Aos 48 minutos do segundo tempo

Coluna Fogo Cruzado – 2 de julho de 2019

Relator da reforma previdenciária na comissão especial da Câmara, o deputado Samuel Moreira deve apresentar hoje o seu parecer sem muitas novidades além daquelas que já se conhece, como a manutenção das regras da aposentadoria rural e do Benefício de Prestação Continuada. Novidade, se houver, será a inclusão no texto dos servidores públicos municipais e estaduais. Ele próprio vem tentando há duas semanas construir um acordo com os governadores do Nordeste para não deixar estados e municípios fora do projeto, mas tem enfrentado resistências. Mesmo a Bahia tendo fechado suas contas previdenciárias em 2018 com um déficit de R$ 5 bilhões, Pernambuco de R$ 2,6 bilhões e o Piauí de R$ 1 bilhão, os governadores só estavam concordando dar apoio ao projeto em troca de um fundo de emergência no valor de R$ 85 bilhões, que viria da cessão de áreas do pré-sal, e da autorização da União para que possam contrair empréstimos externos. “Lá fora, pago 1,75% de juro ao ano para tomar um financiamento. No Brasil, 16%”, diz o governador piauiense, Wellington Dias, para exemplificar as razões do pleito. O impasse persistia até ontem à noite, apesar da crença do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de que esse apoio será dado aos 48 minutos do segundo tempo.

Cruzada pela reforma

Líder do governo no Congresso, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) repetiu ontem em Fortaleza os mesmos argumentos que utilizou no Recife em defesa da reforma da previdência. O projeto só não foi aprovado ainda, disse ela, por culpa dos governadores do Nordeste, que fizeram campanha contra. Não foi bem assim. Eles não moveram uma palha a favor, mas não fizeram campanha contra.

Blindagem na segurança

Até ontem à noite, Samuel Moreira (PSDB-SP), recebia pressões de toda ordem para manter inalteradas as regras das carreiras da segurança pública. As pressões partiam sobretudo da bancada federal do PSL que é formada em sua maioria por parlamentares ligados a essa área: policiais civis, militares, federais e rodoviários, cujo “lobby” dentro do Congresso é poderosíssimo.

Relação invertida

Se antes das revelações de suas conversas com os procuradores da Lava Jato o ministro Sérgio Moro ajudava a dar prestígio ao governo Bolsonaro, hoje essa relação está invertida. Agora é o ex-juiz quem precisa da popularidade do presidente, que já o chamou várias vezes de “herói nacional” e diz ter orgulho de tê-lo como um de seus ministros, para se manter em evidência.   

Obra coletiva

O ex-senador Armando Monteiro (PTB), que foi ministro de Desenvolvimento Econômico e Comércio Exterior do governo Dilma, disse no Recife que o acordo celebrado entre o Mercosul e a União Europeia não foi obra apenas do atual governo. Teve a participação da própria Dilma e do seu substituto Michel Temer, além do Itamaraty e da burocracia do governo federal.    

Contra a reforma

Gonzaga Patriota (PSB) visitou 8 municípios entre sexta-feira e ontem para participar do encerramento dos festejos juninos e lançar o livro “Reforma da previdência social, não”. Passou por Caruaru, Afogados da Ingazeira, Itapetim, Brejinho; São José do Egito, Tuparetama, Arcoverde e Serra Talhada. Nesta última, despediu-se do ex-vereador Edmundo Gaia, que faleceu aos 85 anos.

Gastos com saúde

De acordo com dados do Cremepe, o gasto médio per capita com saúde no Brasil em 2018 foi de R$ 1.271,65. Em Pernambuco, as cidades que mais investiram nessa área foram Ipojuca (R$ 1.399,25), Ingazeira (R$ 685,05), Itacuruba (R$ 756,87) e Itapissuma (RS 514,95). As que menos investiram foram Água Preta (R$ 116,24), Bezerros (R$ 112,15) e Paulista (R$ 115,82).

Mais um militar

Já passa de 50 o número de militares da reserva e da ativa no governo de Bolsonaro no primeiro, segundo e terceiro escalões. Ontem foi nomeado mais um: o tenente-brigadeiro do Ar, Hélio Paes de Barros Júnior, para a presidência da Infraero, órgão que já foi dirigido pelo ex-senador pernambucano Carlos Wilson. O novo presidente dirigiu a ANAC até dezembro do ano passado.