Carnaval de Pernambuco já deveria ser autossustentável

Coluna Fogo Cruzado – 2 de março de 2019

Pelo volume de pessoas que atrai de todas as partes do Brasil e até do exterior, o carnaval de Pernambuco já poderia ser autossustentável. Afinal de contas, uma festa que é exibida em rede nacional de TV para milhões de pessoas do mundo inteiro já tem como autofinanciar-se sem precisar de recursos públicos. No entanto, ela continua custando aos pernambucanos um volume considerável de recursos. Empetur e Fundação de Cultura da Cidade do Recife gastam em média R$ 40 milhões para a realização desta festa, que envolve mais de duas mil atrações em 45 pólos espalhados pela capital, totalmente gratuita. Que a festa seja gratuita tudo bem, pois se trata da maior festa popular de Pernambuco e o povo também tem direito a lazer e à diversão. Mas se fosse encarada com o mesmo espírito da iniciativa privada, já seria autossustentável há muito tempo. Garante o prefeito de Olinda, professor Lupércio, que já conseguiu isto em sua cidade. Ou seja, fazer o monumental o carnaval do seu município sem nenhum centavo dos cofres públicos. Se for mesmo verdade, isto deve inspirar também o carnaval do Recife e o São João de Caruaru, que também é outro evento a ter condições de ser totalmente bancado pela iniciativa privada dada a quantidade de pessoas que atrai para a capital do Agreste.

Festa estadual

Informa o secretário estadual do turismo, Rodrigo Novaes, que o carnaval de Salvador é totalmente bancado pelo Governo da Bahia, que faz inclusive a captação dos patrocínios. Já em Pernambuco é diferente. O do Recife é bancado pelo Recife, o de Olinda por Olinda, e por aí vai.

Cachês em dia

Este ano, o Governo do Estado e a PCR prometem pagar os cachês dos artistas que se apresentarão no carnaval em até 90 dias após a realização dos shows. Oxalá cumpra a promessa, pois pegou muito mal para a Fundarpe o desabafo feito em 2018 pelo cantor Alcimar Monteiro reclamando pelo atraso do pagamento de seus shows.

Vítima de meningite

A morte, nesta sexta-feira (1), no Hospital Bartira, em São Paulo, de Arthur Araújo Lula da Silva, de 7 anos, neto do ex-presidente Lula, consternou o Brasil. Uma criança desta idade morrer vítima de meningite é de cortar coração.

Morte do irmão

Dois meses atrás, Lula perdeu o irmão, Genival, conhecido como “Vavá”, em decorrência de um câncer no pulmão. Os advogados do ex-presidente pediram autorização à Justiça para ele comparecer ao velório, mas o pedido foi negado.

Previsão legal

O artigo 120 da Lei de Execuções Penais estabelece que “os condenados que cumprem pena em regime fechado ou semiaberto e os presos provisórios poderão obter permissão para sair do estabelecimento, mediante escolta, quando ocorrer um dos seguintes fatos: falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão”.

Sem direito

Lula solicitou também autorização judicial para comparecer ao velório do advogado e ex-deputado Sigmaringa Seixas (DF), que era seu amigo, mas a Justiça também indeferiu. Entendeu que o fato de ser amigo do ex-parlamentar não lhe dava esse direito.

Pelo bom senso

“Espero que prevaleça o bom senso, a justiça e até o sentimento de solidariedade humana no sentido de que Lula seja autorizado a se despedir do neto”, escreveu em seu Twitter o governador da Bahia, Rui Costa, do mesmo partido do ex-presidente. Seu colega do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), completou: “Espero que não cometam a indignidade, a inominável violência, de impedir que o presidente Lula compareça ao velório do seu neto”.

Posando de “coitado”

Deputado reeleito por SP, Eduardo Bolsonaro (PSL) manifestou-se contrariamente à presença de Lula no velório do neto. Ele disse que se a Justiça desse autorização para que o ex-presidente saísse da cadeia ele ficaria “posando de coitado” perante o Brasil.

A primeira capitulação

A decisão do ministro Sérgio Moro (Justiça) de revogar a nomeação da cientista política Ilona Szabó para uma vaga de suplente no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, por pressão de bolsonaristas, foi a primeira capitulação do ex-juiz da Lava Jato, que, como não tem mais emprego vitalício, vai ter que concordar com muita coisa do pensamento do presidente Jair Bolsonaro.

Vitória da intolerância

Até o presidente nacional do PPS, ex-deputado Roberto Freire, criticou a decisão do ministro da Justiça. “Venceu a intolerância. Perdeu o respeito ao pluralismo democrático nos conselhos da República”, escreveu no seu Twitter.

Revisão da idade mínima

Um dia após Jair Bolsonaro ter admitido para jornalistas que poderá rever alguns tópicos do projeto de reforma previdenciária, entre eles a idade mínima para mulheres, a nova líder do governo na Câmara, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), desdisse o presidente. Garantiu o projeto está mantido (62 anos para mulheres e 65 para homens) e ponto final.