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Para salvar a saúde, só a volta da CPMF

Coluna Fogo Cruzado – 29 de agosto

Já era esperada a forte reação dos meios políticos e empresariais contra a proposta de recriação da CPMF (“imposto do cheque”) pelo governo Dilma Rousseff. Afinal, a carga tributária no Brasil é excessivamente alta (36% do PIB) e ninguém paga imposto achando bom, embora ele seja necessário para a manutenção dos serviços públicos. A reação generalizada tem razão de ser. Esse imposto foi criado no governo Itamar Franco para ser destinado exclusivamente à área de saúde. Mas nos governos FHC/Lula o Ministério da Fazenda pegou parte desses recursos para aplicar em outras áreas. Foi quando o Congresso se deu conta do “desvio de finalidade” e decidiu extingui-lo. O governo agora fala em recriá-lo, compartilhando a receita com estados e municípios para facilitar sua aprovação, mas ainda assim será difícil. Certo mesmo é que se o Congresso não aprová-lo a nossa saúde pública vai continuar na UTI. Basta ler os jornais.

A CPMF foi criada no governo Itamar para bancar despesas com saúde, mas nos governos de FHC e Lula houve desvio de finalidade

A delação de Pedro Corrêa

Pressionado pela mulher e os filhos, o ex-deputado Pedro Corrêa teve que trocar de advogado para negociar com o Ministério Público um esquema de delação premiada. O advogado anterior, Michel Saliba, era contra a delação. É o preço que Corrêa teve que pagar para não passar o resto da vida na cadeia. Os seus alvos seriam Lula e o ex-ministros Palocci e José Dirceu, mas terá que apresentar provas contra eles. Só dizer que eles sabiam do “esquema” da Petrobras não vale.

Gol – O governo ganhou de1 x 0 no 1º depoimento da CPI do BNDES. O presidente do Banco, Luciano Coutinho, pernambucano do Recife, respondeu com firmeza todas as perguntas feitas pelos membros da Comissão, a maioria deles sem nenhum preparo para inquirir um dos maiores economistas do país. Betinho Gomes (PSDB) e Augusto Coutinho (PSD) fazem parte dela.

Oferta – Até ontem, 11 partidos já tinham se oferecido para abrigar João Lyra Neto e a filha, Raquel, caso ambos sejam obrigados a deixar o PSB por conta da briga interna em Caruaru.

Crença – Custa crer que Dilma tenha dito a Humberto Costa que parte da Base Aérea do Recife será dada à Infraero para ampliar a pista do Aeroporto dos Guararapes, mas breve saberemos.

Pobreza – A resolução aprovada anteontem pela direção nacional do PSB, chamando o governo Dilma de “neoliberal”, parece documento redigido por grêmio estudantil de quinta categoria.

Vagas – A OAB abriu processo de seleção dos advogados que desejam se habilitar para ocupar a vaga do desembargador Gustavo Lima (foto) no Tribunal de Justiça e de Pedro Paulo Nóbrega no TRT da 6ª região, pelo chamado “Quinto Constitucional”. Se porventura for na lista tríplice, Eduardo Pugliese tem grande chance de ser nomeado para o TRT.

Força – A maior prova de que Eduardo Cunha ainda tem o controle da Câmara Federal é a nota divulgada ontem em defesa do afastamento dele por suspeita de corrupção. Dos 513 deputados, apenas 35 a subscreveram. E, dos 25 de Pernambuco, só dois: Jarbas Vasconcelos e Sílvio Costa. Em passado recente, a bancada pernambucana era mais altiva.

Mudança – Caruaru, historicamente, sempre foi um município conservador, tanto do ponto de vista político como também dos costumes. Basta dizer que nos últimos 39 anos elegeu apenas três prefeitos: José Queiroz (4 mandatos, sendo um de 6 anos), Tony Gel (2 mandatos) e João Lyra Neto (também 2). Se os ventos da renovação soprarem por lá em 2016, Raquel Lyra tem possibilidade de eleger-se. Do contrário, pode dar Jorge Gomes.

Diálogo – Na reunião da executiva nacional do PSB em que se aprovou uma resolução tachando o governo Dilma de “neoliberal”, à semelhança de João Paulo (PT) quando disputou a prefeitura do Recife contra Roberto Magalhães (PFL), o senador Fernando Bezerra Coelho foi, digamos, o “ponto fora da curva”. Ele disse que o PSB é o único partido capaz de dialogar com o governo e a oposição, e não deve jogar fora esse imenso “capital político”.