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Teresa e Luciana brigam em Olinda pelo direito de usar imagem do ex-presidente Lula

Provocada pela deputada Teresa Leitão, candidata do PT à Prefeitura de Olinda, a juíza da 100ª Zona Eleitoral, Ângela Maria Teixeira de Carvalho Mello, concedeu liminar requerida pela coligação “Olinda quero avançar”, formada pelo PT, PTB, PRB, PTN e PTdoB, proibindo o uso da imagem do ex-presidente Lula por parte da também candidata Luciana Santos (PCdoB).

PT e PCdoB são aliados no plano nacional e apoiavam o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Em Olinda, marcharam juntos nas quatro últimas eleições municipais, com o PCdoB na cabeça e o PT na vaga de vice.

Hoje, cada qual segue o seu caminho. Teresa Leitão disputa a sucessão do prefeito Renildo Calheiros (PCdoB) pelo PT e a deputada Luciana Santos pelo PCdoB.

Em seu despacho, a juíza reconhece que apenas o PT pode usar a imagem do ex-presidente em sua propaganda eleitoral e proíbe o PCdoB de continuar fazendo uso do material.

A representação foi ajuizada após a imagem de Lula ter sido veiculada no guia eleitoral de Luciana Santos do último dia 28/8.

Como Lula tem aparecido regularmente no guia eleitoral de Teresa Leitão, o PT decidiu recorrer à justiça.

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Bilionário da educação visita Escola Técnica em Pernambuco

O bilionário da educação Jorge Paulo Lemman, presidente do conselho diretor da Fundação Lemman, reuniu-se nesta quarta-feira (31), no Recife, com o governador Paulo Câmara, em cuja companhia fez uma visita à Escola Técnica Estadual Cícero Dias.

Lemman, amigo do vice-governador Raul Henry (PMDB), veio a Pernambuco para conhecer escolas de tempo integral construídas na gestão do ex-governador Eduardo Campos.

Ele assistiu a uma apresentação feita pelo secretário Fred Amâncio (educação), almoçou com o governador e conheceu a Escola Cícero Dias, no bairro de Boa Viagem, focada em tecnologia da informação.

“É gratificante para o Governo de Pernambuco receber um empresário como Lemann, que não se destaca apenas pelo sucesso das suas empresas, mas também por suas iniciativas inovadoras na área da educação, que demonstram grande espírito público e profunda responsabilidade social”, disse Paulo Câmara.

Para Raul Henry, Jorge Paulo Lemann é hoje o “maior mecenas” da educação no Brasil

Entre as parcerias que o Governo de Pernambuco tem com a Fundação Lemann destaca-se a formação de gestores públicos na área de educação.

Jorge Paulo Lemann é um dos sócios da empresa 3G Capital, ao lado de Marcel Telles e Beto Sucupira.

Além disso, tem investimentos nos fundos Gera Venture Capital e Innova Capital. A Gera Venture é focada em Educação e originou a holding Eleva Educação, que pretende criar uma rede de escolas de alta qualidade acadêmica.

Lemann, Telles e Sucupira figuram na lista de bilionários da revista “Forbes”.

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Congresso dá posse a Temer como 37º presidente da história do Brasil

Poucas horas após a aprovação do impeachment de Dilma Rousseff, o Congresso Nacional, numa rápida sessão, deu posse a Michel Temer como 37º presidente da História do Brasil.

A posse se realizou no plenário do Senado, mas sem discurso de nenhum dos presidentes dos três poderes da República: Michel Temer (Executivo), Renan Calheiros (Legislativo) e Ricardo Lewandowski (Judiciário).

Após Temer fazer o juramento constitucional e assinar o livro de posse, Renan Calheiros encerrou a sessão.

Logo depois, Temer fez a primeira reunião com o seu ministério a fim de passar alguns recados.

I) Os ministros deverão reagir quando forem chamados de “golpistas”. “Respondam com a elegância da conduta, não com xingamento, que golpista é quem viola a Constituição”, recomendou.

II) Os ministros devem debater à exaustão com o povo brasileiros as reformas que o governo pretende mandar ao Congresso para que a sociedade entenda a necessidade dessas mudanças, especialmente a previdenciária.

Logo após a reunião do ministério, da qual participaram os pernambucanos Mendonça Filho (Educação), Bruno Araújo (Cidades), Minas e Energia (Fernando Bezerra Coelho Filho) e Raul Jungmann (Defesa), Temer embarcou para a China a fim de participar da reunião do G-20 (as 20 maiores economias do mundo).

Devido à viagem, assumiu a Presidência da República, interinamente, o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que avisou logo aos jornalistas que agirá “a la Marco Maciel”, que foi o vice do presidente FHC: discrição absoluta.

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Governo Federal libera recursos para acelerar obras hídricas no Nordeste

O Ministério da Integração selecionou nesta quarta-feira (31), em Brasília, as obras hídricas que deverão ser concluídas em caráter emergencial para atenuar os efeitos da seca no Nordeste.

De acordo com o ministro Hélder Barbalho, essas obras serão executadas em parceria com a Codevasf e o Dnocs.

Ele está disponibilizando R$ 260 milhões para socorro, assistência e restabelecimento de serviços essenciais em municípios de oito estados nordestinos.

As obras nos Estados de Alagoas, Bahia, Paraíba e Pernambuco ficarão sob coordenação da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração.

Já as obras nos Estados de Piauí e Sergipe ficarão sob responsabilidade da Codevasf, ao passo que as que estão previstas para Rio Grande do Norte e Ceará serão executadas pelo Dnocs.

Dos recursos disponíveis, o Ministério já liberou R$ 82 milhões para obras de abastecimento d’água no Ceará e no Rio Grande do Norte. O aporte ao Dnocs para esses dois Estados beneficiará 370 mil pessoas de 16 municípios.

Desse total, R$ 42 milhões serão empregados na construção da adutora de Caicó (RN) e R$ 40 milhões na construção de adutoras em 10 municípios cearenses.

Os recursos para os demais estados será liberado mediante a elaboração dos Planos de Trabalho.

 

 

 

Recursos disponíveis

 

 

 

CEARÁ

 

Adutoras para abastecimento de água

 

 

R$ 40 milhões

 

 

DNOCS

Recursos disponíveis para início das obras
 

RIO GRANDE DO NORTE

 

Adutoras para abastecimento de água

 

 

R$ 42 milhões

 

 

DNOCS

Recursos disponíveis para início das obras
 

Estado

 

Obra

Limite para investimentoautorizado

pelo MI

 

Executor

 

Status

 

Em análise

 

ALAGOAS

 

Adaptação de sistemas de captação de água

 

 

R$ 10 milhões

 

Ministério da Integração Nacional

 

Plano de Trabalho em análise

 

 

BAHIA

 

Dessalinizadores e adutoras para abastecimento de água

 

 

R$ 32 milhões

 

Ministério da Integração Nacional

 

Plano de Trabalho em análise

 

 

PARAÍBA

 

 

 

Adutoras para abastecimento de água e dessalinizadores

 

 

R$ 39 milhões

 

Ministério da Integração Nacional

 

Plano de Trabalho em análise

 

 

 

PERNAMBUCO

 

Adutoras para abastecimento de água e Operação Carro-Pipa estadual

 

 

 

 

R$ 33 milhões

 

 

Ministério da Integração Nacional

 

 

Plano de Trabalho em análise

 

 

 

PIAUÍ

 

Adutoras para abastecimento de água e Operação Carro-Pipa estadual

 

 

 

 

R$ 24 milhões

 

 

 

Codevasf

 

 

 

Plano de Trabalho em análise

 

SERGIPE

 

Adaptação de sistemas de captação de água

 

R$ 10 milhões

 

Codevasf

 

Plano de Trabalho em análise

 

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“Haverá contra eles a mais firme, incansável e enérgica oposição”, diz Dilma Rousseff

Após tomar conhecimento de que o Senado, nesta quarta-feira (31), decidira cassar o seu mandato por crime de responsabilidade, a ex-presidente Dilma Rousseff não poupou adjetivos para criticar o presidente Michel Temer e os partidos políticos que o apoiam.

“Ouçam bem! Eles pensam que nos venceram, mas estão enganados. Sei que todos vamos lutar. Haverá contra eles a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer”, declarou a ex-presidente num dos salões do Palácio da Alvorada, onde recebeu os jornalistas.

Segundo ela, “causa espanto que a maior ação contra a corrupção da nossa história, propiciada por ações desenvolvidas e leis criadas a partir de 2003 e aprofundadas em meu governo, leve justamente ao poder um grupo de corruptos investigados”.

Ela disse também que pretende recorrer da cassação “em todas as instâncias possíveis” porque a decisão tomada pela maioria dos senadores vai entrar para a história como uma das “grandes injustiças” da história do Brasil.

“Travei bons combates. Perdi alguns, venci muitos e, neste momento, me inspiro em Darcy Ribeiro para dizer: não gostaria de estar no lugar dos que se julgam vencedores. A história será implacável com eles”, desabafou.

Adiante: “Por mais de 13 anos realizamos com sucesso um projeto que promoveu a maior inclusão social e redução de desigualdades da história do nosso País. Esta história não acaba assim. Estou certa de que a interrupção deste processo pelo golpe de estado não é definitiva. Nós voltaremos. Voltaremos para continuar nossa jornada rumo a um Brasil em que o povo é soberano”.

Dilma encerrou o discurso citando o poeta russo Maiakóvski: “Não estamos alegres, é certo/ Mas também por que razão haveríamos de ficar tristes?/O mar da história é agitado/As ameaças e as guerras, haveremos de atravessá-las,/ Rompê-las ao meio/ Cortando-as como uma quilha corta”.

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Armando e Humberto versus Fernando Bezerra Coelho

Dos três senadores de Pernambuco, apenas Fernando Bezerra Coelho (PSB) votou a favor do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Humberto Costa (PT) e Armando Monteiro Neto (PTB) votaram contra.

Veja, abaixo, como votou cada um dos 81 senadores:

Acir Gurgacz (PDT-RO)
SIM

Aécio Neves (PSDB-MG)
SIM

Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP)
SIM

Álvaro Dias (PV-PR)
SIM

Ana Amélia (PP-RS)
SIM

Angela Portela (PT-RR)
NÃO

Antonio Anastasia (PSDB-MG)
SIM

Antonio Carlos Valadares (PSB-SE)
SIM

Armando Monteiro (PTB-PE)
NÃO

Ataídes Oliveira (PSDB-TO)
SIM

Benedito de Lira (PP-AL)
SIM

Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
SIM

Cidinho Santos (PR-MT)
SIM

Ciro Nogueira (PP-PI)
SIM

Cristovam Buarque (PPS-DF)
SIM

Dalirio Beber (PSDB-SC)
SIM

Dário Berger (PMDB-SC)
SIM

Davi Alcolumbre (DEM-AP)
SIM

Edison Lobão (PMDB-MA)
SIM

Eduardo Amorim (PSC-SE)
SIM

Eduardo Braga (PMDB-AM)
SIM

Eduardo Lopes (PRB-RJ)
SIM

Elmano Férrer (PTB-PI)
NÃO

Eunício Oliveira (PMDB-CE)
SIM

Fátima Bezerra (PT-RN)
NÃO

Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)
SIM

Fernando Collor (PTC-AL)
SIM

Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
SIM

Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)
SIM

Gladson Cameli (PP-AC)
SIM

Gleisi Hoffmann (PT-PR)
NÃO

Hélio José (PMDB-DF)
SIM

Humberto Costa (PT-PE)
NÃO

Ivo Cassol (PP-RO)
SIM

Jáder Barbalho (PMDB-PA)
SIM

João Alberto Souza (PMDB-MA)
SIM

João Capiberibe (PSB-AP)
NÃO

Jorge Viana (PT-AC)
NÃO

José Agripino (DEM-RN)
SIM

José Aníbal (PSDB-SP)
SIM

José Maranhão (PMDB-PB)
SIM

José Medeiros (PSD-MT)
SIM

José Pimentel (PT-CE)
NÃO

Kátia Abreu (PMDB-TO)
NÃO

Lasier Martins (PDT-RS)
SIM

Lídice da Mata (PSB-BA)
NÃO

Lindbergh Farias (PT-RJ)
NÃO

Lúcia Vânia (PSB-GO)
SIM

Magno Malta (PR-ES)
SIM

Maria do Carmo Alves (DEM-SE)
SIM

Marta Suplicy (PMDB-SP)
SIM

Omar Aziz (PSD-AM)
SIM

Otto Alencar (PSD-BA)
NÃO

Paulo Bauer (PSDB-SC)
SIM

Paulo Paim (PT-RS)
NÃO

Paulo Rocha (PT-PA)
NÃO

Pedro Chaves (PSC-MS)
SIM

Raimundo Lira (PMDB-PB)
SIM

Randolfe Rodrigues (REDE-AP)
NÃO

Regina Sousa (PT-PI)
NÃO

Reguffe (S/PARTIDO-DF)
SIM

Renan Calheiros (PMDB-AL)
SIM

Ricardo Ferraço (PSDB-ES)
SIM

Roberto Muniz (PP-BA)
NÃO

Roberto Requião (PMDB-PR)
NÃO

Roberto Rocha (PSB-MA)
SIM

Romário (PSB-RJ)
SIM

Romero Jucá (PMDB-RR)
SIM

Ronaldo Caiado (DEM-GO)
SIM

Rose de Freitas (PMDB-ES)
SIM

Sérgio Petecão (PSD-AC)
SIM

Simone Tebet (PMDB-MS)
SIM

Tasso Jereissati (PSDB-CE)
SIM

Telmário Mota (PDT-RR)
SIM

Valdir Raupp (PMDB-RO)
SIM

Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
NÃO

Vicentinho Alves (PR-TO)
SIM

Waldemir Moka (PMDB-MS)
SIM

Wellington Fagundes (PR-MT)
SIM

Wilder Morais (PP-GO)
SIM

Zeze Perrella (PTB-MG)
SIM.

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É hora de “virar a página”, diz o governador de Pernambuco

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, divulgou nota oficial nesta quarta-feira (31) sobre o afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff.

Segundo ele, “o afastamento de dois presidentes da República, em menos de 25 anos, não é algo que devemos comemorar”.

No entanto, acrescentou, “chegou a hora de virar a página (porque) a população deseja que o Brasil faça o seu dever de casa, arrume suas finanças e restabeleça as condições para que a economia volte a crescer. E, dessa forma, criar empregos, que considero a maior missão para o novo governo”.

E concluiu: “Muita coisa se desarrumou nesses últimos anos. Andamos para trás em áreas fundamentais. Por isso, precisamos restabelecer a confiança no futuro do nosso país, com firmeza, transparência, diálogo e muito trabalho”.

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Brasil vai “pagar caro” pelo impeachment de Dilma, diz Humberto Costa

O senador Humberto Costa (PT-PE) disse nesta quarta-feira (31), após a aprovação do impeachment de Dilma Rousseff, que o Brasil vai “pagar caro” por esse suposto “golpe” contra a democracia brasileira.

Segundo ele, Dilma obteve 54 milhões de votos nas eleições de 2014, os quais agora foram cassados por 61 dos 81 senadores.
“Nós, as próximas gerações e o Brasil, pagaremos muito caro por essa diminuição da nossa democracia. Lutamos como pudemos para evitar que essa aberração prosperasse. Mas venceu o fisiologismo, o acordão, o baixo nível político, o golpe”, disse o senador pernambucano.

Para ele, arrancar do cargo uma presidente eleita pela maioria dos brasileiros, sem crime de responsabilidade, “é um erro grave, condenado, inclusive, pelo mundo inteiro, que traz por meio da imprensa a sua visão crítica em relação a este processo”.

“Abrimos um precedente perigosíssimo para futuros presidentes, governadores e prefeitos: a punição sem cometimento do crime de responsabilidade. Rasgamos a Constituição Federal e nossos opositores não se dão conta de que como isso abalará o país para sempre”, acrescentou.

Costa acredita que o Senado “envergonhou a nação” e se “apequenou” na tarde desta quarta-feira.

“Estamos lançando o Brasil à insegurança e ao caos, uma situação extremamente preocupante que não será superada por esse governo golpista, que não tem a legitimidade do voto”, bradou.

E concluiu: “Nos últimos 80 anos, tivemos 18 presidentes da República. Somente oito foram eleitos. Desses, três não concluíram o mandato. Infelizmente, Dilma foi a quarta chefe do Executivo afastada do cargo”.

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Senado aprova impeachment de Dilma por 61 votos contra 20

O Senado aprovou nesta quarta-feira (31) por 61 votos contra 20 o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff por crime de responsabilidade.

Para que ela fosse condenada, eram necessários pelo menos 54 votos (dois terços dos 81 senadores). Foram sete votos a mais do que Michel Temer precisava para assumir a Presidência da República em caráter definitivo.

Tido como o único senador que se absteria de votar, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), votou a favor do impeachment, mas se empenhou para que Dilma Rousseff não ficasse inabilitada por 8 anos para o exercício de cargos públicos.

A sessão foi comandada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, que logo após a votação proclamou o resultado e foi o primeiro a assinar a sentença condenatória.

Logo após, por 42 votos contra 26 e três abstenções, os senadores mantiveram Dilma habilitada para o exercício de cargos públicos. Para que ela ficasse inabilitada, eram necessários dois terços dos votos (54). O requerimento foi de autoria do senador Vicentinho Alves (PT-TO).

A votação desse destaque foi feita separadamente a pedido de senadores do PT, que apresentaram o requerimento logo no início do dia, acatado pelo presidente do STF.

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Fernando Bezerra foi um dos seis ex-ministros de Dilma que votaram a favor do impeachment

O senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) foi um dos seis ex-ministros da presidente (agora deposta) Dilma Rousseff a votar a favor do processo de impeachment.

Segundo ele, ficou “comprovada e evidente”, ao longo de mais de três meses de trabalho da comissão especial, “ouvindo, analisando e debatendo os argumentos dos denunciantes e da defesa”, que a presidente praticou crime de responsabilidade ao abrir créditos suplementares sem a autorização prévia do Congresso Nacional.

Segundo ele, a ex-presidente desorganizou a economia e legou neste seu segundo mandato uma elevada taxa de desemprego.

“Só no Estado de Pernambuco já são mais 560 mil desempregados, segundos dados do IBGE, a terceira maior taxa de desemprego do país, embora Pernambuco seja a décima economia do Brasil”, afirmou o senador, que foi ministro da Integração Nacional no primeiro mandato de Dilma Rousseff.

Veja a íntegra do seu discurso, proferido na madrugada desta quarta-feira (31):

Senhor Presidente, Ministro Ricardo Lewandowski, renovo, desta Tribuna, o registro, que já lhe fiz, pela maneira firme, serena e equilibrada como vem conduzindo estas sessões de avaliação do impedimento da senhora presidente da República.

Senhoras Senadoras e Senhores Senadores,

Por indicação da Liderança do PSB no Senado Federal, tive a oportunidade de participar dos trabalhos da Comissão Especial de Impeachment. Ao longo de mais de três meses, ouvimos, analisamos e debatemos os argumentos dos denunciantes e da defesa.

Agora, formado o nosso convencimento, temos a responsabilidade de representar o sentimento de esperança e justiça de larga parcela do povo brasileiro e, em especial, do povo de Pernambuco.

Nesta hora, também temos que guardar coerência e fidelidade à história do Partido Socialista Brasileiro.

De 1989 a 2002, o PSB atuou na Frente Brasil Popular, apoiando as candidaturas do ex-Presidente Lula.

Em 2003, participamos da Administração do Presidente Lula e tivemos a oportunidade de compor uma gestão que possibilitou avanços importantes para o Brasil, para o Nordeste e especialmente para o meu Estado de Pernambuco.

Com a eleição da Presidente Dilma, tive a honra de participar da sua gestão como ministro da Integração Nacional. Mas o nosso apoio, ressalto, jamais foi desprovido de senso crítico.

Em 2013, o Partido Socialista Brasileiro fez a opção de deixar a base de sustentação do governo federal para construir um projeto próprio e apresentar ao Brasil um novo caminho, uma nova alternativa. O então presidente do PSB, Eduardo Campos, formalizou esta decisão em 18 de setembro daquele ano.

Já candidato, Eduardo Campos apontava os equívocos na condução da política econômica, que poderiam levar o Brasil a enfrentar graves problemas na área econômica e na área social.

Hoje, fica claro que a pecha de pessimistas que nos imputaram durante as eleições de 2014 era equivocada e injusta.

De lá para cá, os alertas do PSB se confirmaram e o país mergulhou em uma grave crise econômica e social, com a desaceleração dos investimentos e com a ampliação do desemprego.

Ao apelar para a chamada “contabilidade criativa”, mascarando as contas públicas, o governo da Presidente Dilma tentava passar a impressão de que o Brasil seguia o mesmo ritmo de prosperidade econômica do governo do Presidente Lula. Houve uma recusa deliberada em não promover os ajustes que a economia reclamava.

Esta postura inadequada acabou colocando o Brasil em um quadro de recessão econômica sem precedentes. Dois anos consecutivos de crescimento negativo e mais de 11,6 milhões de desempregados.

Só no meu estado de Pernambuco, já são mais de 560 mil desempregados, segundo dados do IBGE: a terceira maior taxa de desemprego do país, embora Pernambuco seja a décima economia do Brasil.

Os trabalhos da Comissão Especial de Impeachment deixaram claro que o cenário econômico desastroso já era do conhecimento do Poder Executivo, em meados de 2015, quando, no mês de julho, a Presidente encaminhou, ao Congresso Nacional, o Projeto de Lei nº 05/2015, com a finalidade de reduzir o superávit previsto originalmente na lei orçamentária.

Neste ínterim, Senhor Presidente, a Presidente da República publicou decretos não numerados de abertura de créditos suplementares, sem autorização prévia do Congresso Nacional. A prática destes atos configura crime de responsabilidade, razão pela qual a Presidente passou a responder ao processo de impeachment.

Acerca deste fato, importante lembrar que o Poder Executivo continuou a reduzir a meta a ponto de, no final do exercício, a política fiscal ter conduzido ao desastroso déficit de 118 bilhões de reais.

Ora, como era possível, na contramão de todos esses elementos negativos, de toda a realidade fiscal de déficit, editar legitimamente os decretos presidenciais de créditos suplementares? A resposta é clara: não era possível. Como ficou sobejamente comprovado pelo relatório do eminente senador Antonio Anastasia.

Cabe-nos ainda – Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Senadores – analisar a prática de contratação ilegal de operações de crédito pela União; especialmente, junto ao Banco do Brasil.

No curso dos trabalhos da Comissão Especial, ficou evidenciado que essas operações de créditos, além de ilegais, distorceram as estatísticas fiscais oficiais relativas à dívida e ao déficit público, uma prática que ficou conhecida como “pedaladas fiscais”.

Na prática, as pedaladas ocultaram um subdimensionamento de bilhões de reais no orçamento e mascararam as contas públicas em clara afronta à Lei de Responsabilidade Fiscal.
Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Senadores,
Quis o destino que eu participasse como representante do povo de Pernambuco nos dois processos de impedimento de Presidentes da República: em 1992 e em 2016. Agora, como no passado, entendo que restaram configurados os crimes de responsabilidade imputados à Excelentíssima Sra. Presidente da República.

Não será fácil. Mas é o nosso dever colocar o Brasil de volta ao equilíbrio fiscal. Não existe contradição entre uma política fiscal responsável e políticas de distribuição de renda e inclusão social.

Em 2008, apesar da maior crise mundial da história recente, o governo Lula não produziu déficit fiscal. Na crise da Rússia, em 1999, que teve forte repercussão no nosso país, o governo de Fernando Henrique também não produziu desequilíbrio fiscal.
Que não tenhamos ilusões, o novo governo, que poderá ser inaugurado com o nosso voto, é um governo de transição, cujo objetivo principal é reconciliar a nação, apostando no diálogo para a retomada da confiança, a volta do investimento e para o fortalecimento das nossas instituições e do regime democrático.
Senhor Presidente, votarei a favor do impedimento definitivo e deposito a minha confiança e a minha esperança na construção de um novo momento na vida nacional, que permita ao Brasil se reencontrar com sua trajetória de crescimento e prosperidade.

Muito obrigado