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Senado inocentará Dilma, diz seu ex-líder

Coluna Fogo Cruzado – 29 de maio

Humberto Costa disse no Recife que o PMDB não queria derrubar Dilma por causa das “pedaladas” e sim para livrar-se da Lava Jato

Ex-líder do governo Dilma no Senado, Humberto Costa está apostando que as oposições não terão os 54 votos necessários para afastar a presidente da República em caráter definitivo. Sua expectativa advém do fato de que as conversas gravadas entre Sérgio Machado, José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá teriam mudado o voto de muitos senadores. Alguns que votaram pela admissibilidade da denúncia, como Cristovam Buarque (PPS-DF), por exemplo, não estariam decididos a votar favoravelmente ao impeachment. A denúncia foi acolhida por 55 votos contra 22, donde se deduz que se esse placar for repetido, Dilma não escapará. Humberto acredita, no entanto, que após o vazamento das gravações o clima no Senado se alterou porque ficou claro que o PMDB não queria derrubar Dilma por causa das “pedaladas” e sim para livrar seus membros da Operação Lava Jato. É uma opinião pouco consistente, porém uma opinião.

Pesquisa sobre o “golpe”

Chegou ao conhecimento do PSB pesquisa feita no Recife com 6 mil entrevistas na qual metade dos eleitores acredita que Dilma foi vítima de um “golpe” tal qual dizem PT e PCdoB. Significa que se João Paulo (PT) for candidato a prefeito, terá um argumento forte para se contrapor a Geraldo Júlio (PSB), Daniel Coelho (PSDB), Carlos Augusto Costa (PV) e Priscila Krause (DEM), que apoiaram o impeachment.

Desafio – Márcio Stefanni, ex-secretário da Fazenda e atual do Planejamento, não terá muitos problemas para tocar os programas vinculados à sua pasta, especialmente o FEM (Fundo de Apoio aos Municípios) e o Chapéu de Palha. Seu maior desafio é reaprumar o “Pacto pela Vida”, que começou a desandar desde 2015.

Licença – José Patriota (PSB) afastou-se da presidência da Amupe para cuidar de sua reeleição em Afogados da Ingazeira, mas nem precisava. Até agora, não apareceu ninguém da oposição disposto a enfrentá-lo.

Aposta – Nas casas de aposta de Caruaru, o que mais se discute hoje é se Paulo Câmara tomará partido ou não na próxima eleição municipal, quando irão se enfrentar dois aliados seus: Tony Gel (DEM) e Jorge Gomes (PSB).

Fila – Se o secretário Nilton Mota (Agricultura) desistir da candidatura a prefeito de Surubim, como deseja o governador Paulo Câmara, a bola da vez no PSB será Ana Célia Farias, esposa do vereador Biu Farias.

Reeleição – Os irmãos Anderson (PR) e André (PSC) Ferreira, o primeiro deputado federal e o segundo estadual, ainda não sacramentaram o apoio à reeleição do prefeito Geraldo Júlio (PSB), mas a presença de ambos no Palácio, na posse dos novos secretários, é sintoma de que a aliança está praticamente selada.

Receptor – Danilo Cabral (PSB) não fará oposição a Temer na Câmara Federal, tampouco obedecerá à orientação do líder do governo André Moura (PSC-SE). Ficará numa posição de independência. Ele diz que o novo presidente já falou para o “mercado” e para o “Congresso”, mas ainda falta falar para a “sociedade”.

Pesadelo – Do ex-governador Roberto Magalhães sobre o vazamento dos diálogos entre Sérgio Machado, Sarney e Renan Calheiros: “Custo a crer que um ex-presidente da República e o atual presidente do Congresso acreditaram que poderiam fazer um acordo político com a imprensa e o STF para barrar as investigações da Lava Jato. Sinto-me como se estivesse vivendo um pesadelo e minha única esperança é acordar”.