Armando afirma que a Frente Popular não foi constituída para atender a “interesses eleitorais episódicos”

Após reunir-se com o deputado Pedro Eugênio (PT) na tarde desta segunda-feira, o senador Armando Monteiro (PTB) defendeu a continuidade da Frente Popular de Pernambuco dizendo que ela não foi constituída para atender a “interesses eleitorais episódicos”.

Eis a íntegra de sua entrevista:

Sobre a Frente Popular: “Eu acho que a iniciativa de Pedro Eugênio deve ser entendida como uma disposição que ele afirma, e que nós reconhecemos, com os compromissos e as responsabilidades que temos, com a manutenção desta Frente, que não foi feita ou criada apenas para atender a interesses eleitorais episódicos. Ela foi feita porque dá suporte a um projeto que vem mudando a vida de Pernambuco para melhor, como Pedro disse. Então nós temos responsabilidades, que é preservar a Frente”.

Sobre a pluralidade de opiniões dentro da Frente: “Agora, há um episódio recente neste processo eleitoral que revela muito bem a importância de você considerar que, na pluralidade das forças políticas do Estado, todos têm espaços próprios que somam, do ponto de vista político, para o fortalecimento desta Frente. Por que é que esta chapa de 2010 foi tão exitosa do ponto de vista do desempenho eleitoral? Porque houve a compreensão, na engenharia política, na montagem da chapa, graças à sensibilidade do governador Eduardo Campos, de que você precisava agregar estas forças, que são forças que têm suas identidades, suas trajetórias. Então, reconhecer estas identidades e estas diferenças é algo importante para a manutenção da própria Frente. Eu acho que nós todos temos este compromisso, como homens públicos, com as responsabilidades que temos, de preservar a Frente e garantir espaços de sobrevivência no interior desta própria Frente. Espaços de convivência política, democrática. Quer dizer, há espaços que são de cada um, espaços do PT, espaços do PTB. E nós temos que ter a capacidade política de não fazer com que eventuais divergências municipais e locais comprometam este espírito que nós temos, e as responsabilidades que temos, na construção e manutenção desta Frente”.

Partidos políticos não são seitas: “Somos presidentes exatamente por isto, ou seja, porque temos responsabilidade de poder conduzir com ponderação e com equilíbrio nossas legendas, que é o que nos compete. Agora, os nossos partidos não são seitas. Ou seja, há nos nossos partidos pessoas que têm suas características, suas maneiras de se expressar. Eu vou falar pelo deputado Silvio Costa por ser do meu partido. Ele tem um estilo próprio, uma maneira própria. E quero ser até justo, pois nas suas duas últimas entrevistas, o deputado Silvio Costa tem feito questão de dizer que sua posição não é necessariamente a do partido e que quem fala pelo partido é o presidente do PTB. Ele tem dito isto nas entrevistas. Então, às vezes ele pode fazer uma avaliação que não corresponde à do partido. Agora, o nosso partido não pode proibir um deputado federal, uma liderança, de se manifestar. Ele pode e tem se manifestado sobre estas questões. Mas eu acho que nós, que temos a responsabilidade como dirigentes, Pedro do PT e nós do PTB, temos que ter mesmo esta ponderação, este equilíbrio.

Pedro Eugênio – Nós temos os porta-vozes naturais que são os presidentes. Não é à toa que estamos aqui. E essas conversas que vamos continuar tendo, conversas bilaterais, eu acho que vai chegar o momento de temos reuniões envolvendo vários presidentes, mais adiante. Inclusive combinamos aqui de iniciarmos conversas entre pessoas que vamos delegar, pessoas da direção do partido, para tratar das questões municipais, da construção das alianças municipais, este dia a dia da construção das alianças locais. Quer dizer, este processo todo nós vamos construindo, e quem fala pelo partido, quem tem a palavra pelo partido, é o presidente. Quanto a isto não tenha dúvida. Agora, como disse Armando, nós temos deputados federais e deputados estaduais, lideranças sociais e sindicais, que têm acesso à imprensa e têm legitimidade, representatividade, para se expressar. Nós vivemos um momento recentemente (prazo para filiações) em que as questões municipais se colocaram com muita força, e isto trouxe à tona disputas locais que são muito acirradas. Vamos reconhecer que estas disputas locais elevam a temperatura. Então não vamos tomar a parte pelo todo. São coisas localizadas. De repente aquilo gera uma tensão, um atrito entre A e B, e isto não tem um impacto sobre a Frente que aparentemente pode parecer ter.

Espaços de convivência dos partidos e os casos Petrolina e Serra Talhada

Pedro Eugênio – Nós do PT temos absoluta convicção, e nossos partidos aliados sabem disso, que nestes dois processos (Petrolina e Serra Talhada) nós não agimos no sentido de atrair os quadros políticos para o PT. Ocorreram fatos que fizeram com que eles tomassem a decisão de sair de seus partidos de origem, respectivamente do PSB em Petrolina (Odacy Amorim) e do PR em Serra Talhada (Luciano Duque). E a partir desta decisão já tomada, solicitaram o ingresso no PT. É evidente que, localmente, mesmo seguindo-se este roteiro, surgiram atritos, surgiram insatisfações. Mas a verdade tem muita força e nós temos absoluta convicção de que não nos faltou lealdade para com os partidos que são nossos aliados. E isto então tende a se acalmar, tende a passar.

Armando Monteiro – Primeiro, há o momento da filiação. Porque quando há lideranças expressivas que se movimentam no sentido de sair de um partido e ir para outro, é claro que isto já sinaliza a disposição de pré-candidatura. Mas o fato é que candidaturas só existirão nas convenções. Há um longo tempo para que você construa ou que faça um exercício para tentar fazer composições onde for possível. Nos episódios que aparentemente tensionaram a relação, não identifico, nem no processo de Petrolina nem no de Serra Talhada, nenhuma ação indevida do PT. Há, sim, contradições nos partidos de origem, que já se expressavam, já estavam indicadas. No caso, por exemplo, de Petrolina, nós sabemos que desde 2008 há problemas no PSB, que ao final terminaram até traduzindo-se no próprio resultado eleitoral, que ocorreu na eleição passada. Então estas contradições não são novas, nem foram criadas agora por conta de um convite do PT, que nem existiu. Agora, as lideranças devem ter a liberdade de procurar os seus caminhos. E, curiosamente, nestes casos, nós estamos tendo sempre como destino partidos da própria aliança, da própria Frente.

Pedro Eugênio – Em Serra Talhada nós perdemos o Dr. Fonseca Carvalho, um quadro da melhor qualidade, para o PTB. Foi uma contradição gerada no PT, por conta da entrada do Luciano Duque no PT. O Dr. Fonseca se sentiu desconfortável e migrou para o PTB. E nem por isso nós entendemos que o PTB aliciou o Dr. Fonseca. Nós entendemos que ele se sentiu desconfortável e migrou para um partido da Frente. Agora, é importante lembrar que estas todas são pré-candidaturas, nomes que são colocados, mas agora é que nós vamos começar o processo de discussão sobre como vão se dar as alianças locais. Nós não estamos ainda com candidaturas estabelecidas.

Sobre a conversa com o PSB

Pedro Eugênio – Será tranquila também. Nós já estamos agendados com Milton Coelho na sexta-feira. Eu falei com ele por telefone longamente, eu estava em São Paulo quando conversei com ele agendando para a sexta-feira. Só não agendei antes porque ele viajou para São Luís, cumprindo uma agenda partidária, e eu viajo amanhã para Brasília, e ele só volta na quinta, então só deu pra agendar na sexta-feira. Nós não definimos ainda o local. Mas será ou no PT ou no PSB. E eu acredito que será tranqüila também, será uma conversa tranqüila porque as questões de conflitos que existem, repito, são questões pontuais, que surgiram por conta desse processo municipal e que nós vamos administrar da mesma forma que estamos administrando com os outros partidos.

Sobre a eleição do Recife

Armando Monteiro – Se eu pudesse resumir a essência desse processo que a gente tratou aqui, tem duas coisas. As questões locais vão ser tratadas no seu momento próprio. É claro que a questão do Recife é uma questão importante, pelo que o Recife representa. Conversamos também um pouco sobre essa coisa do Recife, que, ao que tudo indica, nesse momento, há uma indicação de que há setores dos nossos partidos e de outros partidos da Frente cogitando de candidaturas próprias. É ainda, como eu disse, algo embrionário. Agora, dessa nossa conversa tem duas coisas que eu considero importantes. Uma, é a nossa visão de que a manutenção da Frente é importante para Pernambuco e que nós não podemos, por nenhuma questão de natureza local, ainda que ela seja magnificada, nós não podemos pôr em risco a manutenção dessa Frente que é tão importante para Pernambuco. E a segunda é a compreensão de que uma Frente pressupõe a existência de forças que não são necessariamente idênticas. Ou seja, tem que haver espaço para essa pluralidade, essa diversidade. Uma Frente é formada não por iguais. Uma Frente é formada por forças que convergem em nome de objetivos comuns, que não são necessariamente idênticas nem iguais. Então, nós para convivermos numa Frente precisamos ter a compreensão, primeiro, de quais são os objetivos dela.  E nós temos a compreensão de que os objetivos maiores se situam na linha do que é importante para Pernambuco. E, segundo, a compreensão de que nós, na Frente, não somos iguais; temos, legitimamente, direitos a aspirar espaços…  Agora, precisamos entender isso e temos a obrigação de conviver com essa compreensão.

Sobre a precedência do PT no Recife

Pedro Eugênio – O PT no Recife reivindica, primeiro, que nós façamos um esforço para termos uma candidatura unitária no Recife. Isso é um ponto que nós hoje tocamos rapidamente, é a primeira conversa, nós queremos ter muitas conversas pela frente. E nós entendemos que isso se dê em torno da candidatura do PT. Tem muitos pré-candidatos, é natural, é legítimo que os partidos se coloquem com pré-candidaturas, mas é dentro desse contexto, tendo PT à frente da Prefeitura do Recife, que nós do PT entendemos que nós devamos continuar à frente da Prefeitura e vamos fazer um esforço para manter a Frente em torno da candidatura do PT.

Armando Monteiro – A precedência se traduz inclusive na seguinte compreensão: de que o PT, a rigor, já tem candidatura no Recife. É o único partido que, a priori, já tem candidatura no Recife. E por que tem? Porque, sendo a prefeitura governada pelo partido, a noção de precedência é essa, admitir a candidatura do partido. As outras são pré-candidaturas.

Sobre a entrada do PSB nos municípios

Pedro Eugênio – É legítimo que todos os partidos coloquem no tabuleiro suas peças em todos os municípios. É absolutamente legítimo. Nós vamos agora conversar com todos os partidos, cada um tendo se colocado nos municípios, de forma legítima, para construirmos, com a maior responsabilidade possível, as condições de manutenção da nossa Frente. Evidente que em alguns municípios isso não será possível, vamos concorrer, bater chapa. Em outros municípios, vamos estar com a Frente constituída, com as alianças constituídas. O importante é que façamos um grande esforço para que a Frente esteja consolidada, ela prevaleça, porque evidentemente, trata-se daquela velha questão da dialética, da quantidade versus qualidade. E para que a Frente permaneça, nós teremos que ter, no conjunto do Estado, um conjunto de municípios importantes, e isso passa pelo Recife e pelos municípios de maior expressão, aonde a permanência da Frente se reflita.

Sobre o papel do governador Eduardo Campos na condução da Frente?

Armando Monteiro – Eu acho que essa questão diz respeito mais aos presidentes dos partidos. O governador só deve intervir nisso em situações, eu diria, que sejam muito, não vou dizer extremas, acho que quando tivermos realmente algo que justifique. Até lá, eu acho que o governador vai estar acompanhando, vai estar atento, vai estar, certamente, estimulando esse diálogo entre os partidos e vai ter sempre um representante do partido dele. Mas acho que o governador tem aí a sua agenda administrativa, as suas responsabilidades, não se pode também colocá-lo numa análise de situações de disputas. Quando for necessário, nós não vamos ter nenhuma dificuldade de conversar com o governador, como nunca tivemos, quando foi necessário. Acho que, por enquanto, tem que ser um esforço dos partidos, dos dirigentes partidários.