A inutilidade das frentes parlamentares

Coluna Fogo Cruzado – 6 de maio de 2019

Deputados de primeiro mandato, como o pernambucano Sílvio Costa Filho, que ainda não conhecem bem todos os meandros da Câmara Federal, apostam na proposição de “frentes parlamentares” para ganhar notoriedade no Congresso. Silvinho é o autor e presidente da “Frente parlamentar mista (deputados e senadores) em defesa do novo pacto federativo” e nessa condição conseguiu aproximar-se do ministro Paulo Guedes, do governador João Doria (SP) e do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). O lucro da proposição foi o diálogo com esse trio, cuja influência na política nacional dispensa comentários, porém “novo pacto” não haverá porque não existe clima para isto. A promessa de “mais Brasil e menos Brasília”, feita pelo ministro da Economia, não passa de um slogan de campanha porque jamais será cumprida. Seria ótimo se ela saísse do papel, o que implicaria o redesenho do bolo tributário nacional. Mas se a União não admite perder receita para estados e municípios, que são os entes mais frágeis da federação e os que mais precisam de recursos para fazer face as suas demandas, como acreditar em “novo pacto?” Além do mais, a frente proposta pelo deputado pernambucano é apenas uma dentre as 94 que já foram instaladas no Congresso no curso deste ano, o que significa dizer que nenhuma delas terá utilidade.

Outras frentes inúteis

Outras “frentes parlamentares” inúteis instaladas na Câmara Federal nos últimos três meses: “Em defesa do Nordeste” (de autoria de Danilo Cabral-PSB), “Em defesa da convivência com o semiárido” (de autoria de Carlos Veras-PT) e “Em defesa da água no Nordeste” (de autoria de Fernando Rodolfo-PHS).

É “Paquinha” de novo

O deputado Antonio Moraes (PP) lançou com dois anos de antecedência o candidato do seu grupo à prefeitura de Macaparana, onde sua avó, Anita Moraes, foi prefeita na década de 50. Será o ex-prefeito “Paquinha” (PSDB), que ganhou em 2012 mas não foi reeleito em 2016. Perdeu para Maviael Cavalcanti (DEM), que será seu adversário de novo em 2020.

Não há solução

O secretário Pedro Eurico (Justiça e Direitos Humanos) ouviu recentemente de autoridades do Depen (Departamento Penitenciário Nacional) que são necessários R$ 93 bilhões nos próximos 10 anos para deixar os presídios nacionais em condições aceitáveis. Como esse dinheiro não existe, o problema continuará sem solução.

Na corda bamba

Ex-professor do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) na FGV de SP, o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, já foi desautorizado publicamente duas vezes pelo presidente Bolsonaro. Anunciou a criação de novos impostos, sem combinar com o presidente, que é radicalmente contra. Se escorregar de novo, será demitido.

Conselho de amigo

Se ouvisse a opinião do seu ex-vice, Raul Henry (MDB), Paulo Câmara abraçaria de corpo e alma a defesa da reforma previdenciária. É que Pernambuco não aguentará por muito tempo cobrir o déficit na sua folha de inativos, que totalizou R$ 2,7 bilhões em 2018. Há que se ter muito cuidado para não nos nivelarmos ao RJ, a MG e ao RS.

Para se livrar da diabetes

O ex-deputado Pedro Corrêa (PP) já informou à Justiça Federal de Curitiba que está esperando-se curar-se de uma gastrite para submeter-se a uma cirurgia bariátrica. “Não é para perder a barriga (perdeu 30 km depois da prisão) e sim para me livrar da diabetes, que está cada vez mais avançada”, disse ele.

Esquentando as turbinas

Yves Ribeiro (PSB) avalia a possibilidade de disputar a prefeitura de Paulista no próximo ano. Ele já foi prefeito (duas vezes) de Itapissuma, de Igarassu e de Paulista, mas atualmente está sem mandato. Concorreu em Igarassu em 2016, mas foi derrotado por Mário Ricardo (PTB).