Bruno intervém no PSDB pernambucano

Coluna Fogo Cruzado – 10 de junho de 2019

Respaldado pelo governador de São Paulo, João Doria, o novo presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, começou a moldar o partido à sua imagem e semelhança. Dissolveu os cinco diretórios que não realizaram suas convenções regionais no mês de abril, conforme havia sido determinado pela nacional, entre eles o de Pernambuco, e designou pessoas de sua confiança para comandá-los. O curioso é que o presidente do diretório pernambucano era o próprio Bruno Araújo. Ele deixou que o diretório regional caducasse a fim de que, como presidente nacional, pudesse indicar para substituí-lo uma pessoa de sua confiança. Escolheu a deputada estadual Alessandra Vieira cuja maior credencial para enfrentar esse desafio é ser casada com o prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, Édson Vieira. Araújo poderia muito bem ter preservado a direção estadual que já estava constituída com o ex-governador João Lyra Neto na vaga de 1º vice, mas não concordou com essa solução. Optou pela dissolução do diretório e a consequente nomeação de uma nova executiva, que só deverá estar concluída na próxima quinta-feira com pelo menos três nomes já confirmados: os prefeito Joaquim Neto (Gravatá) e Judite Botafogo (Lagoa do Carro) o ex-deputado Betinho Gomes.

Ausência justificada

A prefeita Raquel Lyra não participou da reunião do PSDB que ocorreu sábado no Recife na qual a deputada Alessandra Vieira foi apresentada por Bruno Araújo como sua nova presidente. Tinha reunião agendada em Caruaru com patrocinadores do São João e não pôde viajar. Já o ex-deputado Betinho Gomes apareceu para negar a versão de que estaria saindo do partido.

Pra sair das cinzas

Alessandra Vieira assume o PSDB pernambucano com a responsabilidade de tirar o partido do fundo do poço. O PSDB tem apenas um diretório municipal constituído que é o de Caruaru. E nas eleições de 2018, sob o comando do próprio Bruno Araújo, teve o pior desempenho de sua história: não elegeu nenhum deputado federal e emplacou apenas um deputado estadual.

Cadê os candidatos?

Para mostrar serviço à frente do PSDB nacional, Bruno Araújo tem que se virar para que o partido eleja em Pernambuco no próximo ano pelo menos 20 prefeitos. O difícil é “fabricar” candidatos competitivos no Recife, Olinda, Jaboatão, Cabo, Paulista, Igarassu e Ipojuca, para ficar apenas nos municípios metropolitanos. De Vitória em direção ao interior será mais difícil ainda.   

Sem cobrar cachê

Murilo Cavalcanti, secretário de Segurança Urbana da prefeitura do Recife, deu entrevista ontem de página inteira à “Folha de São Paulo”. Ele não pára de fazer palestras pelo Brasil sobre a exitosa política de Bogotá e Medellín no combate à violência, de onde se originou o Compaz. Sexta falou em Fortaleza, hoje falará no RJ e no próximo dia 14 em Vitória (ES).

Sem choro e nem vela

Depois que o STF decidiu, por unanimidade, que empresa estatal para ser privatizada precisa de autorização do Congresso, mas subsidiárias estão livres dessa formalidade, a Chesf passou a ser apontada como uma das primeiras da lista. Ela já foi uma das empresas-símbolo do Nordeste junto com a Sudene e o BNB. Mas, hoje, o povo quer que ela funcione, seja estatal ou não.

E se não tiver dinheiro?

O Congresso aprovou na semana passada a PEC que torna impositivas as emendas parlamentares das bancadas estaduais. Foram 364 votos a favor e apenas dois contra. O risco é termos no país mais uma “lei morta”, pois, se não tiver dinheiro, como é que a União vai pagá-las? É o que já ocorre em Pernambuco. As emendas são impositivas, mas o governo só paga quando pode.   

Com os braços cruzados

O Fórum dos Governadores volta a se reunir amanhã em Brasília para uma nova rodada de discussões sobre a reforma previdenciária. Nada de novo no front. Os governadores do Sul e do Sudeste estão empenhados na sua aprovação e os do Nordeste em cima do muro. São a favor de que a reforma inclua também os estados e municípios, mas não movem uma palha pela sua aprovação.