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O processo está mal conduzido

Coluna Fogo Cruzado – Folha de Pernambuco – 28 de janeiro

É da tradição política de Pernambuco o governador conduzir o processo para a escolha do candidato que irá disputar a sua sucessão. Bem verdade que Eduardo Campos, presidente nacional do PSB e pré-candidato a presidência da República, não abdicou dessa prerrogativa. E por isso mesmo soa estranho que o partido ora sob seu comando tenha instituído uma comissão para coordenar este processo. A seus membros foram delegados poderes para conversar, isoladamente, com os pré-candidatos a governador, que seriam quatro: o vice João Lyra Neto, o ex-ministro Fernando Bezerra Coelho, o chefe da Casa Civil Tadeu Alencar e o secretário da fazenda Paulo Câmara. Tanto o vice como o ex-ministro irão receber, cavalheirescamente, o trio que forma a comissão: o prefeito Geraldo Júlio, o deputado estadual Aluísio Lessa e o presidente do partido Sileno Guedes. Mas deste assunto só tratarão com o próprio governador.

João Lyra e Fernando Bezerra só conversam sobre sucessão com o governador Eduardo Campos
Olho crítico e provinciano

Dilma foi alvo de críticas por ter gasto com hospedagem em Lisboa, no trajeto Suíça-Cuba, R$ 71 mil (sua comitiva tem 45 pessoas). Isso é cerca de 1/3 do que a banda Garota Safada cobra para fazer um show de música safada. Quando criticaram Collor por ter pago 1.200 dólares por um quarto de hotel na Inglaterra, o então ministro pernambucano Ricardo Fiúza rebelou-se: “Queriam que o presidente da 8ª economia do mundo se hospedassem num hotel de 2ª classe?”

Pesquisa – Está em mãos de Eduardo Campos o resultado de uma pesquisa segundo a qual 77% dos pernambucanos querem a continuidade do grupo político que ora governa Pernambuco. Já na pesquisa que foi encomendada pelo ex-ministro Fernando Bezerra o cenário é diverso deste. Armando Monteiro (PTB) tem entre 45% e 52% de intenções de voto, dependendo do cenário.

Bipolar – Diferentemente de 2010, quando Eduardo Campos foi apoiado na reeleição por 90% das forças políticas de PE, em 2004 haverá “dois lados”: um do governo e outro da oposição.

Trava – Pelo fato de Dilma estar travando a liberação de verbas para PE, Danilo Cabral corre o risco de deixar a Secretaria das Cidades agora em abril sem inaugurar nenhuma grande obra.

Previsão – Pelas contas de Aécio Neves, o PSDB suplantará Eduardo Campos em seis grandes colégios eleitorais onde o PSB não lançará candidato a governador: SP, MG, RJ, PR, SC e RS.

Mágoa – O ex-ministro Fernando Bezerra (foto) ainda não assimilou o fato de só ter sido chamado para uma reunião da executiva nacional do PSB, da qual é vice-presidente, no Recife, na semana passada, quando faltavam apenas 30 minutos para o seu início.

Risco – À exceção de João da Costa, o PT não lançará novos candidatos nem para a Câmara Federal nem para a Assembleia Legislativa. Isso pode pôr em risco a reeleição de alguns deputados federais e estaduais porque o partido não tem “cauda”.

Tô fora – Embora tenha figurado no início do processo como um dos pré-candidatos do PSB à sucessão estadual, o secretário Antonio Figueira (saúde) auto-excluiu-se da disputa. Ele alega que por pertencer a uma família de médicos e ter responsabilidade com o futuro do IMIP, que foi fundado por seu pai, o velho Fernando Figueira, a sua vocação é a medicina e não a política.

É guerra – A visita feita ontem ao Recife pelo ministro Aguinaldo Ribeiro (Cidades) teve caráter apenas simbólico. A vinda dele foi para dar a impressão de que o governo federal não retalia Pernambuco, o que não é verdade. Dilma sabe que Eduardo Campos será seu opositor nas próximas eleições e por sugestão da cúpula petista já passou a tratá-lo como “inimigo”.

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Interesses partidários não podem se sobrepor aos interesses da Frente Popular, diz Armando Monteiro à Rádio CBN

O senador Armando Monteiro (PTB) disse hoje à Rádio CBN do Recife que, independente de disputas em alguns municípios, a Frente Popular de Pernambuco sairá ainda mais forte das urnas de 2012.

Veja, abaixo os principais trechos da entrevista:

Sobre a eleição do Recife: “O PTB pretende disputar em vários municípios, inclusive da Região Metropolitana. Em Igarassu, Itamaracá, Abreu e Lima, Jaboatão, existem vários companheiros que estão se colocando na disputa. Porque não no Recife? Porque precisa ser algo que brote espontaneamente. Nós não estamos querendo criar candidaturas artificiais. Onde houver um companheiro que reúna condições, que tenha algum tipo de perspectiva, eu acho que o partido tem que estimular estas candidaturas. Não há propriamente uma estratégia para a Região Metropolitana. Se existem quadros que podem se colocar, muito bem. Mas nós não estamos com isto afastando a possibilidade de, adiante, buscar um entendimento na própria Frente. Nós podemos ainda buscar este entendimento, mas temos que nos prepararmos para a hipótese que está hoje colocada, que é a de múltiplas candidaturas. Não podemos ficar à mercê de uma única candidatura da Frente, quando constatamos que esta única candidatura talvez não represente a alternativa ideal”.

Sobre a presença do PTB no interior: “A primeira constatação é que a Frente que nós integramos vai ter um desempenho muito positivo. Porque no interior os dois partidos que tinham mais presença eram o PSB e o PTB. Tanto em número de prefeituras, quanto em número de vereadores eleitos, como também em votos que foram dados às legendas. O que eu percebo é que estes dois partidos vão continuar a ter uma presença expressiva, é possível até que o PSB cresça ainda mais, e outros partidos da Frente vão crescer também. É possível que existam conflitos de interesse, mas nós temos que ter a competência de encaminhar isto da melhor forma possível. Tendo serenidade, tendo a visão de que o interesse partidário não pode sobrepor-se ao interesse da Frente e esperando que também, do mesmo modo, os companheiros que estão vinculados a outras legendas tenham a mesma compreensão. Quando não for possível compor, se não houver mesmo possibilidade, vamos para a disputa, e o povo então vai decidir. O PTB tem pré-candidaturas em 80 municípios. Evidentemente eu não posso fazer prognósticos, mas eu diria que com 80 candidaturas o PTB tem condições de manter um número expressivo de prefeituras”.

Sobre sua candidatura ao Governo do Estado – “Eu não acho que seja próprio discutir isto agora. Eu não sou mestre na arte de esconder o pensamento e por isto nunca neguei que tenho – como qualquer homem público que tem uma trajetória – a aspiração de que,  se puder, governar o meu Estado. Eu acho que isto é legítimo. Agora, uma candidatura ao governo passa por um longo percurso. Você precisa não apenas ter um partido que possa dar suporte a esta candidatura, mas ninguém faz uma eleição com um partido. Você precisa formar uma frente partidária, esta candidatura precisa corresponder claramente a uma expectativa, é preciso que você tenha compromisso com um projeto, com uma proposta, para que não seja uma postulação pessoal ou partidária. Se a idéia é de que a candidatura é algo que decorre apenas da vontade do candidato ou da vontade de um partido, isto não se justifica do ponto de vista político. Uma candidatura precisa representar, numa determinada circunstância, uma alternativa para a viabilização de um projeto. Isto é o mais importante”.

Sobre o projeto partidário do PTB – “Eu vou continuar a fazer o que eu sempre fiz, que é o de caminhar, construir, poder fazer um relacionamento também com outros partidos, porque eu tenho o compromisso de olhar e de servir a Pernambuco. Como senador da República, que é a responsabilidade que tenho hoje, eu me relaciono com prefeitos de todas as legendas. Ajudo e procuro trabalhar em favor de todos os municípios de Pernambuco, até mesmo de prefeitos que são da oposição, porque esta é a nossa obrigação. Agora, o projeto partidário do PTB vai seguir adiante também. O PTB vai tentar crescer, esta é a lógica partidária. Tudo passa por 2012. É um momento importante. Agora, eu quero dizer o seguinte, uma candidatura majoritária se vincula mais a uma corrente de opinião, e à compreensão das razões da candidatura do que propriamente o número de prefeitos ou o número de apoios. Não há relação direta entre número de prefeitos e eleição majoritária. Uma coisa necessariamente não tem a ver com a outra. O importante é que aquela candidatura seja justificada do ponto de vista de um projeto e não que ela corresponda apenas à vontade de uma legenda ou de um candidato”.

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Armando afirma que a Frente Popular não foi constituída para atender a “interesses eleitorais episódicos”

Após reunir-se com o deputado Pedro Eugênio (PT) na tarde desta segunda-feira, o senador Armando Monteiro (PTB) defendeu a continuidade da Frente Popular de Pernambuco dizendo que ela não foi constituída para atender a “interesses eleitorais episódicos”.

Eis a íntegra de sua entrevista:

Sobre a Frente Popular: “Eu acho que a iniciativa de Pedro Eugênio deve ser entendida como uma disposição que ele afirma, e que nós reconhecemos, com os compromissos e as responsabilidades que temos, com a manutenção desta Frente, que não foi feita ou criada apenas para atender a interesses eleitorais episódicos. Ela foi feita porque dá suporte a um projeto que vem mudando a vida de Pernambuco para melhor, como Pedro disse. Então nós temos responsabilidades, que é preservar a Frente”.

Sobre a pluralidade de opiniões dentro da Frente: “Agora, há um episódio recente neste processo eleitoral que revela muito bem a importância de você considerar que, na pluralidade das forças políticas do Estado, todos têm espaços próprios que somam, do ponto de vista político, para o fortalecimento desta Frente. Por que é que esta chapa de 2010 foi tão exitosa do ponto de vista do desempenho eleitoral? Porque houve a compreensão, na engenharia política, na montagem da chapa, graças à sensibilidade do governador Eduardo Campos, de que você precisava agregar estas forças, que são forças que têm suas identidades, suas trajetórias. Então, reconhecer estas identidades e estas diferenças é algo importante para a manutenção da própria Frente. Eu acho que nós todos temos este compromisso, como homens públicos, com as responsabilidades que temos, de preservar a Frente e garantir espaços de sobrevivência no interior desta própria Frente. Espaços de convivência política, democrática. Quer dizer, há espaços que são de cada um, espaços do PT, espaços do PTB. E nós temos que ter a capacidade política de não fazer com que eventuais divergências municipais e locais comprometam este espírito que nós temos, e as responsabilidades que temos, na construção e manutenção desta Frente”.

Partidos políticos não são seitas: “Somos presidentes exatamente por isto, ou seja, porque temos responsabilidade de poder conduzir com ponderação e com equilíbrio nossas legendas, que é o que nos compete. Agora, os nossos partidos não são seitas. Ou seja, há nos nossos partidos pessoas que têm suas características, suas maneiras de se expressar. Eu vou falar pelo deputado Silvio Costa por ser do meu partido. Ele tem um estilo próprio, uma maneira própria. E quero ser até justo, pois nas suas duas últimas entrevistas, o deputado Silvio Costa tem feito questão de dizer que sua posição não é necessariamente a do partido e que quem fala pelo partido é o presidente do PTB. Ele tem dito isto nas entrevistas. Então, às vezes ele pode fazer uma avaliação que não corresponde à do partido. Agora, o nosso partido não pode proibir um deputado federal, uma liderança, de se manifestar. Ele pode e tem se manifestado sobre estas questões. Mas eu acho que nós, que temos a responsabilidade como dirigentes, Pedro do PT e nós do PTB, temos que ter mesmo esta ponderação, este equilíbrio.

Pedro Eugênio – Nós temos os porta-vozes naturais que são os presidentes. Não é à toa que estamos aqui. E essas conversas que vamos continuar tendo, conversas bilaterais, eu acho que vai chegar o momento de temos reuniões envolvendo vários presidentes, mais adiante. Inclusive combinamos aqui de iniciarmos conversas entre pessoas que vamos delegar, pessoas da direção do partido, para tratar das questões municipais, da construção das alianças municipais, este dia a dia da construção das alianças locais. Quer dizer, este processo todo nós vamos construindo, e quem fala pelo partido, quem tem a palavra pelo partido, é o presidente. Quanto a isto não tenha dúvida. Agora, como disse Armando, nós temos deputados federais e deputados estaduais, lideranças sociais e sindicais, que têm acesso à imprensa e têm legitimidade, representatividade, para se expressar. Nós vivemos um momento recentemente (prazo para filiações) em que as questões municipais se colocaram com muita força, e isto trouxe à tona disputas locais que são muito acirradas. Vamos reconhecer que estas disputas locais elevam a temperatura. Então não vamos tomar a parte pelo todo. São coisas localizadas. De repente aquilo gera uma tensão, um atrito entre A e B, e isto não tem um impacto sobre a Frente que aparentemente pode parecer ter.

Espaços de convivência dos partidos e os casos Petrolina e Serra Talhada

Pedro Eugênio – Nós do PT temos absoluta convicção, e nossos partidos aliados sabem disso, que nestes dois processos (Petrolina e Serra Talhada) nós não agimos no sentido de atrair os quadros políticos para o PT. Ocorreram fatos que fizeram com que eles tomassem a decisão de sair de seus partidos de origem, respectivamente do PSB em Petrolina (Odacy Amorim) e do PR em Serra Talhada (Luciano Duque). E a partir desta decisão já tomada, solicitaram o ingresso no PT. É evidente que, localmente, mesmo seguindo-se este roteiro, surgiram atritos, surgiram insatisfações. Mas a verdade tem muita força e nós temos absoluta convicção de que não nos faltou lealdade para com os partidos que são nossos aliados. E isto então tende a se acalmar, tende a passar.

Armando Monteiro – Primeiro, há o momento da filiação. Porque quando há lideranças expressivas que se movimentam no sentido de sair de um partido e ir para outro, é claro que isto já sinaliza a disposição de pré-candidatura. Mas o fato é que candidaturas só existirão nas convenções. Há um longo tempo para que você construa ou que faça um exercício para tentar fazer composições onde for possível. Nos episódios que aparentemente tensionaram a relação, não identifico, nem no processo de Petrolina nem no de Serra Talhada, nenhuma ação indevida do PT. Há, sim, contradições nos partidos de origem, que já se expressavam, já estavam indicadas. No caso, por exemplo, de Petrolina, nós sabemos que desde 2008 há problemas no PSB, que ao final terminaram até traduzindo-se no próprio resultado eleitoral, que ocorreu na eleição passada. Então estas contradições não são novas, nem foram criadas agora por conta de um convite do PT, que nem existiu. Agora, as lideranças devem ter a liberdade de procurar os seus caminhos. E, curiosamente, nestes casos, nós estamos tendo sempre como destino partidos da própria aliança, da própria Frente.

Pedro Eugênio – Em Serra Talhada nós perdemos o Dr. Fonseca Carvalho, um quadro da melhor qualidade, para o PTB. Foi uma contradição gerada no PT, por conta da entrada do Luciano Duque no PT. O Dr. Fonseca se sentiu desconfortável e migrou para o PTB. E nem por isso nós entendemos que o PTB aliciou o Dr. Fonseca. Nós entendemos que ele se sentiu desconfortável e migrou para um partido da Frente. Agora, é importante lembrar que estas todas são pré-candidaturas, nomes que são colocados, mas agora é que nós vamos começar o processo de discussão sobre como vão se dar as alianças locais. Nós não estamos ainda com candidaturas estabelecidas.

Sobre a conversa com o PSB

Pedro Eugênio – Será tranquila também. Nós já estamos agendados com Milton Coelho na sexta-feira. Eu falei com ele por telefone longamente, eu estava em São Paulo quando conversei com ele agendando para a sexta-feira. Só não agendei antes porque ele viajou para São Luís, cumprindo uma agenda partidária, e eu viajo amanhã para Brasília, e ele só volta na quinta, então só deu pra agendar na sexta-feira. Nós não definimos ainda o local. Mas será ou no PT ou no PSB. E eu acredito que será tranqüila também, será uma conversa tranqüila porque as questões de conflitos que existem, repito, são questões pontuais, que surgiram por conta desse processo municipal e que nós vamos administrar da mesma forma que estamos administrando com os outros partidos.

Sobre a eleição do Recife

Armando Monteiro – Se eu pudesse resumir a essência desse processo que a gente tratou aqui, tem duas coisas. As questões locais vão ser tratadas no seu momento próprio. É claro que a questão do Recife é uma questão importante, pelo que o Recife representa. Conversamos também um pouco sobre essa coisa do Recife, que, ao que tudo indica, nesse momento, há uma indicação de que há setores dos nossos partidos e de outros partidos da Frente cogitando de candidaturas próprias. É ainda, como eu disse, algo embrionário. Agora, dessa nossa conversa tem duas coisas que eu considero importantes. Uma, é a nossa visão de que a manutenção da Frente é importante para Pernambuco e que nós não podemos, por nenhuma questão de natureza local, ainda que ela seja magnificada, nós não podemos pôr em risco a manutenção dessa Frente que é tão importante para Pernambuco. E a segunda é a compreensão de que uma Frente pressupõe a existência de forças que não são necessariamente idênticas. Ou seja, tem que haver espaço para essa pluralidade, essa diversidade. Uma Frente é formada não por iguais. Uma Frente é formada por forças que convergem em nome de objetivos comuns, que não são necessariamente idênticas nem iguais. Então, nós para convivermos numa Frente precisamos ter a compreensão, primeiro, de quais são os objetivos dela.  E nós temos a compreensão de que os objetivos maiores se situam na linha do que é importante para Pernambuco. E, segundo, a compreensão de que nós, na Frente, não somos iguais; temos, legitimamente, direitos a aspirar espaços…  Agora, precisamos entender isso e temos a obrigação de conviver com essa compreensão.

Sobre a precedência do PT no Recife

Pedro Eugênio – O PT no Recife reivindica, primeiro, que nós façamos um esforço para termos uma candidatura unitária no Recife. Isso é um ponto que nós hoje tocamos rapidamente, é a primeira conversa, nós queremos ter muitas conversas pela frente. E nós entendemos que isso se dê em torno da candidatura do PT. Tem muitos pré-candidatos, é natural, é legítimo que os partidos se coloquem com pré-candidaturas, mas é dentro desse contexto, tendo PT à frente da Prefeitura do Recife, que nós do PT entendemos que nós devamos continuar à frente da Prefeitura e vamos fazer um esforço para manter a Frente em torno da candidatura do PT.

Armando Monteiro – A precedência se traduz inclusive na seguinte compreensão: de que o PT, a rigor, já tem candidatura no Recife. É o único partido que, a priori, já tem candidatura no Recife. E por que tem? Porque, sendo a prefeitura governada pelo partido, a noção de precedência é essa, admitir a candidatura do partido. As outras são pré-candidaturas.

Sobre a entrada do PSB nos municípios

Pedro Eugênio – É legítimo que todos os partidos coloquem no tabuleiro suas peças em todos os municípios. É absolutamente legítimo. Nós vamos agora conversar com todos os partidos, cada um tendo se colocado nos municípios, de forma legítima, para construirmos, com a maior responsabilidade possível, as condições de manutenção da nossa Frente. Evidente que em alguns municípios isso não será possível, vamos concorrer, bater chapa. Em outros municípios, vamos estar com a Frente constituída, com as alianças constituídas. O importante é que façamos um grande esforço para que a Frente esteja consolidada, ela prevaleça, porque evidentemente, trata-se daquela velha questão da dialética, da quantidade versus qualidade. E para que a Frente permaneça, nós teremos que ter, no conjunto do Estado, um conjunto de municípios importantes, e isso passa pelo Recife e pelos municípios de maior expressão, aonde a permanência da Frente se reflita.

Sobre o papel do governador Eduardo Campos na condução da Frente?

Armando Monteiro – Eu acho que essa questão diz respeito mais aos presidentes dos partidos. O governador só deve intervir nisso em situações, eu diria, que sejam muito, não vou dizer extremas, acho que quando tivermos realmente algo que justifique. Até lá, eu acho que o governador vai estar acompanhando, vai estar atento, vai estar, certamente, estimulando esse diálogo entre os partidos e vai ter sempre um representante do partido dele. Mas acho que o governador tem aí a sua agenda administrativa, as suas responsabilidades, não se pode também colocá-lo numa análise de situações de disputas. Quando for necessário, nós não vamos ter nenhuma dificuldade de conversar com o governador, como nunca tivemos, quando foi necessário. Acho que, por enquanto, tem que ser um esforço dos partidos, dos dirigentes partidários.

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Humberto Costa responde as críticas de Jarbas Vasconcelos ao governo Lula

O líder da bancada do PT no Senado, Humberto Costa, em entrevista dada à Rádio CBN, respondeu as críticas do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) ao ex-presidente Lula, que, em sua opinião, foi conivente com a corrupção.

De acordo com o senador peemedebista, as irregularidades no Ministério dos Transportes que obrigaram a presidente Dilma Rousseff a afastar mais de 20 servidores daquela pasta são a verdadeira “herança maldita” que Lula deixou para a sua sucessora.

Humberto deu a seguinte resposta ao colega peemedebista: “O senador (Jarbas) já teve a resposta nas urnas pela sua atitude sectária em relação ao presidente Lula”.

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Entrevista: Alencar Furtado

Entrevista publicada na Folha de Pernambuco do dia 07/09/09

Por: Inaldo Sampaio

O ex-deputado Alencar Furtado (PR), cassado por Geisel em 77 como líder do MDB na Câmara por ter denunciado na televisão a prática de tortura contra adversários do regime, disse em entrevista à “Folha de Pernambuco” que o Congresso de hoje é muito pior que o daquela época, por ser conseqüência da ditadura que imperou no Brasil durante 20 anos.

Ele afirma que o presidente Lula faz concessões excessivas ao PMDB e que reprova a atitude dele de renunciar a posições políticas do passado em nome da “governabilidade”.

Alencar, de 85 anos de idade, não parece ter a idade que tem. Inteiro na acepção literal do termo, o rosto quase sem rugas (sem nunca ter feito cirurgia plástica) e o cabelo pouco embranquecido para a quantidade de janeiros que carrega nas costas, ele esteve no Recife na última quinta-feira para visitar o amigo, Fernando Lyra, que se recupera de um tratamento cardiológico realizado em São Paulo há pouco mais de 30 dias.

Lyra foi liderado dele na bancada do MDB e desde aquela época ficaram amigos. Alencar nasceu em Araripe (CE), também terra natal de Miguel Arraes, de quem é primo em segundo grau, mas na década de cincoenta migrou para o Paraná e lá fez carreira política, tendo virado mito no velho MDB depois que teve o mandato cassado. Em Pernambuco, seus parentes mais próximos são o procurador geral do Estado, Tadeu Alencar (primo legítimo) e o deputado estadual Emanuel Bringel Alencar (primo segundo).
 
Eis a entrevista:

Passados 32 anos da cassação do seu mandato, como o senhor se sente hoje fora da política partidária?

Todos nós que fomos cassados pela ditadura passamos por momentos de muitas dificuldades. A ditadura foi muito cruel com os que não concordavam com as teses dela e eu me incluía nessa relação. Hoje levo uma vida normal e não sinto mais saudade da política por já ter dado a minha colaboração à reconquista da democracia em nosso país.
 
Como se deu o recomeço de sua atividade profissional (advocacia) após ter tido o mandato cassado?

No começo tudo foi difícil. Eu não tinha bens, patrimônio, nada. Sobrevivia do salário de deputado. Um amigo que morava no Rio se prontificou a alugar uma sala para mim, em Brasília, onde resolvi fixar residência após a cassação, para que eu abrisse de imediato um escritório de advocacia, já que não sabia fazer outra coisa. Saí procurando sala para alugar e quando encontrei uma que me agradou, o proprietário disse que não alugaria. Perguntou-me: “O senhor é aquele deputado que foi cassado?” Quando respondi que sim, ele me disse que não alugaria. Sabendo disso, o senador Leite Chaves (paraibano de nascimento e então senador pelo Paraná), que tinha escritório em Brasília, colocou-se à minha disposição e eu passei a trabalhar ao lado dele.
 
Deu muito trabalho para conseguir clientes?

Nos primeiros dez dias não apareceu ninguém e eu já estava ficando angustiado. De repente, chegaram ao escritório três coronéis do Exército. Imaginei que fossem me prender, mas o que eles desejavam era que eu assumisse uma causa deles. Quando eu lhes disse que não era a pessoa indicada para assumir aquela causa por ter sido cassado pelo chefe deles (o general-presidente Ernesto Geisel, que, pela Constituição, era o comandante supremo das Forças Armadas), um me respondeu: “Mas é exatamente por cauda disso que a gente quer o senhor como advogado”.

Eles haviam sido preteridos numa promoção em Itaqui (RS) e queriam recorrer da decisão ao Tribunal Federal de Recursos (hoje Superior Tribunal de Justiça).
 
Ganhou ou perdeu a causa?

Preparei o recurso e dei entrada. Quando o processo estava para ser julgado recebi um telefonema de um amigo de Mato Grosso: “Alencar, preciso que você venha até aqui para patrocinar uma (ação) possessória. Dá para ganhar um bom trocado”. Eu não quis viajar sem primeiro conversar com o ministro-relator e fui ao TFR me inteirar do processo. O encontro com esse ministro mudou radicalmente a minha vida.
 
Por que?

A vida de um cassado era muito dura, especialmente naquela época. Nós éramos tratados como leprosos. Ninguém queria chegar perto da gente. Quando eu cheguei ao gabinete desse ministro e pedi à secretária para falar com ele, ela pediu-me para aguardar e o consultou sobre a audiência. Ao chegar diante dele, ele me perguntou: “O senhor é o deputado Alencar Furtado?”. Respondi: “Não, sou o ex-deputado Alencar Furtado”. Pensei que iria levar um fora semelhante ao do camarada que se recusou a alugar-me a sala, mas me enganei. O ministro levantou-se da cadeira, deu-me um abraço afetuoso e disse: “Antes de mais nada, deputado, receba o meu abraço de solidariedade”. Aquele ministro não sabe o bem que me fez. A partir dali caiu o bloqueio, o complexo, e eu passei a ser um novo homem. Vi que nem tudo estava perdido e que poderia recomeçar a vida normalmente, como de fato recomecei.
 
O senhor lembra o nome do ministro?

Infelizmente, não. Mas guardo na memória a fisionomia dele e nunca vou esquecer daquele abraço de solidariedade que ele me deu num dos momentos mais difíceis de minha vida. Para completar, o recurso foi julgado procedente e os três militares ganharam a promoção.
 
Em relação àquela época, como o senhor avalia o Congresso Nacional de hoje?

Esse Congresso que aí está ainda é consequência da ditadura, que foi muito cruel com os democratas. É um Congresso fraco, de um nível político muito baixo em relação ao nível da nossa época. Travávamos uma luta desigual com o regime, mas era uma luta sincera, corajosa, cheia de idealismo, muito diferente desse Congresso de hoje.
 
Como vê o apoio do presidente Lula à permanência de José Sarney na presidência do Senado?

Sou um crítico de ambos. Em primeiro lugar, porque eu não gosto de político que muda de posição e o presidente Lula, a meu ver, mudou muito de posição depois que chegou ao poder, fazendo concessões exageradas em nome dessa tal “governabilidade”. E Sarney era presidente da Arena quando nós combatíamos a ditadura que ele ajudava a sustentar. Não tenho nenhuma simpatia por esse personagem.
 
Será que o presidente Lula sustenta Sarney pela impossibilidade de governar sem apoio do PMDB?
 
Em parte ele até pode ter razão. Mas há algumas coisas na política que são absolutamente inegociáveis como a defesa de princípios, por exemplo. O Lula fez concessões demais a essa gente e por isso eu sou um crítico do governo dele.
 
Que lições o Brasil poderá tirar dessa crise moral por que o Congresso está passando?

A memória histórica daquela época deveria iluminar a nossa juventude, servir de exemplo para ela. Mas, ao que me parece, os jovens não estão nem aí para essa situação, o que é profundamente lamentável. Seria muito bom para a democracia se os jovens de hoje procurassem se informar sobre o que foi o Brasil nas décadas de sessenta, setenta e oitenta, quando os militares governaram o país ditatorialmente. Se existiam os pusilânimes que davam apoio aos generais, existiam também os idealistas que não mediam nenhum tipo de sacrifício para defender a liberdade e a democracia.
 
O senhor foi cassado pelo AI-5 por ter usado o programa político do MDB para denunciar tortura em nosso país. A perda do mandato estava nos seus planos?
 
Todos nós que formávamos o “grupo autêntico” do MDB vivíamos sob ameaça de cassação. Fazíamos uma dura oposição ao regime e aquilo, evidentemente, irritava bastante os militares. O Fernando Lyra, que era membro da nossa bancada, acompanhou de perto a nossa luta. Lembro que certa vez eu preparei um discurso sobre o projeto de reforma do Poder Judiciário, que o Geisel havia remetido ao Congresso, reuni a família e disse: “Preparem-se porque amanhã serei cassado!”. Fiz o discurso e nada aconteceu, embora o Congresso tenha sido fechado por ordem do Geisel. Já o pronunciamento que fiz na TV, que imaginava ter outro tipo de consequência, resultou na minha cassação. 
 
Como líder do MDB na Câmara, o senhor esteve alguma vez com o general Ernesto Geisel?

Não. Lembro que quando o Célio Borja (Arena-RJ) foi eleito para presidente da Câmara Federal, convidou os líderes e os membros da mesa para fazermos uma visita protocolar ao presidente da República. Eu disse a ele que em hipótese nenhuma eu iria àquele “beija-mão” porque o nosso companheiro Chico Pinto (MDB-BA) estava preso e processado pela Lei de Segurança por ter feito um discurso de protesto contra a visita de Pinochet ao nosso país. Chico era liderado meu na bancada do MDB, com que cara eu iria a um encontro com o Geisel? Não fui. Cerca de um ano depois, o Herbert Levy (Arena-SP) me contou que o Geisel ficou aborrecido porque eu faltei àquele encontro. Deve ter começado desse episódio a marcação que ele tinha comigo.
 
O ministro da Justiça de Geisel, Armando Falcão, era cearense como o senhor. Chegou a ter contato com ele alguma vez?
 
Eu não o vi uma vez sequer durante o tempo em que ele foi ministro e não o conhecia pessoalmente, embora soubesse que ele era cearense do município de Quixeramobim. Depois de cassado, fui a um jantar no Rio de Janeiro, na casa de um amigo comum, e quando cheguei lá o Falcão estava. Se eu soubesse que ele estava não iria, mas a casa não era minha e eu não tive o que fazer. Ele se dirigiu a mim com essas palavras: “Meu conterrâneo do Ceará Alencar Furtado!”. Aproveitei a ocasião para perguntar-lhe por que fui cassado pelo Geisel. Ele me disse que foi o general Figueiredo, então chefe do SNI (Serviço Nacional de Informações), quem pediu ao Geisel a minha cabeça e a do Ulysses Guimarães (então presidente do MDB). E que ele, Falcão, teria dito o seguinte ao presidente da República: “Presidente, o senhor vai cassar o presidente nacional do partido de oposição e o seu líder na Câmara Federal. A repercussão internacional será muito negativa para a imagem do nosso governo”. O general Figueiredo permaneceu irredutível e dito ao Geisel que se ele não me cassasse pediria demissão do SNI.
 
Quem ainda se encontra vivo do ex “grupo autêntico” do MDB?

 Em atividade, ao que eu saiba, apenas o Marcondes Gadelha (PSB-PB), o Paes de Andrade (PMDB-CE) e o Freitas Diniz (MA). Morreram Getúlio Dias (RS), Lisâneas Maciel (RJ), Marcos Freire (PE), Chico Pinto (BA), J.G. de Araújo Jorge e outros. Esse grupo, embora minoritário no partido, fez história. Fomos os primeiros a denunciar ao Brasil e ao mundo as atrocidades do regime militar e só depois que fizemos isso é que outras entidades se incorporaram à nossa causa como a Igreja Católica, a OAB, a ABI e outras.
 
O senhor chegou a ter um desentendimento na Câmara com um deputado também do Paraná chamado Santos Filho. Lembra qual foi a causa deste episódio?

Eu estava na tribuna fazendo um discurso e ele resolveu apartear-me. O nosso pessoal, que já o conhecia, não queria que eu desse o aparte. Mas eu resolvi dar. Ele derramou-se em elogios à ditadura, eu perdi a paciência e gritei: “Basta. Só existe ditadura em nosso país porque há bajuladores como Vossa Excelência!” A repercussão disso foi enorme.
 
O senhor foi cassado em 77 e dois anos depois veio a anistia. Não passou pela sua cabeça retornar à atividade política como fizeram Arraes, Brizola e outros?

Passou, sim. Eu era muito cobrado para voltar ao Paraná a fim de disputar um novo mandato, já que tinha sido eleito por lá deputado estadual e deputado federal. E voltei. Candidatei-me a governador em 86 e perdi a eleição. Retornei a Brasília onde possuo um pequeno sítio e não quis mais saber de eleição.

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Lula estaria esperando a absolvição de Palocci no STF para liberar José Múcio

Por três vezes, o presidente Lula conversou com o ministro José Múcio sobre a substituição deste no Ministério das Relações Institucionais.
 
O ministro disse ao presidente que está cansado e que gostaria de substituir Marcos Vilaça no Tribunal de Contas da União. Ou, não sendo possível esse “presente”, voltar à Câmara Federal para cuidar de sua reeleição em 2010.
 
O presidente pediu “calma” ao ministro por estar no aguardo do julgamento de Palocci pelo STF da acusação de quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.
 
Caso Palocci seja inocentado, como tudo indicará que será, iria para o lugar de Múcio no Ministério das Relações Institucionais e este seria indicado pelo presidente para a vaga de Vilaça no TCU.
 
O julgamento será agora em agosto.

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José Marcos nega que Inocêncio romperá com a Frente Popular

Em entrevista concedida ao blog agora há pouco, o ex-deputado José Marcos, secretário-geral do PR, negou que o deputado Inocêncio Oliveira esteja preparando o caminho para romper com a Frente Popular.

“Conversei com Inocêncio hoje e a declaração que ouvi dele é que permanece firme e decidido ao lado do governador Eduardo Campos”, afirmou José Marcos.
 
Eis a íntegra de sua entrevista:
 
O PR está arrumando as malas para deixar o governo Eduardo Campos?
 
José Marcos – De forma nenhuma. Somos aliados de primeira hora do governador, quando ele ainda era o terceiro nas pesquisas de opinião, trabalhamos para construir sua vitória e não vamos destruir com os pés aquilo que construímos com as mãos.
 
E por que Inocêncio Oliveira declarou hoje, que, para o PR, o processo eleitoral para senador está “zerado?”
 
José Marcos – Um dos candidatos a senador do nosso partido será o ex-prefeito João Paulo e isso já foi dito publicamente pelo próprio Inocêncio Oliveira. Fazemos parte do governo municipal desde a gestão dele e temos o compromisso de acompanhá-lo se ele for candidato a senador.
 
E o segundo senador do PR quem será? Sérgio Guerra?
 
José Marcos – De maneira nenhuma. Sérgio é nosso amigo, temos com ele uma excelente relação pessoal. Mas, politicamente, estamos hoje em campos opostos. O compromisso do nosso partido é marchar com os candidatos indicados pelo governador Eduardo Campos, apesar de algumas insatisfações nas bases municipais.
 
Que insatisfações seriam essas?
 
José Marcos – Entendo que quando se tem um governo de coalizão, os aliados têm que ser tratados de forma igualitária e isso não aconteceu nas últimas eleições municipais. Em alguns municípios do Sertão, os candidatos a prefeito do PR não tiveram nada e os candidatos do PSB tiveram tudo. Entendo que não deve ser este o tratamento dispensado pelo governador Eduardo Campos aos seus aliados, sobretudo àqueles que o acompanharam desde a primeira hora.
 
Quem seria o segundo senador a ser apoiado pelo PR?
 
José Marcos – É cedo ainda para decidir porque estamos a um ano e três meses da data da eleição. O que posso afirmar, com absoluta certeza, é que não será Sérgio Guerra nem Marco Maciel. Nada contra esses dois ilustres homens públicos, dos quais, aliás, fomos aliados no passado. É que hoje eles estão de um lado e nós estamos de outro.

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Governador de SE diz ao blog que não teme ser cassado pela Justiça Eleitoral

De passagem pelo Recife nesta sexta-feira, o governador de Sergipe, Marcelo Deda (PT), deu ao blog a seguinte entrevista:

Como está o seu processo no Tribunal Superior Eleitoral?
 
Deda – Deve ser julgado neste semestre e eu aguardo o desfecho com muita tranquilidade. Não há uma só acusação contra mim por compra de votos, uso da máquina ou abuso de poder político e econômico.
 
Então por que motivo o senhor foi processado?
 
Deda– Em 2006 eu estava deixando a prefeitura de Aracaju para disputar o governo estadual (contra o pefelista João Alves Filho) e fizemos lá uma série de inaugurações festivas. Já que eu iria sair para disputar outro cargo, mandei acelerar as obras. Foi um mês seguido de inaugurações. Meus adversários, não conformados, representaram contra mim no TRE por suposta campanha antecipada,  mas os desembargadores eleitorais, por unanimidade, rejeitaram a acusação.
 
Quem recorreu para o TSE, o Ministério Público ou a coligação adversária?
 
Deda– O Partido dos Aposentados da Nação (PAN), que posteriormente foi incorporado ao PTB. Esse partido retirou a ação mas o ex-governador João Alves resolveu assumir a sua paternidade na tentativa de forçar um terceiro turno.

Isso lhe tem tirado o sono?
 
Deda– Não. Mas de certa forma chateia a gente. Como dois governadores já foram cassados sob acusação de abuso da máquina, muita gente em Sergipe imagina que o nosso caso é igual ao deles. E não é. Repito: não há um só ato ilegal que tenha sido praticado por mim nem durante a campanha nem nesses dois anos e seis meses de governo.
 
Como está sua relação com o PSDB do deputado Albano Franco?
 
Deda– Boa. O PSDB em 98 indicou o vice de João Alves (governador) mas em 2002 apoiou o nosso candidato (José Eduardo Dutra, do PT), no segundo turno. Em 2004 ficou comigo na reeleição para prefeito,  mas formalmente em 2006 se aliou ao PFL, embora uma grande parte do partido tenha ficado no nosso palanque. Não creio em apoio deles a mim, em 2010, porque a pressão de Serra será muito grande para que eles apóiem o candidato do DEM (que deverá ser João Alves novamente). Mas estou tranquilo para a reeleição.

A chapa de 2010 já está fechada?
 
Deda– Não. Uma vaga do Senado será do PSB (Antonio Carlos Valadares) e a outra do PMDB (Jackson Barreto ou Almeida Lima). Mas a vaga de vice está em aberto. Quem sabe não poderemos negociá-la com o PSC, que tem um deputado federal e é um partido forte em nosso Estado?.

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Dia do enterro

Em entrevista ao blog, o deputado Sílvio Costa (PMN-PE) garantiu que a proposta de reforma política ora em tramitação na Câmara Federal deverá sepultada nesta quarta-feira, quando o presidente Michel Temer (PMDB-SP) colocar em votação um requerimento de urgência subscrito por vários líderes pedindo pressa no exame da matéria.

Para poder vigorar nas próximas eleições, a reforma terá que ser aprovada até 30 de setembro próximo, algo praticamente impossível porque não há consenso em torno de nada.

Para o deputado Sílvio Costa, os dois principais itens da reforma – a lista fechada e o financiamento público de campanha – não têm a menor chance de aprovação.

Eis sua entrevista:

Por que o senhor não acredita na aprovação deste projeto?

Sílvio Costa – Porque ele tem um vício de origem. Não é prerrogativa do Executivo propor reforma política ao Poder Legislativo.  Seria a mesma coisa de o Poder Legislativo dizer ao Executivo com quantos ministérios ele deve governar.

Além disso, uma reforma política e eleitoral profunda tem que ser feita por emenda constitucional e não por lei ordinária, como quer o deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RG).

Por que não concorda com a lista fechada, ou pré-estabelecida, como alguns congressistas a denominam?

Sílvio Costa – Porque ela tira o direito do eleitor de eleger seu representante e, além disso, cria a indústria do delegado partidário.

Como assim?

Sílvio Costa – Em primeiro lugar ela impede a renovação política porque os nomes que iriam para a lista seriam sempre os mesmos. No caso do DEM de Pernambuco, por exemplo, você acha que um candidato novato passaria na frente de Roberto Magalhães, André de Paula, Mendonça Filho, Joaquim Francisco, Guilherme Coelho e Tony Gel? Nunca.

Por outro lado, ela fortalece os caciques partidários, que dificilmente dariam vez aos líderes mais jovens. Cada cacique ficaria responsável pela elaboração de sua própria lista e o índice de renovação seria zero.

Por último, lista fechada só dá certo em países parlamentaristas. Os países presidencialistas que a adotam – Chile, Argentina e outros – já estão admitindo a sua extinção.

Qual a sua opinião sobre o financiamento público?

Sílvio Costa – Também sou contra. Além de o voto no Brasil ser obrigatório, o eleitor ainda teria que pagar pra votar? Isso é um erro, uma deformação da democracia. Além disso, já existe no Brasil o financiamento público de campanha através do fundo partidário e dos programas do rádio e da televisão. Ou alguém imagina que isso é de graça?

Hoje, aliás, está institucionalizada em nosso país a indústria do fundo partidário. Uma grande parte dos presidentes dos partidos sobrevive desse dinheiro, inclusive para fazer feira. Reforma política é perda de tempo porque o país não precisa dela para renovar os seus homens públicos tanto na Câmara como no Senado.

Pelo seu desejo, então, ficaria tudo como se encontra?

Sílvio Costa – Eu tenho muita simpatia pelo sistema eleitoral americano e vou à tribuna da Câmara nesta terça-feira fazer um pronunciamento sobre ele.

O que é que eu proponho? Que quando o deputado ou senador aparecer no guia eleitoral do seu partido para pedir voto ao eleitor seja obrigatório um letreiro colado à imagem dizendo mais ou menos o seguinte: “Este deputado está sendo financiado pelo banco A, pela empreiteira B, para indústria C”, e assim por diante.

Se todos se declaram a favor da transparência, o deputado e o senador têm que dizer ao povo quais são os interesses que estão defendendo. Neste particular, inclusive, sou totalmente a favor da regulamentação do lobby que foi proposta por Marco Maciel.

Hoje existe o lobby informal nos corredores da Câmara e do Senado, mas é preciso legalizar isso. Os lobistas têm que mostrar a cara e dizer abertamente que tipo de interesse estão defendendo. O que não pode continuar é o que existe hoje: de cada cinco pessoas que circulam pelos corredores do Congresso, quatro são lobistas.

Defende algum tipo de restrição à criação de partidos políticos?

Sílvio Costa – De jeito nenhum. Para mim, quanto mais partidos, melhor. Sou totalmente favorável à pluralidade partidária. Acho, inclusive, que deveria haver no Brasil o mesmo sistema que existe nos Estados Unidos. O sujeito para ser candidato a algum cargo não precisa sequer estar filiado a partido político. Pode ser candidato avulso.

Como o senhor vê o apoio do PT e do PSDB ao voto de lista e ao financiamento público de campanha?

Sílvio Costa – Com absoluta naturalidade. Mas eu e outros líderes da base governista já comunicamos ao ministro José Múcio a nossa posição: integramos o grupo de resistência à introdução da lista partidária. Se o presidente Michel Temer insistir nessa tese, pariremos imediatamente para a obstrução dos trabalhos.

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Sondando o terreno

João Paulo desembarcou em Recife na tarde deste sábado após ter participado em Brasília na última sexta-feira da reunião extraordinária do diretório nacional do PT.

Em uma rápida entrevista concedida ao blog, ele disse que a viagem à capital do Agreste no próximo dia 11 não tem nada a ver com eleição, mas isso não convence ninguém.

A entrevista

BlogQue balanço o senhor faria da reunião de Brasília?

João Paulo – Politicamente foi uma reunião muito positiva. Discutimos muitos assuntos estratégicos para o futuro do partido, que internamente está muito arrumado. Há tempos eu não via tanta coesão interna.

Blog A que o senhor atribui essa unidade?

João Paulo – Ao amadurecimento de todas as correntes, que finalmente chegaram à conclusão de que o partido não pode viver eternamente dividido.

Blog – O que o senhor achou da atitude de Delúbio Soares de retirar o pedido de refiliação?

João Paulo – Foi uma atitude sensata da parte dele, que inevitavelmente seria derrotado se o pedido fosse posto em votação. Ele resolveu dar um passo atrás assim que percebeu que a maioria do partido era totalmente contrária à volta dele. Ouvi isso do próprio (José) Genoíno (PT) que fazia parte da direção nacional na época dele.

Blog – Mas Delúbio afirmou em seu blog que tudo que fez na tesouraria do partido teve autorização da executiva.

João Paulo – Os nossos companheiros negam isso. Acham que ele foi negligente no comando das finanças, a partir do instante em que resolveu terceirizá-las.

Blog – Qual o significado da visita que o senhor fará a Caruaru nesta segunda-feira?

João Paulo – Uma visita de rotina para atender a um convite de dois companheiros de partido. Vou visitar o prefeito (José Queiroz), a Câmara de Vereadores, que é presidida por um companheiro nosso (o repentista Rogério Menezes) e dar uma entrevista à Rádio Difusora.

Blog – Já é a campanha para o Senado?

João Paulo – De forma nenhuma. O comando do processo é do governador e ele tem dito que apenas em 2010 é que vai tratar de eleições.

Blog – Após Caruaru, qual a próxima cidade a ser visitada?

João Paulo – Petrolina nos dias 16 e 17,  mas tenho também vários convites para ir a cidades fora de Pernambuco. A primeira deve ser Belo Horizonte a convite do ex-prefeito Fernando Pimentel. Depois irei também ao Rio Grande do Sul e à Paraíba.