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Temer está fazendo tudo certo até agora

Coluna Fogo Cruzado – 30 de abril

À exceção de setores periféricos do PSB, todos os partidos que lutaram pelo impeachment vão integrar o governo Temer

Michel Temer está fazendo tudo certo até agora nesta fase que antecede o afastamento de Dilma do governo: negociando com partidos, e não com pessoas, a composição do novo ministério. Já se encontrou com os presidentes de todos eles – à exceção, claro, dos quatro que se opõem ao impeachment (PT, PCdoB, PDT e PSOL) e as conversas foram positivas. Todos estão dispostos a colaborar com o futuro governo, que será de “salvação nacional”, à exceção de setores periféricos do PSB como o prefeito do Recife, Geraldo Júlio, que entende que o partido deve ficar fora. A maior dificuldade do vice foi convencer o PSDB a integrar o seu governo porque o senador Aécio Neves e o governador Geraldo Alckmin tinham o mesmo pensamento de Geraldo Júlio: contra. FHC puxou-lhes as orelhas e os dois hoje estão a favor após terem chegado à óbvia conclusão de que quem lutou para tirar Dilma do cargo, tem obrigação de apoiar o vice.

Recusa – Temer pretende levar para o seu governo os melhores quadros dos partidos que deram apoio ao impeachment. O DEM pôs à disposição dele os deputados José Carlos Aleluia (BA) e Mendonça Filho (PE), e o PPS o senador Cristovam Buarque (DF), que recusou o Ministério da Cultura por não estar convencido de que Dilma Rousseff cometeu crime de responsabilidade.

Rejeição – O TSE rejeitou as contas de 2010 do PMN, PRTB e PDT, o que deixará sem fundo partidário pelos próximos seis meses os presidentes Telma Ribeiro, Levy Fidélix e Carlos Lupi, respectivamente. Foram aprovadas com ressalvas as contas do PT, mas o partido terá que devolver R$ 7 milhões.

Vice – O ex-deputado Osvaldo Rabelo (PMDB), que está em campanha para a prefeitura de Goiana, garantiu ao seu grupo político que o candidato a vice de sua chapa “será indicado pelo Palácio das Princesas”.

Lucro – A “abstenção” de Sebastião Oliveira na votação do impeachment pela Câmara Federal rendeu-lhe o controle do PR em Pernambuco. Anderson Ferreira votou a favor e ficou sem o controle da legenda.

Opções – O PSB ofereceu duas opções a Temer para o ministério: o ex-governador Renato Casa Grande (ES) e o ex-deputado Beto Albuquerque (RS), que foi o vice de Marina. Fernando Filho (PE) trabalha por fora.

Acordo – O ex-deputado Carlos Lapa (PSL) está fechado com Manoel Botafogo (PDT), deputado estadual, para a prefeitura de Carpina, embora seu irmão, Joaquim (PTB), que já foi prefeito três vezes, também seja candidato. “Fiz este acordo com Botafogo e vou honrar a palavra”, garante o ex-deputado.

Herdeira – No município de Tracunhaém, Carlos Lapa desistiu de indicar a mulher, Graça (DEM), ex-prefeita, para enfrentar o prefeito Belarmino Vasquez (PSB). Lançou a filha, Regina (DEM), com apoio de Manoel Botafogo. Se filha ganhar a eleição, a irmã, Carla, tentará o retorno à Alepe em 2108.

Consulta – Antes de votar pelo impeachment de Dilma, o deputado Tadeu Alencar (PSB) consultou muitos eleitores, além de “arraesistas históricos”. Uns queriam que ele votasse contra e outros que votasse a favor. Ele ficou com a “voz das ruas” e votou pela saída da presidente. Foi, talvez, o único membro da bancada federal do PSB que teve esse cuidado: consultar “Sua Excelência”, o eleitor.