Bolsonaro começa a libertar o povo de algo que ele desconhece

Coluna Fogo Cruzado – 4 de janeiro de 2018

Lula e Dilma

Em seu discurso de posse, na última terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro fez uma declaração que teve grande repercussão no exterior: “O povo começou a se libertar do socialismo”, disse ele. Quem não conhece o Brasil tem a impressão de que antes dele (presidente) tivemos governos socialistas, o que é absolutamente falso. No máximo tivemos presidentes que deram ênfase às questões sociais (FHC, Lula e Dilma), mas daí a chamá-los de socialistas vai uma distância monumental. O próprio presidente Lula, que seria dos três o mais “socialista”, não tomou nenhuma medida que pudesse ser considerada digna deste nome. Muito pelo contrário, conviveu amigavelmente com banqueiros, empreiteiros e latifundiários, sem em nenhum momento pôr em risco os seus (deles) interesses e privilégios. O programa do PT fala em “socialismo” com algo desejado, mas nem Lula nem Dilma praticaram qualquer ato de natureza socialista. Lula entregou o Banco Central a um ex-presidente do um banco norte-americano (Henrique Meirelles) e Dilma o Ministério da Fazenda a um ex-dirigente do Bradesco (Nélson Barbosa). Que danado de socialismo é este? Esse mesmo raciocínio se aplica também a governadores que se elegeram por partidos que têm o “socialismo” no nome: Miguel Arraes, Eduardo Campos e Paulo Câmara (Pernambuco), Renato Casagrande (Espírito Santo), Ricardo Coutinho (Paraíba), etc. Nem mesmo o comunista (do PCdoB) Flávio Dino, que acaba de renovar o mandato no Maranhão, praticou qualquer ato de governo que possa ser chamado de “socialista”. Motivo pelo qual a observação de Bolsonaro de que os brasileiros começaram a se libertar do “socialismo” foi apenas uma frase de efeito, sem qualquer relação com a realidade.

A razão do fico

Um dos motivos que levaram Paulo Câmara a manter em seus cargos os secretários Antonio de Pádua (Defesa Social) e Fred Amâncio (Educação) foi o resultado. A taxa de homicídios em Pernambuco está caindo há 12 meses e o ensino médio estadual foi apontado como o melhor do país. Não significa que todos que saíram eram ineficientes, mas o governador queria dar uma mexida geral na equipe.

A divisão – Luciano Bivar (PSL) já está com a relação dos cargos federais que existem em Pernambuco e cujos ocupantes deverão sair porque são oriundos dos governos Lula, Dilma e Temer. As nomeações terão que passar pelo crivo do ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil).

O convite – Dilson Peixoto (PT), novo secretário de Desenvolvimento Agrário (ex-Agricultura), deve convidar o deputado não eleito Odacy Amorim (PT) para fazer parte de sua equipe. O sonho de Odacy é a prefeitura de Petrolina, mas ainda estamos muito longe de 2020.

A reforma – O Governo do Estado acordou para a necessidade de fazer uma reforma previdenciária, mas só vai definir o modelo após Bolsonaro enviar o dele para o Congresso Nacional. Uma medida inevitável é a elevação da alíquota dos servidores de 11% para 14%.

A coerência – O discurso de posse do ministro Paulo Guedes (Economia) deixou boa impressão até nos economistas que não têm simpatia pelo liberalismo dele. Foi coerente e didático do início ao fim. O programa dele se resume a três coisas: reforma da previdência, privatizações e reforma tributária, se possível substituindo seis impostos por apenas um.

A mudança – O ex-presidente da OAB-PE, Ricardo Correia, deixou a Procuradoria Geral da Prefeitura do Recife após seis anos no cargo. Vai cuidar do seu escritório de advocacia, mas fica como assessor especial do prefeito Geraldo Júlio. Será substituído por Rafael Figueiredo.