A calma de Eriberto segura a Assembleia

Coluna Fogo Cruzado – 23 de maio de 2019

Atribui-se à serenidade do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eriberto Medeiros, o fato de aquela Casa ainda não ter explodido com o governo Paulo Câmara. O nível de insatisfação da bancada governista com o líder do governo, deputado Isaltino Nascimento, foge aos padrões de normalidade. Mesmo descontando-se o fato de o líder ser um deputado fraco – do ponto de vista de prestígio junto ao Palácio das Princesas -, há muito não se via naquela Casa tamanho nível de rebeldia em relação à liderança. Os liderados não expõem em público o seu inconformismo para não desgastar o governo a que pertencem, mas quem convive com eles sabem que o fato é verdadeiro. Cobra-se do líder, dentre outras coisas, o pagamentos das emendas parlamentares de natureza impositiva (apenas 23% delas foram honradas em 2018), o cumprimento dos convênios celebrados entre prefeituras e o Fundo de Apoio aos Municípios (FEM), uma ação mais eficaz das secretarias nas áreas de saúde e infraestrutura, e por aí vai. Sabe-se que a culpa por esses atrasos não é do líder, e sim do governo estadual que está atravessando seu pior momento financeiro desde 2013. Todavia, para sorte do governador, está sentado na cadeira de presidente da Alepe um deputado humilde, educado, de voz mansa, de muito bom senso e serenidade comprovada. Do contrário, a bancada estadual da oposição já estaria muito mais robusta.

As duas prioridades

Eriberto Medeiros (PP) já colocou entre suas prioridades para 2020 a reeleição da mulher, Mariana, claro, à prefeitura de Cumaru e a do vereador de Serra Talhada Antonio Rodrigues (PTC), seu amigo há muitos anos. Rodrigues foi eleito em 2016 com 1.800 votos (3º colocado) e deu a Eriberto nas eleições passadas 1.934 (mais do que obteve).

Gesto de solidariedade

O prefeito de Itapetim, Adelmo Moura (PSB), já decidiu que irá contribuir “pelo menos com a compra das passagens” para levar o jornalista (filho da terra) Jefferson de Souza à Bósnia a fim de acompanhar a estreia de um documentário produzido por ele sobre o poeta sertanejo Leonardo Bastião. O filme será exibido no Brasil no próximo mês de junho.

Volta, Mendonça!

Desde que deixou o MEC, em dezembro último, o ex-ministro Mendonça Filho não tinha recebido, ainda, um elogio público igual ao que recebeu ontem. O autor foi o ex-ministro Delfim Neto, que na sua coluna semanal da “Folha de São Paulo” baixa o sarrafo no atual ministro, Abraham Weintraub e sugere a Bolsonaro que chame de volta “o velho Mendoncinha”.

Não são do ramo

Durante café da manhã oferecido ontem a deputados nordestinos, Bolsonaro deu uma explicação insossa para o fraco ministério que recrutou (as exceções são Paulo Guedes, Sérgio Moro, Tarcísio Vieira e Tereza Cristina). Disse que todos os seus ministros têm boa vontade, mas muitos não têm “tato político”. Sobre as reivindicações apresentadas por Júlio César (PSD-PI), coordenador das bancadas da região, nenhuma palavra.

Nenhum aceno, presidente?

Ainda que Bolsonaro nada anuncie amanhã, na Sudene, em favor do Nordeste, algo terá que ser feito por ele em favor desta região, que está totalmente desassistida. O RN já quebrou após dois governos desastrosos: Rosalba Ciarlini e Robinson Faria. E a governadora Fátima Bezerra (PT) não consegue sequer pagar a folha. Só colocar isto na conta da democracia não resolve o problema.

Problema sem solução

O novo presidente da Embratur, Gilson Machado Neto, que será empossado, hoje, recebeu recomendações do presidente da República para “destravar” todos os gargalos que encontrar pela frente. Um deles, porém, não tem como ser “destravado”: o preço das passagens aéreas. Hoje, é mais barato voar para a Europa do que para Manaus (AM).

Domínio petista

Para não submeter-se às regras da “velha política”, Bolsonaro continua se negando a aceitar indicação de parlamentares governistas para cargos políticos no governo. Coisa de quem não é do ramo. Se ele não substitui os atuais ocupantes desses cargos, o PT é quem agradece, pois “aparelhou” a máquina” de 2003 a 2016 para ninguém botar defeito. Os petistas continuam!