Bolsonaro governará com frentes e não com partidos

Coluna Fogo Cruzado – 30 de novembro de 2018

Bancadas ruralistas, da saúde e do turismo emplacaram ministros no governo Bolsonaro

Bolsonaro prometeu na campanha que reduziria de 29 para 15 o número de ministros e que não negociaria a indicação deles para o seu governo com base em fisiologismo. Só para refrescar a memória dos leitores, os partidos que derrubaram Dilma no impeachment de 2016, para substituí-la por Michel Temer, ocuparam as pastas rapidamente. E só a Pernambuco couberam quatro: Educação (Mendonça Filho), Cidades (Bruno Araújo), Minas e Energia (Fernando Filho) e Defesa Social (Raul Jungmann). Bolsonaro deseja sepultar esse tipo de prática para instalar no Brasil governo novo e totalmente livre desse tipo de amarras. Antes, o ministro era do presidente mas batia continência para o partido que o indicara. O presidente eleito quer fazer diferente, mesmo ser ter a força necessária para abolir o grau de influência política do Congresso nas indicações. Por exemplo: ele pediu à bancada ruralista que indicassem alguém para a Agricultura e daí surgiu a deputada Teresa Cristina (DEM-MS). A bancada da saúde indicou o deputado Luiz Fernando Mandetta (DEM-MS), a do turismo o deputado Marcelo Álvaro (PSL-MG), e por aí vai. Da cabeça do presidente saíram até agora Onyz Lorenzoni (Casa Civil), Sérgio Moro (Justiça), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), general Heleno (Segurança Institucional), general Azevedo e Silva (Defesa), Gustavo Bebianno (Secretaria Geral) e Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura). Vamos ver no que isso vai dar.

Todos em Brasília

Em seu 1º governo, Paulo Câmara convidou 4 deputados federais para secretários a fim de abrir vagas para suplentes: Danilo Cabral, André de Paula, Sebastião Oliveira e Felipe Carreras. Todos foram reeleitos e desejam permanecer na Câmara. Os suplentes beneficiados foram Augusto Coutinho (SD), Cadoca (PCdoB), Raul Jungmann (PPS) e Fernando Monteiro (PP).

À luta – Diante da insegurança de Luciano Bivar (PSL-PE), que não decidiu ainda se deve disputar ou não a presidência da Câmara Federal, surgiu outro concorrente na bancada do PSL: Júnior Bozella (SP), deputado de primeiro mandato eleito com apenas 78.712 votos (54º lugar).

Menos mal – Bolsonaro parece ter ouvido o grito do Nordeste e decidiu criar um Ministério que pode ser importante para a região: Desenvolvimento Regional (fundindo Integração Nacional e cidades). O ministro é bom (Gustavo Canuto) e conhece todos os pleitos hídricos da Compesa.

A trombada – A missão do ministro Tarcísio Vieira, segundo ele próprio, será “destravar” concessões de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias. Pernambuco reivindica a autonomia do Porto de Suape e não concorda com o modelo de concessão do Aeroporto dos Guararapes.

Ao lixo – Assim que essa história de “Escola sem partido” chegou ao Maranhão, o governador reeleito Flávio Dino (PCdoB) editou um decreto proibindo proibir que professores façam uso de salas de aula para trocar opiniões com seus alunos sobre as grandes questões nacionais.

A decana – Luíza Erundina (PSOL-SP), que hoje completa 84 anos, marcou presença na inauguração da galeria dos ex-líderes da bancada do PSB na Câmara Federal. 27 deputados passaram por lá nos últimos 30 anos, entre eles Ana Arraes, Eduardo Campos e Tadeu Alencar.