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Nilton Mota gostaria de ter ficado na Agricultura

Coluna Fogo Cruzado – 30 de setembro

Se pudesse escolher entre a Casa Civil e a Secretaria de Agricultura do governo Paulo Câmara, não há dúvida de que o deputado Nilton Mota faria opção por esta última, que foi comandada por ele até a última quarta-feira. À frente da Casa Civil, ele será o responsável pela “articulação política” do governo, o que não é uma coisa fácil. Terá que lidar com 48 deputados, cada qual com um monte de pleitos que o governo não tem condições de atender. Que o diga o ex-secretário Antonio Figueira, que esteve à frente da pasta o início desta semana. Por mais que tenha se esforçado para dar respostas ás demandas dos parlamentares, ele não teve condições de atender a todas porque os recursos do governo são limitados. Daí seu afastamento da pasta para assumir a chefia da Assessoria Especial do governador ter sido comemorada por vários deputados da própria base governista, os quais, inclusive, não mais despachavam com ele e sim com o chefe de gabinete João Campos. Já na Secretaria de Agricultura, Nilton Mota tinha a vida que pediu a Deus. A pasta dispõe de estrutura para aração de terra e distribuição de sementes, para perfurar poços tubulares e realizar sistemas simplificados de abastecimento d’água em vilas, distritos e povoados. Com isto, Nilton Mota “cevava” tranquilamente suas bases eleitorais, sem deixar de “cevar” também a dos colegas da Frente Popular.

O secretário Antonio Figueira saiu profundamente chamuscado da chefia da Casa Civil

As reivindicações de Carlos Lupi

Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, concordou com a entrada do partido no governo Paulo Câmara, mas fez mais duas solicitações ao governador: o apoio do PSB à candidatura presidencial de Ciro Gomes e à do ex-prefeito José Queiroz (Caruaru) para uma das vagas no Senado. Queiroz foi candidato a senador em 1990 contra Marco Maciel e perdeu por menos de 40 mil votos.

Abuso de autoridade – Como diria o ministro Gilmar Mendes, o Judiciário está abusando da cassação de mandatos populares num claro e flagrante desrespeito à vontade das urnas. Cassar, por exemplo, o prefeito de São Caetano, Jadiel Braga (PSDB), a pretexto de que distribuiu “camisetas e bonés” no período eleitoral, e que isso desequilibrou o pleito, é um argumento pueril. E mais absurdo ainda foi deixá-lo inelegível por 8 anos. É quase certo, todavia, que o TRE vai rever essa decisão.

Perda de confiança – Na cúpula nacional do PSB ninguém mais acredita que o vice-governador de São Paulo, Márcio França, ainda que assuma o governo no próximo ano, caso Geraldo Alckmin se desincompatibilize para disputar a presidência da República, teria o apoio do PSDB para concorrer à reeleição. Os tucanos controlam o Palácio dos Bandeirantes há 23 aos e não vão querer perder essa “boquinha”.

Pela equidade – O deputado Eduardo da Fonte, presidente do PP pernambucano, está cobrando do governador Paulo Câmara mais espaços para o seu partido. Alega que o PP tem seis deputados estaduais e não controla nenhuma secretaria. Já o PSD que tem apenas três, diz ele, controla a pasta das Cidades, o Detran e o Consórcio Grande Recife.

Incompatibilidade de gênios – De janeiro até agora, cinco membros do 1º escalão da prefeitura de Garanhuns entregaram seus cargos. A maioria alegou “questões pessoais” mas o que se comenta no município é que eles deixaram o governo por dificuldade de relacionamento com o prefeito Izaías Régis (PTB).

Pro que desse e viesse – De um aliado do prefeito afastado de São Lourenço, Bruno Pereira (PTB), sobre o seu “total e completo” isolamento no apartamento em que mora com os pais no bairro de Casa Forte, no Recife: “Sérgio Guerra (PSDB), enquanto vida teve, não deixou aliado na mão. Ele já teria dado uma nota de solidariedade ao prefeito e estaria, pessoalmente, cuidando de sua defesa na seara jurídica”.

Quem pode mais, pode menos – O Senado marcou para a próxima terça-feira o exame da decisão da Primeira Turma do STF que suspendeu o mandato do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o proibiu de sair de casa à noite. Se seguir o ministro Marco Aurélio, a maioria dos senadores deverá rever essa decisão. Para o ministro, “se o Senado pode rever a pena de prisão de um senador, pode, igualmente, rever uma medida acautelatória (a proibição de sair de casa à noite)”.

Sem força – Embora a Constituição proíba militar de dar opinião sobre temas políticos, alguns estão falando demais para tentar “intimidar” o poder civil. É o caso dos generais Humberto Mourão, Edson Leal Pujal e Eduardo Villas Boas. Todos são generais de Exército e estão falando mais do que deviam. Como Raul Jungmann (Defesa) é um ministro fraco, nenhum deles foi sequer “advertido”.

Intervenção direta – Ex-auxiliar de Eduardo Campos que conhece razoavelmente bem alguns membros da cúpula nacional do PMDB arriscou ontem o seguinte prognóstico sobre o “affair” Fernando Bezerra x Jarbas Vasconcelos: “Não haverá dissolução do diretório de Pernambuco para que não se abra um precedente. Mas a intervenção do presidente Romero Jucá será inevitável, pois foi isso o que ele prometeu ao senador Fernando Bezerra”.

É melhor assim – Como diz, com razão, o senador Armando Monteiro Neto (PTB), o ideal é que se fizesse campanha no Brasil com financiamento de empresas privadas. Mas como o STF decidiu que isso é inconstitucional, há que se fazê-la com dinheiro do contribuinte. Daí a lógica da criação do fundo público. Afinal, sem dinheiro privado e sem dinheiro público, o “caixa dois” se encarregaria de bancar as despesas.