Câmara nivela Maia a Ulysses Guimarães

Coluna Fogo Cruzado – 12 de julho de 2019

A votação da reforma previdenciária revelou ao Brasil um novo líder sobre o qual ainda iremos falar muito nos próximos anos e talvez décadas. Trata-se do deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara Federal. Foi ele quem se empenhou, pessoalmente, pela aprovação dessa reforma após mais de cinco meses de negociações com os líderes dos partidos representados na Casa. Teve mais protagonismo na aprovação da matéria que o próprio presidente Jair Bolsonaro, que enviou o projeto à Câmara e disse que já tinha feito a sua parte. E que a bola a partir de então estava com os parlamentares. Rodrigo Maia enfrentou incompreensões de toda ordem nos partidos do governo e da oposição, mas em nenhum momento perdeu a serenidade. Sempre acreditou que era possível a aprovação da matéria, preservando a sua essência, e convenceu a maioria dos colegas de que é chegada a hora de reformar o estado brasileiro não apenas com essa reforma, mas também com a reforma tributária que é a próxima batalha a ser enfrentada. Maia agigantou-se de tal forma que não é exagero compará-lo em dimensão política ao ex-deputado Ulysses Guimarães, que presidiu a um só tempo a Câmara, a Constituinte de 1988 e o PMDB. Quem saiu menor foram o PT, o PSB, o PDT, o PCdoB e o PSOL, que apostaram no discurso demagógico, irresponsável e populista de que a reforma é contra o povo e deixaram a Câmara envergonhados pelo ínfimo número de votos que conseguiram arregimentar: apenas 131 em 510. Uma surra histórica!

Pela desincompatibilização

Independente da tarefa que receber do seu partido para desempenhar em 2020, o secretário municipal de Segurança Cidadã, Murilo Cavalcanti (MDB), deixará o cargo em 5 de abril do próximo ano para preservar sua elegibilidade. Ele transformou o Compaz numa “vitrine nacional” e semanalmente recebe pessoas do país inteiro interessadas em conhecê-lo.

Renovação de quadros

O ex-governador Joaquim Francisco (PSDB) não diz isso por vaidade e sim em respeito à verdade dos fatos. Ao lado de Moura Cavalcanti e Eduardo Campos, foi quem mais renovou a política pernambucana nos últimos 40 anos. Teve como assessores Romário Dias, Mendonça Filho, José Neto, Bruno Araújo e João Roma Neto. Este último é deputado federal pela Bahia. 

Qual foi a contribuição?

O senador Fernando Bezerra (MDB) afirma que o governador Paulo Câmara “também contribuiu” para a aprovação do texto-base da reforma previdenciária, mas não explicou como se deu essa colaboração. O que se sabe do governador é que apoiou no PSB o fechamento de questão contra a reforma, e que ficou solidário a Danilo Cabral e Tadeu Alencar, que votaram contra.

Partido com dono

Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, promete punição para deputados do partido que votaram a favor da reforma previdenciária. Um dos seus alvos é Tábata Amaral, o melhor quadro que o partido tem em SP. Ela se tornou uma referência nacional no debate sobre educação e deveria ter pensado melhor antes de se filiar a um partido político que tem “dono”.

Susto na estrada

Quando voltava do Recife para Ingazeira na última 4ª feira (10), o prefeito Lino Moraes (PSB) quase morre num acidente de carro. A caminhonete em que viajava bateu num boi que pastava solto na estrada entre Sertânia e o distrito de Albuquerque Né. O veículo ficou totalmente danificado, mas o prefeito saiu ileso da colisão. Já a estrada parece uma tábua de pirulito.

Homenagem ao cineasta

Próximo dia 23 o presidente Bolsonaro estará em Vitória da Conquista (BA) para inaugurar o Aeroporto Gláuber Rocha. O cineasta, que nasceu naquele município, tem uma série de discípulos em Pernambuco, entre eles Jomard Muniz de Brito e Amim Stepple. Já Miguel Arraes foi grande amigo de um ex-prefeito daquela cidade: Pedral Sampaio (1925-2014).

Batata quente

Está nas mãos de Bruno Araújo, presidente nacional do PSDB, resolver a maior crise com que o partido deparou ao longo deste ano: escolher entre o prefeito Bruno Covas (SP) e o deputado Aécio Neves. “Ou ele ou eu”, disse o prefeito paulistano, afilhado de João Doria. Aécio não é um tucano qualquer, mas perdeu aliados importantes, entre eles o próprio Araújo.