A reeleição veio para ficar definitivamente

Coluna Fogo Cruzado – 25 de junho de 2019

O debate sobre o fim da reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos continua na pauta política do Congresso. Vez em quando alguém puxa a discussão de volta como fez o presidente Bolsonaro em sua campanha presidencial. Ora, a reeleição foi uma das coisas mais acertadas que os congressistas fizeram após a promulgação da Constituição de 88. Fruto de uma emenda de autoria do então deputado Mendonça Filho, ela possibilita aos eleitores concederem ou não um segundo mandato ao ocupante de cargo executivo. Se o eleitor estiver satisfeito com o seu desempenho administrativo, dá-lhe a chance de ficar mais quatro anos. Do contrário, manda-o de volta para casa. Isso num país como o Brasil faz toda diferença, pois não são raros casos de prefeitos e governadores que transmitem o cargo aos sucessores com as finanças em frangalhos (vide os exemplos do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Norte). Então, o que pode fazer em quatro anos um governador que assume sem dinheiro sequer para pagar a folha de pessoal? Absolutamente nada. Leva no mínimo dois anos para arrumar a casa e os outros dois estão reservados para as eleições seguintes. Essa história de dizer que o governante utiliza a “máquina” em proveito próprio, sendo candidato à reeleição, é bobagem. Ela a usaria do mesmo jeito em favor do seu candidato, como fez Quércia em São Paulo na eleição de Fleury Filho: “Eu quebro o Banespa, mas faço o sucessor”. Quebrou e fez. Então, para o bem da Pátria e felicidade geral da nação, deixe-se a reeleição em paz. Ela não significa em absoluto mais quatro anos de mandato. Dá apenas ao governante a oportunidade de ser julgado pela população quando do término do primeiro mandato. Se ela estiver satisfeita com o trabalho dele, o reconduz. Se não, não! Querem algo mais democrático do que isto?

O que é uma “boa reforma?”    

Mesmo declarando-se, por princípio, contrário à reeleição, Bolsonaro admite concorrer novamente em 2022 se o Congresso patrocinar uma “boa reforma política”. O danado é saber o que significa uma “boa reforma”, pois o que seria bom para uns poderia não ser para outros. O resumo da ópera é o seguinte: se foi fácil aprovar a emenda da reeleição, tirá-la da Constituição é dificílimo. 

Um oitavo já se foi

O governo Bolsonaro é um exemplo de como quatro anos de mandatos são insuficientes para o governante deixar uma marca. O presidente já cumpriu 1/8 do seu mandato e até agora perdeu mais tempo com intrigas palacianas, a encrenca dos filhos e a troca de auxiliares do que administrando o país. A instabilidade política vai continuar porque novas trocas de ministros são esperadas. 

Para fazer o que Onyx não fez

Ex-comandante militar do Sudeste, o general Luiz Eduardo Ramos assumiu a coordenação política do governo Bolsonaro com a missão de fazer no Planalto o que Onyx Lorenzoni não fez: atender aos pedidos dos congressistas por cargos e liberação de emendas parlamentares. O general foi adido militar em Israel e trabalhou na Câmara Federal como assessor parlamentar

Safra de bons ministros

Ex-líder da bancada do PSB na Câmara Federal após ter derrotado, numa disputa interna, o pernambucano Tadeu Alencar, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, é uma das surpresas positivas do governo Bolsonaro. Aliás, o Brasil tem tido ótimos ministros da Agricultura. Roberto Rodrigues deu show no governo Lula e a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) foi destaque no governo Dilma.

Os Estatutos do Homem

O deputado Marcelo Ramos (PL-AM), presidente da comissão especial da reforma da previdência, carrega no corpo uma tatuagem do poeta amazonense Thiago de Mello, autor do célebre “Os Estatutos do Homem”. O poeta vive recluso em Barreirinha (AM), sua terra, para onde voltou em 79 após ser preso e exilado pela ditadura militar. Ramos já foi comunista mas hoje é liberal convicto. 

O voto de minerva  

A Segunda turma do STF deve decidir hoje se aceita ou não um pedido de habeas corpus em favor do ex-presidente Lula. A defesa do ex-presidente alega que o então juiz que o condenou, Sérgio Moro, agiu em “conluio” com o Ministério Público Federal e pleiteia a anulação da Lava Jato. Se a Turma comportar-se como sempre se comportou, o voto de desempate será de Celso de Mello.   

O triunfo do pé de serra

Mesmo com “DJs” e cantores sertanejos na programação junina de muitos municípios, o chamado “forró pé de serra” brilhou este ano. Domingo passado, em Gravatá, a multidão que se espremia no pátio de eventos Chucre Zarzar cantou praticamente todas as músicas do repertório da “Banda Pinga Fogo”, que sempre apostou no forró de raiz desde o seu início de sua formação, há 20 anos.