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Beto foi escolhido vice por exclusão

Coluna Fogo Cruzado – 21 de agosto

Não foi surpresa para o mundo político a escolha do deputado Beto Albuquerque para ser o vice do PSB na chapa encabeçada por Marina Silva. O partido não tem muitos quadros majoritários e entre os que têm esse perfil ele era um dos poucos, senão o único. Cumpre no momento o quarto mandato na Câmara Federal e conhece como a palma da mão o pensamento político de Eduardo Campos porque participou junto com ele não só da construção da candidatura presidencial como da formatação das alianças. Era legítimo e natural que alguns políticos de Pernambuco tenham se esforçado para que a vaga de vice ficasse com um pernambucano. Mas quem? Candidato a vice-presidente tem que ter estatura política para ocupar também a Presidência porque os seres humanos são mortais. Basta atentar para o fato de que nos últimos 62 anos quatro vices chegaram à Presidência da República: Café Filho, João Goulart, José Sarney e Itamar Franco.
O PSB de Pernambuco não tem mais quadros com estatura política para ser presidente da República

A exposição do mito

Nos dois primeiros dias de propaganda eleitoral gratuita, a Frente Popular abusou de falas e imagens do ex-governador Eduardo Campos. O marketing vai avaliar isso com cuidado porque o povo sabe diferenciar a “homenagem” da “exploração política” da figura do mito. Lembrá-lo como a principal liderança do PSB e responsável pela escolha de Paulo Câmara (PSB) para disputar o governo estadual faz parte do “script”, mas além disso pode ser contraproducente.
Futuro – Depois que o deputado Tony Gel (PMDB) passou a compor a Frente Popular, tudo pode acontecer na política de Caruaru daqui a 2 anos, inclusive uma aliança dele com a também deputada Raquel Lyra (PSB) na disputa pela prefeitura. O que facilitará esta aliança é o não apoio de Raquel à reeleição de Wôlney Queiroz (PDT), filho do prefeito José Queiroz (PDT).

Exceções - Dos 14 estados em que Eduardo Campos fez acordos políticos com outras forças, Marina Silva (PSB) só não fará campanha em dois: SP (Geraldo Alckmin) e PR (Beto Richa).

Força – Eduardo Campos não tinha palanque no RJ mas sua substituição por Marina Silva deve melhorar a vida do PSB. Em 2010, ela obteve na “cidade maravilhosa” 31% dos votos válidos.

Aval – Para que o deputado Beto Albuquerque (RS) fosse o vice de Marina Silva, pesou o apoio da ministra Ana Arraes, que externou sua opinião ao secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira.

Opções - Se Pedro Simon (PMDB) não quiser substituir Beto Albuquerque (foto) como candidato a senador no Rio Grande do Sul pela aliança PMDB-PSB, as opções do partido são o ex-prefeito de Porto Alegre, José Fogaça e o ex-presidente da Câmara Federal, Ibsen Pinheiro.

É ela – Do deputado federal e presidente nacional do PPS, Roberto Freire (SP), sobre a substituição de Eduardo Campos por Marina Silva na chapa presidencial do PSB: “Antes, ela era coadjuvante. Quem fazia política era Eduardo. Agora, é ela que tem que fazer esse papel”.

Pesquisa – A Frente Popular já encomendou pesquisa para consumo interno a fim de avaliar como ficou o quadro em Pernambuco após a morte de Eduardo Campos. A cúpula acredita que diante da comoção nacional pela morte trágica do ex-governador o candidato Paulo Câmara (PSB) vai encostar rapidamente no opositor, Armando Monteiro (PTB), que até agora lidera as pesquisas.

Comando – A desenvoltura apresentada até agora pelo prefeito do Recife, Geraldo Júlio (PSB), para ser o substituto de Eduardo Campos no comando da Frente Popular já desagradou a algumas pessoas da família do ex-governador. O prefeito, pelo cargo que ocupa, é quem tem mais visibilidade nos partidos da coligação. Mas o seu jeito de fazer política é contestado por muitos aliados.