Bolsonaro em seu momento mais duro

Coluna Fogo Cruzado – 25 de maio de 2019

Saiu ontem a sexta pesquisa realizada pela XP/Ipespe sobre a avaliação de desempenho do governo Bolsonaro com números preocupantes para o presidente da República. Pela primeira vez, desde o início do governo, os índices de aprovação e rejeição se equivalem, ou seja, encontram-se em empate técnico. Aprovam o governo 36% dos entrevistados, ao passo que 36% o rejeitam, sendo que a coluna dos que o consideram “ruim ou péssimo” foi engrossada com cinco percentuais em relação à pesquisa anterior divulgada no início deste mês. Evaporação de popularidade com essa rapidez deveria ser motivo de preocupação para qualquer governante, mas o presidente Jair Bolsonaro parece não estar nem aí para pesquisas de opinião. Já tentou desqualificar o Ibope e o Datafolha que detectaram junto com o Ipespe o aumento de rejeição ao seu governo, atacou a diretoria do IBGE pelo fato de este órgão ter constatado a elevação do desemprego no país, e por aí vai. O presidente parece viver no mundo na lua e quando começou a se dar conta de que os graves problemas do país não se resolvem no grito, e sim negociando soluções com o Congresso Nacional, admitiu que sem fazer uso de conchavos o Brasil é um país “ingovernável”. Isto não deixa de ser uma coisa grave, embora seja menos grave do que admitir, como ele já admitiu, que não tem perfil de presidente da República.

Discurso difícil

Não é fácil, para os governadores do Nordeste, a construção de um discurso que sensibilize a União sobre os problemas regionais. Eles já estão cansados de ser chamados de “coitadinhos” e também não aguentam mais viajar a Brasília de pires na mão. A relação com o governo federal tem que se dar de outra forma, que ninguém sabe ainda qual será.

Evento turístico

O secretário Rodrigo Novaes (Turismo) prometeu à prefeita de São Bento do Una, Débora Almeida (PSB), apoio ao Governo do Estado para a realização da XXII Corrida da Galinha, o maior evento turístico do município. São Bento é o maior produtor de ovos de Pernambuco, sendo que o pai da prefeita, José Almeida, é líder nessa área.

Peneira apertada

Foram empossados ontem pelo presidente Marcos Loreto 38 novos servidores do TCE. Eles se submeteram, talvez, ao concurso mais difícil de suas vidas, já que se inscreveram 33 mil candidatos para 40 vagas. Um dos aprovados para o cargo de auditor, João Francisco de Assis Alves, natural de Surubim, é filho de um casal aposentado do Banco do Brasil.    

Cardápio sertanejo

Foi por insistência do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB), líder do governo no Senado, que Bolsonaro passou rapidamente ontem por Petrolina. A visita não foi como a poderosa família “Coelho” gostaria – regada a um almoço tipicamente sertanejo, com um cardápio de uns 30 ou 40 itens. Sarney, FHC e Lula já provaram dessa culinária.

Tempo exíguo

A passagem de Bolsonaro por Petrolina foi tão rápida que o prefeito Miguel Coelho (sem partido) não teve oportunidade de entregar ao presidente sua lista de pedidos para o município. Um deles é o apoio do governo para conclusão do Projeto Pontal, um dos sonhos do ex-deputado Osvaldo Coelho, e outro a concessão do Aeroporto Nilo Coelho à iniciativa privada.

Verdadeira, verdadeira 

Bolsonaro disse ontem no Recife uma verdade incontrastável: muita gente está torcendo pela aprovação da reforma previdenciária (os governadores do Nordeste), mas não quer colocar no projeto as suas digitais. Os próprios governadores sabem que se essa reforma não for feita, no curso deste ano, muitos estados irão quebrar primeiro que a União.

Reforma tributária

O projeto de reforma tributária relatado na CCJ da Câmara Federal pelo deputado João Roma Neto (PRB-BA) tem começo, meio e fim. Ele poderia descomplicar nosso burocratizado sistema tributário, mas custa crer que o Congresso vá aprová-lo. Afinal, deixar os estados sem o ICMS e os municípios sem o ISS seria uma grande novidade em nosso país.