uma vez o crescimento do turismo no nosso Estado. A procura dos estrangeiros por Pernambuco tem aumentado consideravelmente. Entre janeiro e julho deste ano, tivemos um aumento de 7,5% no número de visitantes de outros países chegando ao nosso Estado e a tendência é cresçamos ainda mais no último quadrimestre. Isso se reflete diretamente na nossa economia, na geração de empregos e na movimentação turística pernambucana”, afirmou Felipe Carreras.

A TAP é a companhia estrangeira com mais tempo de atuação no Aeroporto Internacional do Recife. O voo Recife – Lisboa possui mais de 50 anos de atividade, sem interrupção. As passagens para as novas frequências já devem começar a ser vendidas a partir deste final de semana.

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Pernambuco terá vôo direto para Madrid a partir de 20 de dezembro

O governador Paulo Câmara, que se encontra na Espanha desde a última quarta-feira (6), anunciou hoje (8) por meio de sua assessoria que a partir do dia 20 de dezembro próximo Pernambuco ganhará mais um voo internacional. Será a linha Recife-Madrid que será operada pela Air Espanha.

Além do voo, o Governo de Pernambuco fechou uma parceria com o grupo espanhol Globalia mediante a qual serão disponibilizadas passagens aéreas Recife-Madri (ida e volta), para os alunos da rede estadual que participam do programa “Ganhe o mundo”, a preços subsidiados.

A Globalia vai apoiar também a instalação de cursos de hotelaria e guia turístico nas Escolas Técnicas de Pernambuco que serão inauguradas no curso deste ano.

Também serão promovidos capacitação e intercâmbio dos professores pernambucanos, que levarão os melhores alunos para estagiar em setores da empresa dentro e fora do Brasil.

O governador lembrou na ocasião que o Ensino Médio Público de Pernambucano saiu da 21ª colocação em 2007 para o 1º lugar em 2016.

Através do “Ganhe o mundo”, cerca de quatro mil estudantes do segundo ano do ensino médio já fizeram intercâmbio no exterior para aprender Inglês e Espanhol.

“Muitos desses jovens vêm para a Espanha para aprender espanhol. Trazemos por ano cerca de 25, mas a Air Europa afirmou que vai nos ajudar a dobrar esse número”, disse o governador.

A negociação com o Grupo Globália teve início em janeiro deste ano. “Foram cerca de nove meses de contatos, mas com o Javier Hidalgo (diretor executivo) apenas em agosto. Foi uma parceria fechada em tempo recorde. Geralmente, eles passam entre um e dois anos para fecharem as novas rotas, mas, juntos, conseguimos fechar tudo de forma rápida e boa para o Estado”, declarou Felipe Carreras, secretário de turismo do Governo do Estado.

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TCU volta a isentar Dilma de responsabilidade na compra da refinaria de Pasadena

Tomada de Contas Especial instaurada pelo TCU para investigar a compra, pela Petrobras, da Refinaria de Pasadena (EUA), em 2006, isentou de qualquer responsabilidade o Conselho de Administração da empresa, então presidido por Dilma Rousseff.

O TCU já havia isentado a ex-presidente de culpa no prejuízo que a Petrobras teve com esta operação, mas o ex-diretor Nestor Cerveró e o ex-senador Delcídio do Amaral disseram, em delação premiada, que ela teria dado aval à operação.

No entanto, relatório dos técnicos do TCU e parecer do Ministério Público de Contas contrariam a versão dos dois delatores, segundo o jornal “Folha de São Paulo”, e voltaram a inocentar a ex-presidente.

Segundo o relatório, “a carta de intenções não era vinculante para a companhia porque o Conselho de Administração não deliberou, no mérito, sobre a aquisição dos 50% remanescentes de Pasadena. Assim sendo, não há que se falar em responsabilização de seus membros nestes autos”.

Em 2006, a Petrobras pagou US$ 360 milhões por 50% da Refinaria, que havia sido comprada um ano antes pela belga Astra Oil por US$ 42,5 milhões.
O relator da Tomada de Contas, ministro Vital do Rêgo, responsabilizou pelo prejuízo o próprio Cerveró, então diretor de Assuntos Internacionais e o ex-presidente José Sérgio Gabrielli, propondo também que ambos sejam inabilitados por 8 anos para o exercício de cargos públicos.

Em 2014, o TCU aprovou relatório de autoria do então ministro pernambucano José Jorge, hoje aposentado, determinando a devolução de US$ 792,3 milhões aos cofres da Petrobras pelos prejuízos causados ao patrimônio da empresa.

Porém, também isentou de responsabilidade os membros do Conselho de Administração, que, na época, era presidido pela então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

O montante de US$ 580,4 milhões deverá ser devolvido por membros da diretoria executiva, que aprovaram a operação de compra, entre eles José Sergio Gabrielli, Nestor Cerveró, Almir Barbassa, Paulo Roberto Costa, Guilherme Estrella, Renato Duque, Ildo Sauer e Luís Carlos Moreira da Silva.

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Raul Henry embarca para a China em missão oficial

O vice-governador Raul Henry (PMDB), que é também secretário de Desenvolvimento Econômico do governador Paulo Câmara, embarcou nesta terça-feira (29) para a Ásia, em missão oficial, representando o Governo do Estado.

Ele levou em sua companhia o presidente da AD Diper, Leonardo Cerquinho e o chefe da Assessoria Especial do governador, José Francisco Cavalcanti Neto, além do presidente do Porto Digital, Francisco Saboya.

A comitiva pernambucana irá visitar empresas do ramo tecnológico, do segmento de energias renováveis e do setor industrial nas cidades de Seul (Coreia do Sul), Pequim (China), Dubai e Abu Dhabi (Emirados Árabes).

Raul Henry preside o PMDB de Pernambuco e está viajando num momento delicado, de reacomodação de forças em âmbito estadual. É que o senador Fernando Bezerra Coelho ameaça deixar o PSB e, num discurso inflamado na última segunda-feira (28), em Caruaru, anunciou o seu pré-rompimento com o governador Paulo Câmara dizendo que a união de Caruaru (prefeita Raquel Lyra, do PSDB) com Petrolina (prefeito Miguel Coelho, do PSB), será responsável pela construção de um “novo tempo” no Estado de Pernambuco.

Quem também embarcou para a China, na véspera, foi o presidente Michel Temer para uma permanência de 10 dias. Até a volta, estará sendo substituído pelo presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ).

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Jerry Lewis

Por: *José Paulo Cavalcanti Filho

O elevador abre a porta e aparece Jerry Lewis. Velho, gordo, alto, calculei metro e noventa. Ombros caídos. Como se os anos, ou remorsos tardios, lhe pesassem. Ao perceber que olhava fixamente para ele, deu um sorriso. Mas nada, naquele rosto, lembrava seus antigos filmes. Agora, mais parecia uma careta. Deixei descer o elevador. Não tinha pressa. Foi se afastando devagar, num andar lento, até que se perdeu no fim do corredor. Como se fosse miragem. As imagens de antes já não eram reais. Nada, naquele homem cansado, evocava quem foi. Lembrei de Pessoa (em “O Marinheiro”), Falar no passado – isso deve ser belo, porque é inútil e faz tanta pena… Maria Lectícia chegou e me viu parado, olhando para o corredor. Perguntou quem era. Respondi, apenas, um fantasma do passado.

Lembro também 1969. Proibido de estudar no Brasil, pelo Governo Militar, acabei em Harvard. Graças a uma bolsa-de-estudos. Lá, fiquei num dos muitos edifícios que a Universidade reserva para estudantes. Aquele se chamava Whintrop House. Bons tempos. Depois, muitos anos depois, voltei à Universidade. Agora para dar aulas. Por conta da UNESCO. Aproveitei e fui à dita Whintrop House. Maior diferença eram as árvores que haviam crescido, no entorno. E uma portaria nova. Estranhamente vazia. Subi ao primeiro andar e comecei a procurar o quarto em que vivi. Um guarda enorme surgiu do nada. Olhou severamente para mim, talvez por não gostar de ter subido as escadas sem sua autorização. Perguntou se estava procurando alguém. Sim, respondi. Quem? Completei, Me (eu). Num primeiro momento, foi como se não entendesse. Depois, riu e disse Espero que encontre. Nos dois casos, trata-se da mesma relação entre passado e presente.

Jerry Lewis parecia em paz. Como alguém que não se arrependeu de nada. O comparo a tantos, no Brasil de hoje. Tão diferentes dele. Personagens que começaram suas biografias de forma gloriosa e não conseguiram completá-las decentemente. Que despertaram em todos nós sonhos, esperanças, ilusões. De um país melhor. Mais justo. Mais limpo. Que tiveram a chance concreta de mudar a realidade. E jogaram tudo isso fora. Só por interesses menores de poder. Ou vaidade. Ou grana. Envolvidos, todos, em corrupção. Numa cumplicidade envergonhada que uniu poderosos empresários, onipotentes e castos, com atores políticos encantados pelas benesses dos seus cargos. E que cederam à tentação de enriquecer.

A vida pune. Alguns estão presos. Outros serão. Outros mais, com sorte, e mesmo processados, talvez escapem. Mas todos estarão condenados a vagar, pelos corredores do destino, como Jerry Lewis. Como se fossem fantasmas. Ou portadores de alguma doença infecciosa. Quem os convidaria para ser padrinho de seus filhos? Quem daria emprego a qualquer deles? Quem teria pena, ou lhes diria palavras de conforto? Faltando só lembrar os que desejam, a todo custo, reviver o passado. Confiando na frágil memória de seus concidadãos. Não vai dar certo. Terão dificuldades até nas pequenas coisas do dia-a-dia. Como, por exemplo, frequentar restaurantes. Ou ficar nas filas dos aeroportos. Ou andar nas ruas.

Pensando bem, há uma diferença grande entre eles. Que Jerry Lewis queria ser lembrado por tudo que fez. Enquanto esses, hoje, querem só que a gente se esqueça do que fizeram.

*José Paulo Cavalcanti Filho é advogado.