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Faça o que eu digo mas não faça o que eu faço

Por: *Paulo Valgueiro

Ao ver matéria em que o senador Fernando Bezerra afirma que “veio alguém administrar Petrolina e a cantiga era vender o estádio, o Ceape”, fui pesquisar sobre vendas e doações de áreas públicas do município para ver de qual ex-prefeito o senador estaria falando, e qual não foi minha surpresa ao verificar que o senador falava dele próprio, e não de Julio Lossio como a imprensa local imaginou.

No evento com o ministro interino da Agricultura, nesta terça-feira, 13 de junho, em Petrolina, sem citar nomes, o senador Fernando Bezerra Coelho aproveitou o seu discurso para fazer duras críticas à gestão do ex-prefeito Julio Lossio, o que me levou a fazer uma reflexão sobre o estilo de cada um administrar e o cuidado de cada um com as áreas públicas.

Todos sabem que Julio Lossio vendeu áreas públicas com autorização legislativa, inclusive de vereadores ligados a Fernando Bezerra, com ampla divulgação e com participação democrática, cujos recursos decorrentes de tais vendas foram destinados à construção de AMES, pavimentação de ruas, quartel da Guarda Municipal, vários Clubes de bairro, canal do Pedro Raimundo, entre outros. Nesse caso, o patrimônio público, antes devoluto, foi convertido em patrimônio público, porém com verdadeira utilidade pública e a serviço da melhoria na qualidade de vida da população de Petrolina.

Já o ex-prefeito Fernando Bezerra, nas suas três passagens pela prefeitura, fez, literalmente, aquilo que hoje acusa o ex-prefeito Julio Lossio de ter feito: dilapidou o patrimônio público fazendo infinitas doações de terrenos a entes privados, empresas, amigos, entre outros. Numa pesquisa rápida na legislação de Petrolina, podemos encontrar 196 leis de doações e alienações de terrenos, em seus quase dez anos de mandato de prefeito.

Inclusive, o senador Fernando Bezerra foi alvo de investigações pelo Ministério Público Federal e pela SPU – Secretaria do Patrimônio da União – por irregularidades na venda de terrenos que passaram a integrar o seu próprio patrimônio, mais especificamente um terreno onde foi construído o Hotel Íbis, de sua propriedade e de sua família, bem como o terreno em que foi construído o River Shopping, como foi amplamente noticiado em blogs da região e na mídia nacional (Quer Saber Política?- Folha de São Paulo, entre outros).

Sobre os recursos oriundos da venda dos terrenos municipais na gestão de Júlio Lossio, todos sabemos onde estão: AMES, Clube de bairro, canal, pavimentações, entre outros. Já sobre os recursos provenientes do terreno vendido duas vezes (como o próprio senador assumiu em nota ter vendido um terreno em seu primeiro mandato e, “por equívoco”, o mesmo terreno foi vendido novamente em seu segundo mandato), as áreas generosamente doadas “aos amigos” por meio das quase 200 leis municipais sancionadas em seus mandatos de prefeito, a população gostaria de saber o destino e quais valores desses recursos foram aplicados em prol da população de Petrolina.

De fato, há uma grande diferença entre o “Novo Tempo” e o “Velho Tempo”, que se confundem, e o “Tempo de Cuidar das Pessoas” que o prefeito Julio Lossio inaugurou em Petrolina.

*Paulo Valgueiro (PMDB) é o líder da Oposição na Câmara Municipal de Petrolina.

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FHC também defende o óbvio: eleições gerais

Por: *José Arnaldo Amaral

Alvíssaras! Creio que o ex-presidente Fernando Henrique Cardodo andou lendo este Blog, pois o cacique tucano/fabiano também defende eleições gerais e diretas, já, posição que passei a defender desde a semana passada por não acreditar mais no governo do presidente Michel Temer. 

Nada mais óbvio e ululante. Com o sistema eleitoral brasileiro corrompido e mandatos eletivos contaminados, a saída é a realização de eleições diretas já, de vereador a presidente da República.  

O povo, portanto, deve ser chamado a intervir, escolhendo novos e decentes representantes. Ou, querendo, manter seus velhos e corruptos mandatários, inclusive, se for o caso, e se for por obra da maioria do eleitorado, reelegendo Lula, presidente do Brasil.

A propósito, o professor (de matemática), pastor, ex-vereador, ex-deputado estadual e atual prefeito de Olinda (Lupércio Nascimento) se mantém silente sobre a colaboração financeira que recebeu da Odebrecht na última campanha eleitoral. 

Do mesmo modo, não comentou a condenação, pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (SP), do presidente nacional do partido dele (Solidariedade), deputado federal Paulo Pereira da Silva, o “Paulinho da Força”. 

*José Arnaldo Amaral é advogado e ex-prefeito de Olinda.

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O impacto das reformas para os trabalhadores do comércio

Por: *Valmir de Almeida Lima

Estamos atravessando um momento difícil em nosso país, com cerca de 14 milhões de trabalhadores desempregados e uma das crises econômicas mais longas e duras da história. Estamos acompanhando os passos dos deputados e senadores que votam a favor e contra as reformas da Previdência e Trabalhista.

A nossa base, tanto da Federação quanto da Confederação e os nossos sindicatos filiados são contra essas “deformas”, porque entendemos que os trabalhadores do comércio e serviços em geral terão um grande prejuízo.

A proposta do governo Temer quer a divisão das férias, rescisão por “acordo”, com pagamento a menor de direitos aos trabalhadores, diminuição na multa rescisória de FGTS, trabalho por horas intermitentes, terceirização sem limites e em todos os níveis e para todas as empresas entre muitos outros prejuízos aos direitos dos trabalhadores. Retirando a legitima representatividade das entidades sindicais de defesa dos interesses e direitos conseguidos a custa de muita luta e sangue e suor derramados pelos trabalhadores.

Num momento como este, se faz necessário que as autoridades do nosso país reflitam melhor sobre suas decisões para que não agravem ainda mais a situação. Chegou o momento de cada trabalhador procurar seu deputado e seus senadores a fim de pressioná-los para que não votem contra os trabalhadores. A Confederação, as Federações e os sindicatos de base compareceram à “Marcha à Brasília”, que ocorreu no dia 24 de maio, e vão permanecer na defesa da garantia dos direitos dos trabalhadores do comércio.

Os trabalhadores no comércio e serviços estão decepcionados com seus representantes porque tudo o que vem sendo aprovado no Congresso é contra eles. Estamos preocupados com a falta de esperança, mas não vamos esmorecer até uma vitória que os beneficie.

*Valmir de Almeida Lima é presidente da Federação dos Empregados no Comércio do Norte e do Nordeste

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Permanência de Michel no poder é um ataque à ética política

Por: *Sílvio Costa 

A permanência de Michel Temer na Presidência da República é o maior ataque à ética política da história do Brasil. Um absurdo sem precedentes. É óbvia essa constatação quando assistimos a nossa democracia ser torpedeada sucessivamente e sem pudores pelos mais espúrios acordos e as mais impatrióticas conspirações de uma maioria de políticos indecentes que se une para tramar a autoproteção a seus crimes.

Políticos cujas tramas agridem, insultam e afrontam o povo brasileiro de uma forma como jamais ocorreu em mais de 500 anos do Brasil. Parte do PMDB e do PSDB elabora um plano para salvar Michel Temer e Aécio Neves. Uma mão suja lava a outra mão suja e as duas limpam os pés de porcelana sujos.

O PSDB tentará salvar Temer de um processo no STF e o PMDB tentará salvar Aécio de um processo no Conselho de Ética do Senado Federal.

Este é o Brasil que eles pretendem levar até 2018. O povo brasileiro não pode permitir esse pacto indecente. Precisamos ir às ruas com firmeza, serenidade e altivez.

A maioria daqueles que insistem na permanência de Michel Temer na presidência é cúmplice da impunidade e parceira da corrupção que aflige o País. A rigor essa maioria está consagrando a corrupção em nosso País.

Essa artimanha para salvar Temer e Aécio representa a defesa da “velha política do rouba, mas faz”. Na cabeça desses aliados para uma “ação entre amigos”, as reformas propostas pelo governo Michel Temer estão acima da ética e da moralidade pública. Pelas reformas, vale tudo. Vale não responder às perguntas da Polícia Federal; vale colocar a Abin para bisbilhotar o ministro do STF, Edson Fachin; vale agredir ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot; vale tudo para unir forças e salvar Temer e Aécio. Vale, inclusive, usar a máquina pública para comprar votos na Câmara Federal e vale trabalhar juntos pelo fim da Operação Lava Jato.

*Sílvio Costa é deputado federal pelo PTdoB-PE.

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Vamos salvar o São João do Nordeste!!!

Por: *Donizete Batista

Não é de hoje que a nossa música nordestina, em especial o forró, vem sofrendo, ou melhor, agonizando. Isso acontece porque outra tradição do Nordeste também está morrendo, o São João.

Há alguns anos, estivemos reunidos, eu, Donizete Batista, Flávio Leandro, Joquinha Gonzaga e o então governador Eduardo Campos. Cobramos dele uma solução para conter a invasão da pornografia musical que tomava conta dos eventos patrocinados pelo Governo do Estado.

Ele nos ouviu e acatou nossa ideia, que era a de oferecer o artista, ao invés de repassar a verba. Nasciam ali os pólos juninos que se espalharam pelo Estado.

O tempo passou, Eduardo não existe mais, a música ruim tomou conta do Nordeste e o São João não é mais São João. Agora existe o “Sãonejo”, festa de peão, Sãoaxé, Sãopornô. E nós, idealizadores de um projeto tão belo e tão adequado para a preservação da nossa cultura, nem mesmos tocamos mais, praticamente.

Fomos engolidos pela ganância dos promotores de eventos e pelo apego da maioria dos políticos a esses grandes promotores. Dessa forma, adeus São João, adeus cultura, adeus forró de verdade e qualidade.

Caruaru já não é mais a mesma “capital do forró”. É só forró? Campina Grande ainda pode dizer que é o maior São João do mundo? Salve Salve Cruz das Almas – Bahia! Só resta lembrar que um povo que não conserva os seus valores, não cultiva sua cultura e não preserva suas tradições, é um povo sem futuro!

Forrozeiros, união! Povo, abra o olho! Estamos sendo lesados e muita gente não quer enxergar.

*Donizete Batista é presidente da Associação Luiz Gonzaga dos Forrozeiros do Brasil

ObservaçãoProtesto semelhante foi feito neste final de semana por Elba Ramalho, Alcimar Monteiro e Silvério Pessoa. Todos, representantes da autêntica música nordestina, condenaram a “invasão” do Nordeste por parte de duplas sertanejas.

Elba chegou a dizer que não tem preconceito contra artista nenhum porque há espaço para todos. Mas não se conforme pelo fato de Biliu de Campina e Alcimar Monteiro terem ficado ausentes da programação junina de Campina Grande (PB).

Fica o protesto!

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A ponte para o futuro ruiu

Por: *Pedro Henrique Reynaldo Alves

Ele chegou ao mais alto cargo da República através do tumultuado e  traumático processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, envolvida em escândalos de corrupção e obstrução da justiça, a quem sucedeu cumprindo mandamento constitucional. Prometeu erigir uma “Ponte para o Futuro”, plano de governo bem formulado que atendia aos reclamos da nossa nação, mergulhada em gravíssima crise econômica que jogou na rua do desemprego cerca de 14 milhões de brasileiros.
 
Confesso que acreditei que o professor de Direito Constitucional, Michel Temer, reunia, como poucos, as qualidades adequadas para o grande desafio de realizar, em tão graves circunstâncias, uma transição para um novo Brasil. Afinal, além de se tratar de um ex-presidente da Câmara, Temer presidiu o PMDB, legenda que congrega parte do que há de melhor e pior no cenário político do país, tarefa para político experiente e desenvolto.
 
No entanto, a desenvoltura do diálogo do Presidente da República com um conhecido e delinquente mega-empresário, em encontro na calada da noite, revelou relação promíscua ou mesmo criminosa. O caráter clandestino da gravação, cujos trechos fundamentais já foram atestados por diversos peritos, se equipara à forma furtiva do acesso do meliante ao Palácio do Jaburu, sem registro em agenda oficial ou identificação na portaria. E o silêncio do Presidente, ao não reportar às autoridades competentes o teor das graves afirmações de seu interlocutor, em flagrante prevaricação, só não é mais eloquente que suas suspeitas assertivas, capturadas no áudio.

Os reclamos por perícias técnicas e exame de legalidade da prova, após o conteúdo da gravação ser divulgado e em nenhum momento negado pelo Presidente da República, mais parece o apelo de um moribundo por algumas horas mais de vida.É certo dizer que Temer vinha fazendo um grande trabalho, ao propor e até realizar reformas que há anos seus antecessores negligenciaram, mas isso não confere imunidade para que o presidente pratique crimes de responsabilidade.
 
Nenhuma ponte pode ser construída sobre alicerces corrompidos. E é por isso que a OAB, honrando a tradição de sempre vocalizar os anseios da sociedade civil, em defesa da ordem jurídico-constitucional, se reuniu em caráter extraordinário no último sábado deliberando pela proposição de pedido de “impeachment” do Presidente da República, medida extrema e amarga e que se repete pela terceira vez após a promulgação da Constituição Federal de 1988. Erigida sobre o lamaçal que invadiu o cenário político da nação, a ponte de Temer ruiu.

*Pedro Henrique Reynaldo Alves é conselheiro Federal da OAB.

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O dia seguinte

Por: Edilson Xavier*

Samuel Johnson, escritor inglês, certa vez disse uma grande verdade: que nós só temos duas certezas na vida: a morte e pagar impostos. Eu acrescentaria outra: conviver com corrupção generalizada, que envergonha a todos nós, em todos os níveis da Administração Pública.

Por sua vez, o ex-governador Gustavo Krause, ao escrever excelente artigo, alegou que os políticos nutrem desrespeito pela ética na política, pois está cheia de espertos de toda ordem e exercem cargos públicos nos três níveis da Administração Pública para comprar mandatos, ostentar e enriquecer ilicitamente.

As confissões dos executivos de todas as empreiteiras mostradas ao vivo pela televisão brasileira mostraram em tempo real um verdadeiro filme de horror, em que se utilizam de todos os artifícios possíveis e imagináveis para extorquir do Poder Público os nossos recursos, que nos são tirados na forma de impostos de toda ordem.

O que tem sido exibido com as confissões espontâneas dos colaboradores perante os procuradores da República e perante a Justiça Federal é de uma atuação criminosa que se perde na imensidão e comprovam à exaustão que a classe política, com raríssimas exceções, está nos bolsos das empreiteiras. O que tem elevação de raridade e nos infunde quase perplexidade é o cinismo dos políticos que se exibem na televisão e nos programas partidários como se as gravíssimas denúncias não tivessem o condão de desmoralizá-los, dada a certeza de voltar a exercer os mesmíssimos cargos públicos nas próximas eleições.

Cheguei a escrever no início das investigações que o PT estava agindo como se fosse uma verdadeira organização criminosa. Todavia, com o tempo, lamentavelmente, essa atitude à margem da lei se confirmou, e não só esse partido mas a maioria ou quase todos que têm assento no Congresso Nacional – deputados e senadores – deveriam ter seus respectivos registros cassados pela Justiça Eleitoral e banidos da vida partidária. É o que prescreve a Lei dos Partidos Políticos para os que utilizam recursos de origem duvidosa e não declarados.

As declarações dos dirigentes das empreiteiras e de ex-diretores da Petrobras colocam na cena do crime todos os políticos importantes que nos enganaram por muito tempo: Lula, Aécio, Alckmin, Temer e tantos outros que se diziam honestos. E agora, em quem votar em 2018 já que esse bando de cínicos e desonestos provavelmente ficará fora da eleição?

Observem o que nos restará para o voto para presidente: uma evangélica fanática, como Marina Silva, um desajustado como Ciro Gomes, um riquinho de São Paulo, João Dória, e agora pelas pesquisas aquele sempre gostou de golpe militar, o Jair Bolsonaro. Pelo jeito, salve-se quem puder porque com a classe política que temos hoje o país permanecerá nesse imenso atoleiro moral.

*Edilson Xavier é ex-presidente da Câmara Municipal e da OAB de Arcoverde.

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O Brasil não precisa de um novo presidente

Por: Elias Gomes*

Não foi pesadelo, não é ficção. Cheio de reviravoltas, o dia 18 de maio entrará para a história do país com cara de profusão hollywoodiana. O agravamento da crise política chega para desacelerar a retomada do crescimento econômico que a gente já ensaiava. Olhamos para os lados, vemos oposição revanchista e um governo caindo em cascata. Estamos sem saída.

Agora, ou vamos assistir, desesperados, a esse mesmo governo sangrar, ou vamos ser práticos, dar meia volta no fundo do poço e procurar nosso próprio milagre de ressurreição. Eu aposto no segundo cavalo, o único que ainda tem pernas para tentar.

Apesar de essa minha opinião causar alguma polêmica e de constitucionalistas acreditarem que ela vai contra a Constituição, é razoável e pedagógico pensar num plano de salvação brasileiro que fuja das alternativas tradicionais de solução política. Países civilizados, de continentes diversos, já em momentos de impasse ou de transição, adotaram esse caminho, fazendo faxinas radicais e objetivas em suas casas. O Pacto de Moncloa, da Espanha (em óbvias outras circunstâncias), está aí para provar, não está? Pois bem, um pacto pelo Brasil e a convocação de uma eleição geral seria o reencontro com a nossa Pasárgada.

Como cidadão, como brasileiro, como político, eu estou agora não é preocupado com o destino do governo Temer, com o destino do PMDB, com o destino de lideranças do PSDB (embora sofra por ver companheiros do meu partido em posição suspicaz). Estou preocupado com o todo, com nós todos. Todos os brasileiros. Toda nossa necessidade de se desapegar do poder, de posições, de vaidades, de agrupamentos, de individualismo.

É necessário que alguém neste país chame as lideranças para construir um pacto. Um pacto para salvar o Brasil do agravamento da crise econômica, do crescimento do desemprego, da miséria, da angústia, da desesperança, do sofrimento, da desconfiança comercial e internacional.

Alguém que aposte em eleições para um governo transitório, com os partidos assumindo o compromisso de lançar um candidato de união nacional para fazer essa transição. Isso é possível num momento em que a nação está tão dividida, tão radicalizada? Com boa vontade, sim. Na hora em que todos estão morrendo afogados, quem tem condições de negar a chegada a um mesmo barco? Um barco que lembre que a política não é somente confrontos, luta de poder, de interesses.

Não adianta a oposição pedir impeachment se ela não tem autoridade pra isso. Não adianta investir em revanchismo, em gestão feita dentro de caixinhas de pouca maturidade.

Adianta flexibilizar a Constituição à nossa atual necessidade. Adianta envolver o Poder Judiciário, ouvir o setor dos trabalhadores, adianta conversar com o setor empresarial, com a Ordem dos Advogados do Brasil, com a sociedade.

Adianta atropelar nossos entraves. Nossa mania de país acirrado, dividido, que sustenta políticos que não tenham a cultura de dialogar em torno de um projeto.

Para esse momento, não precisamos de um presidente da República. Precisamos de um pacificador, alguém com perfil centrista, de carreira ilibada e boa circulação em todos os lados. Alguém capaz de promover união nacional em atuação suprapartidária. Gente como a Ellen Gracie, ex-presidente do STF, gente como a Carmem Lúcia, atual presidente da mesma Corte, gente como Eliana Calmon, ex-ministra do STJ, gente como Cristovam Buarque, Joaquim Barbosa, gente como o Raul Jungmann, que quase acaba de entregar o cargo de ministro da defesa do governo Temer.

Por fim, mesmo diante da escassez de lideranças com expressão no Brasil, venho lembrar de um nome que, ao meu ver, é o mais talhado para esta missão: o brilhante magistrado Nélson Jobim, ex-presidente do STF, com próximo diálogo ao judiciário, ex-ministro da Justiça do

Governo FHC e ex-ministro da defesa do governo Lula, com ampla circulação no mundo da política, podendo articular com forcas partidárias que se degladiam há anos.

Precisamos dessa gente tanto quanto precisamos de um time de conselheiros notáveis, como FHC, Frei Betto, o próprio Lula, e outras figuras de destaque da academia, dos segmentos empresarial e trabalhador, do universo das mulheres , da juventude, dos artistas.

Precisamos desfazer os poderes de ilegitimidade e abandonar modelos esgotados de administração pública. Tenho quatro décadas de vida pública e me sinto no direito de sonhar. Sonhar com eleições em setembro, para um presidente da República que assuma em outubro, e que faça um governo de transição até 2018, entregando ao seu sucessor um país pacificado, e com as reformas necessárias e possíveis efetivadas. Sonhar com um novo tempo e uma nova chance de sonhar. Um sonho feito de excepcionalidade, com anuência inédita da nossa Constituição, que pode, aos pragmáticos, parecer utopia.

Obama e Martin Luther King mudaram a história do mundo sabendo sonhar. A gente também pode mudar. Terminei o dia 17 usando meu perfil no Twitter para propor eleições gerais e falando em novo pacto nacional. Quero terminar essa quinta-feira, 18, com Drummond e poesia:

“Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?”.

Agora, José, vamos ousar, superar, unificar. Outra saída não há.

*Elias Gomes é ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, atual vice-presidente e futuro presidente do PSDB Pernambuco.

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A melhor chance (para aprovar a cláusula de barreira)

Por: Aécio Neves*

A política nunca esteve tão dissociada da vida dos brasileiros. O país só vai mudar, avançar, superar suas dificuldades, quando a atividade política conquistar o reconhecimento da sua legitimidade. E, para isso, precisamos de mudanças concretas e rápidas.

Hoje as decisões tomadas pelos governantes estão distantes dos anseios dos governados. Os eleitores não se sentem representados nas Câmaras de Vereadores, nas Assembleias Legislativas, no Congresso, no Executivo. É assim no Brasil, tem sido assim também em muitos lugares do mundo.

Esse divórcio distorce o exercício de poder, alimenta a corrupção, contamina a construção de consensos, desestimula a participação da população e alimenta conflitos desnecessários. Sem maior interação entre governo, política e sociedade, a democracia fenece.

Acaba de ser aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara uma Proposta de Emenda Constitucional de minha autoria e do senador Ricardo Ferraço que estabelece novas regras para funcionamento dos partidos políticos e veda a possibilidade de coligações partidárias nas eleições proporcionais.

A intenção é caminharmos para uma representação política mais próxima do que espera a sociedade e proporcionar melhores condições de governabilidade para o país. Tal como é hoje, não conseguimos nem uma coisa nem outra.

O Brasil tem atualmente 27 partidos representados no Congresso, 35 registrados na Justiça Eleitoral e mais 58 na fila aguardando pela regularização. O que explica isso? O simples fato de a proliferação de legendas ter se tornado em alguns casos um rentável negócio.

Siglas sem nenhuma representatividade, sem qualquer ideologia que as legitimem, são fundadas com propósito único de obter um naco das verbas públicas destinadas no Orçamento da União para custear o funcionamento dos partidos políticos.

Na última semana, em ampla reunião, avançamos na construção de consensos em torno dessa proposta. Aspectos originais foram flexibilizados para que pudéssemos dar os primeiros passos de mudança na realidade. Essa não é a melhor reforma, mas é a possível de ser implementada já. Outros aspectos, como a mudança no sistema eleitoral e o financiamento das campanhas, precisam ser debatidos. E rápido.

Buscar maior legitimidade da representação político-partidária é um dos passos fundamentais para resgatarmos, aos olhos de muitos brasileiros, a importância da atividade política como pilar de defesa da democracia. O distanciamento entre a população e seus canais de representação política é terreno fértil para o crescimento da demagogia, da desinformação e do autoritarismo, os grandes adversários de uma sociedade democrática.

*Artigo publicado na Folha de São Paulo desta segunda-feira (15/05)

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Lula não pode ser condenada pela pós-verdade

Por: *Sílvio Costa

Em 2016, o dicionário Oxford – um dos mais respeitados do mundo no catálogo de novas palavras – escolheu “pós-verdade” como a palavra do ano.

“Pós-verdade” é uma palavra onde a convicção substitui a verdade, onde aquilo em que as pessoas acreditam atropela os fatos.

Não acredito que o juiz Sérgio Moro condene o ex-presidente Lula utilizando-se da “pós-verdade”.  Na próxima quarta-feira (10), o ex-presidente Lula e Sérgio Moro estarão frente a frente e o Brasil inteiro tomará conhecimento deste depoimento. 

A Constituição da República diz que para uma cidadã ou um cidadão brasileiro ser condenado é preciso que exista a materialidade do crime. Nesta audiência, o ex-presidente Lula será ouvido sobre o processo do tríplex do Guarujá.

Um imóvel que o próprio delator, o empresário Léo Pinheiro, já declarou – em audiência ao juiz Sérgio Moro – que esse apartamento é de propriedade da OAS. Inclusive, ele já foi dado como garantia em operações financeiras realizadas pela construtora. 

Portanto, o apartamento não pertence ao ex-presidente Lula. Porém, os adeptos da “pós-verdade” já concluíram que o imóvel pertence ao ex-presidente, e tornam letra morta o que a Constituição da República diz. 

Custa-me acreditar que o juiz Sérgio Moro, que está prestando um grande serviço ao país, vá utilizar-se de convicções, de opiniões, e atropele a Constituição do Brasil. O juiz Sérgio Moro não vai seguir  a “pós-verdade”. 

Como num clássico de futebol, existem torcedores dos dois lados. Entretanto, o magistrado Sérgio Moro sabe que o “grande juiz é aquele que não aparece para a torcida”.

* Sílvio Costa é deputado federal e vice-líder da Oposição na Câmara dos Deputados.