Os presidentes valem mais do que os partidos

Coluna Fogo Cruzado – 20 de agosto de 2018

É preciso urgentemente livrar o Brasil da ditadura dos presidentes dos partidos

O Brasil tem 35 partidos registrados no TSE e pelo menos mais 15 em gestação. Entre nós, é muito mais fácil criar um partido do que uma microempresa. Reúne-se uma quantidade “xis” de assinaturas, mesmo que sejam falsificadas, como ocorreu com o Solidariedade, dá-se entrada com a papelada no TSE e, pronto. O partido está criado. Desses, não mais do que seis ou sete têm ideário definido. Os outros são partidos de aluguel destinados a “vender” tempo de televisão e a engrossar coligações de partidos maiores, a troco Deus sabe de quê. Uma coisa, porém, é comum a todos eles: a ditadura dos presidentes ou das executivas nacionais. O jogo é fácil de ser entendido. O “dono” do partido autoriza a criação de comissões provisórias nos estados, e essas autorizam a criação de comissões municipais. Nada de diretório constituído porque isso não interessa aos “proprietários”. No entanto, mesmo os que têm diretórios constituídos devem obedecer aos “chefões” sob pena de expurgo. Exemplo um: o presidente nacional do MDB, Romero Jucá, interveio no diretório de Pernambuco para afastar o vice-governador Raul Henry da presidência, sem justa causa. O processo está “sub judice” no STF. Exemplo dois: a executiva nacional do PT passou por cima da vontade de 95% dos delegados de Pernambuco e afastou Marília Arraes da disputa pelo governo estadual. Exemplo três: a executiva nacional do PSB anulou a convenção que indicou o ex-prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, para concorrer ao governo de Minas. É preciso urgentemente rever isto na “reforma política” que os candidatos a presidente estão prometendo aos brasileiros.

Sem palanque estadual

Com um pé no 2º turno, Bolsonaro não tem candidato a governador em Pernambuco. Chegou a convidar o coronel PM (reserva) Luiz Meira, que na esteira do “bolsonarismo” poderia ter um desempenho razoável. Mas tanto o partido do capitão como o partido do coronel decidiram seguir outro caminho. Um está com Armando Monteiro e o outro com Paulo Câmara.

Com versos – O poeta Diomedes Mariano, ao saber que Paulo Câmara estaria sábado no Pajeú, cobrou-lhe com versos a recuperação das estradas da região: “Querido governador/ Quando vier ao sertão/ Não venha de helicóptero/ Muito menos de avião/ É bom que venha de carro/ Entre as crateras e o barro/ Reflita e diga talvez/ Oh! Que falta de respeito/ Isto era pra ser feito/ E meu governo não fez”.

Sem o irmão – Zeca Cavalcanti (PTB) lançou sábado em Arcoverde sua recandidatura à Câmara Federal. O irmão, Júlio (PTB), que é deputado estadual, desistiu da reeleição.

De lavada – Segundo o Ibope, o governador Camilo Santana (PT) tem 64% de intenções de votos no Ceará, ante 4% do general Teóphilo (PSDB), apoiado pelo senador Tasso Jereissati. Seu antecessor, Cid Gomes (PDT), tem 65% para senador. É massacre na Oposição.

A consolidação – Raul Henry (MDB) consolidou sua candidatura à Câmara Federal ao receber o apoio, em Caruaru, do deputado estadual e ex-prefeito Tony Gel (MDB). O filho deste último, Toninho, empresário, chegou a se inscrever como candidato a deputado federal, mas desistiu.

Pragmatismo – A influente família “Martins”, de Itaíba, liderada pelo ex-deputado Claudiano Martins, está agindo com pragmatismo nessas eleições. Em Itaíba fechou com Paulo Câmara (PSB) e em Águas Belas com Armando Monteiro (PTB). Dê o que der, estará no governo.